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Carta
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Cremona, 26 de Maio de 1537 J+C
Às irmãs Angélicas
Minhas queridas filhas, eu considero vocês o meu único
motivo de alegria e consolo, só de pensar que brevemente
estarei de volta à convivência com vocês Minhas
amáveis filhas, estou orgulhoso de vocês e sei que
um dia serei invejado por São Paulo, porque vocês,
tal qual as filhas do Apóstolo, desejam ardentemente sofrer
por Cristo, renunciam a tudo e a si mesmas, procuram levar o próximo
ao verdadeiro espírito vivo e ao Cristo Crucificado; e, mais
ainda, porque vocês - não uma só e sim todas
- deixando de lado toda estima própria e consolação
interior (as filhas de Paulo gostavam disso), tornaram-se apóstolas
não só para acabar com a idolatria e outros defeitos
grandes e graves das pessoas, mas também para destruir esta
peste, a maior inimiga de Jesus Crucificado. que predomina nos nossos
dias: a Dona Tibieza(mediocridade).
Minhas queridas filhas, desfraldem suas bandeiras, pois dentro em
breve o crucificado as enviará para anunciarem, por toda
parte, a vivacidade espiritual e o Espírito que dá
vida a tudo.
Graças sem fim sejam dadas ao meu Senhor, por filhas tão
generosas que Ele me deu. Minhas filhas, enquanto isso, eu peço
a vocês que procurem trazer-me alegria, de tal modo que, quando
eu chegar aí, consiga ver o progresso de vocês, cada
uma se esforçando mais que a outra.
Que eu encontre:
gente firme, perseverante e fervorosa nas práticas espirituais,
a tal ponto de não passar facilmente do fervor ao abatimento;
pelo contrário, que conserve um fervor constante e intenso,
que se renove pelos compromissos do batismo e mostre sempre novo
vigor;
gente que conseguiu uma fé tão grande, que tudo o
que é muito difícil, pareça muito fácil,
mas certas de que esta confiança nunca será abalada
por presunção ou vanglória;
gente que procure fazer com perfeição os trabalhos
mais humildes, ocupando-se deles com todo capricho e cuidado, não
desanimando, nem achando que é rebaixar-se por causa da pouca
importância desses trabalhos;
gente que se esqueça totalmente de si, para olhar só
para o próximo; que não veja seu próprio interesse
e não pense em si, mas consiga o bem dos outros, comportando-se
de maneira discreta e madura na ação;
gente que venceu suas tristezas bobas, sua sensibilidade à
flor da pele, o medo de não progredir na vida religiosa,
o desânimo ao querer vencer a si mesma, a cabeça dura
e a teimosia, a distração e outras coisas mais.
Continua na próxima edição
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