Os leitores de O Mensageiro foram brindados, nos últimos
meses, com a publicação do 1o Sermão de Santo
Antônio Maria Zaccaria.
Não faço um comentário detalhado ao Sermão,
apenas aponto alguns aspectos essenciais que o santo aborda ao falar
do caminho de homens e mulheres para Deus. No fundo, ele apontou uma
espiritualidade que fosse resposta para as pessoas do seu tempo. Como
SAMZ continua atual, ele fala para nós, que o amamos e que
queremos chegar a Deus ajudados pelas palavras de quem percorreu o
seu itinerário neste mundo, com os pés fixos no chão
da realidade humana (amor ao próximo e cuidado de si mesmo)
e com os olhos voltados para Deus (amor a Deus).
Santo Antônio Maria afirma que Deus não é o culpado
se nós não progredimos espiritualmente, esse é
o tema do Sermão, - porque Ele é tudo, tem tudo e nos
dá todo o necessário para que avancemos sempre mais
e em coisas cada vez mais perfeitas.
Mas Deus respeita a liberdade humana. Talvez seja por isso que julguemos
que Ele é culpado se as coisas não dão certo.
Temos medo da liberdade, da responsabilidade, - ou seja, da capacidade
de dar respostas aos desafios que a vida nos coloca, - temos a tendência
de transferir para os outros a culpa pelo que nós fazemos ou
deixamos de fazer: - a culpa é do prefeito, do governador,
do presidente, do Papa, do pároco, do professor, da minha mulher,
do meu marido, do meu irmão. Daí, para culpar Deus é
só um pulo!
Leiam e meditem esta frase de Antônio Maria a respeito da ação
de Deus em nós: "Repare como o homem, criado livre, é
conduzido pela Providência, de tal modo que o obriga e o incentiva
sem forçá-lo e sem nenhum constrangimento". Deixo
a vocês as conclusões.
Se não crescemos espiritualmente, a culpa é só
nossa mesmo! Por que?
Santo Antônio Maria aponta duas situações: não
procedemos gradualmente e não observamos os Mandamentos.
Vivemos num mundo apressado, afobado, ansioso por resultados imediatos.
Não é diferente no âmbito da espiritualidade e
da Igreja. No entanto, não é possível um crescimento
espiritual autêntico à base do "vapt-vupt".
A culpa é nossa, porque "O homem que quer chegar a
Deus precisa de ir degrau por degrau, subindo do primeiro para o segundo
e desse para o terceiro e, assim por diante. Ele não pode começar
pelo segundo, deixando de lado o primeiro, pois as suas pernas são
curtas demais e seus passos muito pequenos. É por isso que
não poderá construir, você não fez os alicerces!"
E os Mandamentos? Sto. Antônio Maria afirma que, para viver
os Mandamentos de Deus, do jeito que Jesus nos apresentou (Mt.19,16-21),
só vivendo primeiro os Dez Mandamentos. Isso quer dizer que,
para chegar ao que Cristo deseja de nós, é preciso que
subamos, primeiro, o degrau dos Mandamentos dados a Moisés
na Lei Antiga. Por exemplo: para amar o próximo como a nós
mesmos, é preciso estar conscientes de que esse amor se desdobra
no honrar pai e mãe, no não matar, no não levantar
falso testemunho, no não pecar contra a castidade, no não
roubar, no não querer ter coisas e pessoas como propriedade
nossa. Ora, viver assim, não é cuidar de si e respeitar
o próximo?
Santo Antônio Maria ainda nos diz para não nos orgulharmos,
nem nos deixarmos tomar pela soberba, por causa de belas orações
que fazemos ou de celebrações que preparamos, pensando
que estamos fazendo progresso espiritual. E diz mais ainda: "o
começo da decadência da vida espiritual (e com ela vem
o resto) é a crítica negativa", aquela de quem
menospreza o próximo, muitas vezes reduzindo-o a zero. Não
é difícil perceber que, quem vive assim, não
pode mesmo progredir espiritualmente, pois se torna presa fácil
de sua própria falta de amor e solidariedade, essenciais para
uma vivência cristã verdadeira.
Amemos a Deus acima de tudo e de todos e ao próximo como a
nós mesmos, mas vamos "devagar com o andor, porque o santo
é de barro", isto é, nem relaxamento e indiferentismo,
nem fanatismo e precipitação. Degrau por degrau, meus
irmãos!
Pe. Luiz Antônio do Nascimento Pereira - Samambaia / DF |