Cartas de Paulo (9)
Esquema
1,1-17 Introdução
1,18-11,36 Parte Teológica: A salvação mediante
a fé em Cristo
1,18-4,25 A justificação mediante a fé em Cristo
1,18-3,20 A necessidade da justificação. A situação
da humanidade pecadora. A condição humana sem Cristo.
3,21-4,25- O dom da justificação. O modo como se dá
a justificação.
5,1-11,36- A salvação do homem justificado
5,1-21- O método da gratuidade
5,1-8,39- Os frutos da justificação
6-7 As perspectivas divinas a respeito do homem. Libertação
da escravidão do pecado, da morte e da Lei.
8- A nova vida segundo o Espírito
9,1-11,36- Os judeus e a justificação. A esperança
de Israel. Resumo do plano de Deus na história
12-15,13- Parte Moral: os deveres dos fiéis. Exortação
para uma vida harmoniosa. Guia pratico e moral. A justiça de
Deus na vida cristã. Exigências morais da justiça
de Deus
15,14-16,16- Recomendações finais e saudações.
Epílogo
Mensagem Teológica
Temas
O ponto culminante de toda a epístola é o capítulo
8: este capítulo continua, em tom cada vez mais inflamado,
a descrição da nobreza da vida cristã, descrição
iniciada no capítulo 6 (batismo, ressurreição
para uma vida nova).Vida cristã é vida conforme o Espírito
de Deus, que habita em nós, mas vida de luta, pois o espírito
deve obter o triunfo sobre a carne, levando-a à transfiguração
no dia da ressurreição universal (Rm 8,1-13).
Este triunfo é preparado por Deus Pai, que nos fez filhos,
a fim de dar ao Cristo Jesus muitos irmãos, co-herdeiros da
glória do Primogênito (8,14-18)
O tema central é a fé em Jesus, o Cristo, isto é,
a salvação de todos pela fé em Jesus Cristo:
hoje em dia, muitas pessoas acham que qualquer religiosidade é
salvadora. Ora, para quem foi realmente atingido pela mensagem cristã,
a "paz com Deus" depende da adesão eficaz a Jesus
e ao seu caminho de vida, e não de critérios extrínsecos
(como os ritos judaicos). Jesus é o ponto de referência
de Deus em nossa vida.
Outros temas:
A graça e a gratuidade: em Cristo, recebemos "de graça"
a graça de Deus. Nós, ao contrário, procuramos
justificar nossa vida, não mais pela observância de um
código moral e ritual como era a Lei de Moisés, mas
por muitos outros "méritos" que a sociedade reconhece
e que supomos serem suficientes para garantir uma boa avaliação
final: trabalho, sucesso, atividades sem fim... Romanos nos lembra
que aos olhos de Deus temos valor se nossa vida, por mais limitada
que seja, está em harmonia com Cristo.
A justiça salvadora e libertadora: a justiça de Deus
não é fiscalizadora, mas "ajustadora": ela
torna justo quem não o é, desde que, pela fé
na graça manifestada em Cristo, a pessoa se entregue a ele.
A justiça de Deus não consiste em contabilizar e cobrar,
mas em realizar uma nova criação.
A universalidade da salvação: Paulo rejeita os critérios
do juda-ísmo de seu tempo para condicionar a salvação:
a Lei e a pertença ao povo de Israel, pela circuncisão
(não pela raça, pois também não-judeus
podiam ser "tementes a Deus" ou se deixar circun-cidar e
observar a Lei). Com a vinda de Cristo, todos, judeus e pagãos,
estão na mesma situação e recebem a certeza pela
adesão a Cristo. Salvação não é
uma questão de cultura superior. Toda pessoa que, pela fé,
adota o caminho de Cristo é salva.
A epístola aos Romanos sempre foi muito lida entre os cristãos.
Sabe-se, porém, que não é de fácil interpretação;
os reformadores protestantes fizeram desse documento esteio da doutrina
da fé sem as obras, interpretando unilateralmente o pensamento
Paulino. Quem estuda Romanos, deve conjugar esses estudo com o de
Gálatas e o de Tiago. Com razão afirmava Pedro que "nas
cartas de Paulo se encontram pontos difíceis de entender, que
os ignorantes e vacilantes torcem, como fazem com as demais Escrituras,
para a sua própria perdição" ( 2 Pd 3,16).
Quando Paulo diz que a fé, sem obras boas, nos faz amigos de
Deus, tem em vista a nossa entrada na filiação divina;
ninguém a "compra" por merecimentos prévios.
Uma vez, porém, feitos amigos de Deus, temos que praticar obras
boas, como ensinam Paulo e Tiago; ver Gl 6,10; 1 Ts 5,15; Tg 2,14-26
Textos Seletos
1,18-23- o conhecimento de Deus mediante as criaturas
1,20 o testemunho do cosmos.
2,15 o testemunho da consciência moral
2,25-29 o judeu exterior que se vangloria do que é visível
3,9.23- todos estão debaixo do pecado
3,21-4,25- o modo da justificação: 3,21-30 a tese; 4,1-25-
o exemplo de Abraão
5,1-8,39- os frutos da justificação: 5,1-21- reconciliação
com Deus e esperança de salvação. 5.12-21- o
pecado original: o primeiro e o segundo Adão.
6,1-14- o batismo. O cristão é libertado da escravidão
do pecado.
8- a vida do cristão no Espírito. Filhos de Deus graças
ao Espírito. Destinados aa glória. O plano de salvação.
Hino ao amor de Deus.
9,1-29- a soberana liberdade de Deus
9,30-10.21- responsabilidade e culpa de Israel
11,1-36- a infidelidade dos judeus, a vocação dos gentios
e seu sentido providencial. A reprovação de Israel não
é definitiva e nem total.
13,8-10- a caridade
14,22s- a consciência.
Com os ensinamentos de Paulo que nos dizem que "Deus em tudo
concorre para o bem daqueles que O amam" (8,28) e "onde
o pecado se multiplicou, superabundou a graça" (5,20),
não tenhamos vergonha do Evangelho pois está escrito
que o justo viverá pela fé (1,16s).
Continua no próximo número
Jane do Térsio |