Cristo Redentor (11) - Moisés
A figura de Moisés é citada pelo próprio Jesus quando fala do verdadeiro
maná que ele está para dar através da sua imolação: "Não foi Moisés
que vos deu o pão que vem do céu... É a minha carne dada para a vida
do mundo" (Jo 6,32.51). Moisés é figura de Cristo porque ele foi o
profeta chamado para libertar o seu povo da escravidão do faraó, o
líder que, ao longo de uma peregrinação de quarenta anos no deserto,
conduziu o povo de Deus, tornando-se para ele juiz e mediador da Lei
do Senhor. Pela comparação com essa figura, Jesus começa a se caracterizar
pelas qualificações que são específicas do líder. O amor e a preocupação
que ele tem para com o seu povo permitem ver que ele não está distante
do seu povo, não obstante a sua santidade. É aquilo que devemos ter
presente, sempre que falamos de Cristo Jesus. Não obstante a sua santidade
e as suas qualificações de Guia supremo e Salvador (At 7,31), ele
deve ser sempre considerado unido a nós como o representam as figuras
de Noé e Abraão. Jesus participa, em tudo, da sorte dos seus irmãos,
contudo, estando na condição de nos resgatar do âmago da nossa miséria
porque nele estão as qualidades divinas e messiânicas. Ele é um adão,
como nós; todavia porque é o Filho de Deus que assume a carne humana,
com ele está o poder da divindade; e porque a sua humanidade, embora
em tudo igual à nossa, não conhece pecado, ela pode carregar sobre
si as nossas culpas e merecer o perdão. Ele é Noé, constituído justo,
por graça, para ser princípio da nossa salvação. Ele é Abraão, ancestral
de um povo, todavia, sempre obediente à vontade de Deus a ponto de
se tornar, por vontade de Deus, uma bênção para todos os povos.
Notamos, contudo, grandes fraquezas em Moisés que nos permitem ver
como a figura, embora anuncie o Messias, está muito longe dos ideais
que esse realizará. Moisés titubeia, apavorado, quando Deus o encarrega
de ir e libertar o seu povo; se apavora diante de um povo que o ameaça
a ponto de se queixar, revoltado, com Deus e merecer, por causa disso
de ser associado à sorte daquela geração rebelde que não entrou na
terra prometida. Não é assim com Cristo. Porque de condição divina,
está pronto para uma libertação do homem bem mais importante da libertação
da escravidão do Egito, e, porque perfeito em santidade, abraça a
sua missão com determinação: "O meu alimento é fazer a vontade do
meu Pai e cumprir com a sua obra" (Jo 4,34). Diante de um povo que
se manifesta com aspirações políticas e ambições meramente humanas,
ele se retira junto à Santidade do Pai e lá encontra a determinação
de começar tudo de novo (Jo 6,15); não desanima nem se apavora.
Os Apóstolos viram em Moisés o profeta que até anunciou ao povo de
Israel aquele que viria após ele e que deveria ser escutado. É um
caso aberto que nos diz quanto a Igreja, no seu alvorecer, viu Jesus
ligado à profecia, a ponto de considerá-lo o seu realizador. É a intensidade
da sua relação com a profecia com a qual corresponde de forma, ao
mesmo tempo, total e surpreendente, mais uma prova da messianidade
de Jesus. Nunca mais haverá um enviado de Deus que possa atuar em
si a profecia e, enquanto a atua a inove pela surpreendente revelação
da sua condição divina.
Perguntas para uma reflexão:
1ª) De que forma Moisés é figura de Cristo?
2ª) Quais são as características que se revelam em Cristo como Guia
do seu Povo?
3º) Por quê Jesus é superior a Moisés?
Pe. Fernando Capra/CRSP
|