Sermão
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Cremona, 4 de janeiro de 1531 J + C
Aos meus queridos companheiros, Bartolomeu e Tiago Antônio.
O Deus da paz e de toda graça os guarde e lhes conceda aquela
firmeza e decisão em tudo o que fizerem e desejarem, como eu
gostaria.
É uma grande verdade que Deus fez o homem instável e
querendo sempre mudar, para não ficar parado no mal, e também,
para que, conseguindo um bem, não fique parado só nele,
mas passe para outro maior e, desse, para outro maior ainda e, assim,
crescendo degrau por degrau, chegue à perfeição.
É por isso que se diz que o homem que está no mau caminho,
não fica nada satisfeito, isto é, não encontrando
prazer no mal, não pode continuar nele e: assim, não
parando no mal, irá para o bem. Do mesmo modo, não se
satisfazendo só com as criaturas, passará para Deus.
Bem! Por enquanto, deixo de lado as várias causas das insatisfações
dos homens: o que já escrevi, chega!
Coitados de nós! A firmeza e a decisão que devemos ter
para fugir do mal, não as estamos usando para fazer o bem;
tanto é verdade, que eu me admiro muitas vezes com a grande
falta de firmeza que está em mim e isso vem de longe!
Meus irmãos, eu estou certo de que, se eu meditasse profundamente
a respeito dos males que surgem por causa dessa tal falta de firmeza,
já os teria arrancado pela raiz há muito tempo!
A falta de firmeza, antes de mais nada, atrapalha o homem: ele não
progride, fica como quem está entre dois imãs: não
é atraído nem por um, nem por outro, isso quer dizer
que ele não faz o bem agora, porque se preocupa com o futuro,
nem se prepara concretamente para o futuro, porque perde tempo agora
e não acredita no futuro. Querem saber com quem este homem
se parece? Com quem tem a pretensão de amar duas coisas opostas.
É igual àquele que quer caçar dois coelhos ao
mesmo tempo: um foge e o outro escapa!
Continua no próximo número.
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