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Caríssimos irmãos, a Graça do Senhor Jesus
Cristo, o Amor de Deus e a comunhão de Espírito Santo
esteja com todos vós! (II Cor 13, 13).
Aqui estamos nós, reunidos, ansiosos, em um clima de expectativa
eclesial, mas confiantes na realização da grande promessa
do Senhor: Um Pentecostes atual, para renovar a Igreja de hoje.
Na realidade, a Igreja, que nasceu sob o impulso do Espírito
no dia de Pentecostes, só pode ser renovada mediante o poder
divino desse mesmo Espírito. O Espírito Santo é
o princípio que dá vida à Igreja e é,
por sua vez, seu princípio renovador. Desde os tempos de
Santo Agostinho se tem dito que "o que é a alma para
o corpo do homem, assim é o Espírito Santo para o
Corpo de Cristo que é a Igreja"; e assim o Espírito
Santo, move-a, a faz crescer, leva-a à plenitude, sustenta-a,
assiste-a e renova-a constantemente.
Assim como a Igreja se vincula ao mistério de Pentecostes,
nós também, como membros desse Corpo, precisamos nos
revestir das mesmas características de Pentecostes. Nós
podemos ver nas Escrituras o primeiro Pentecostes em Ato 2, 33:
"Exaltado pela direita de Deus, havendo recebido do Pai o Espírito
Santo prometido, derramou-o como vós vedes e ouvis".
E a partir daquele momento os que aguardavam, como nós aguardamos,
uma grande mudança interior aconteceu, fazendo-os "homens
novos", onde de tímidos e temerosos discípulos
de Jesus foram transformados em ardentes e audazes testemunhas de
Cristo Vivo e Ressuscitado. Pentecostes foi um grande presente,
uma grande graça, foi mais ainda, um grande dom feito de
inúmeros dons, como podemos observar em Ato 2, 38 O dom do
próprio Espírito Santo, que é o Dom por excelência
de Deus; Em Eze 36, 26.27 A vida nova descrita pelo Espírito
na figura profética do novo coração, do espírito
novo; Em Efe 3, 4-19 A luz no entendimento para compreender o mistério
de Jesus; Em Mar 1, 16-20 Decisão na vontade de entregar-se
ao Senhor e segui-Lo; Em Ato 2, 5-11 O dom do louvor pelas maravilhas
de Deus; Em Ato 4, 31 e Ato 5, 28-32 Força, vigor e audácia
para dar testemunho de Jesus; Em Ato 3, 12-26 O dom da Palavra para
anunciar a Boa-Nova de Jesus; Em Ato 3, 1-10 Sinais e prodígios
para confirmar a proclamação.
Irmãos, esse grande dom da Igreja nascido do testemunho apostólico
não se esgotou e nem se esgotará. É para mim,
é para vocês. O Espírito Santo quer comunicar
hoje para nós os carismas e os dons para a nossa edificação
pessoal e da sua Santa Igreja. Ouçamos com atenção
as últimas recomendações de Jesus: "Não
se afastem de Jerusalém, mas esperem aí o cumprimento
da promessa do Pai, ... pois vós sereis batizados daqui há
poucos dias no Espírito Santo. Mas descerá sobre vós
o Espírito Santo e vos dará força, e sereis
minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia
e Samaria e até os confins do mundo" (Ato 1, 4.5.8).
Queridos irmãos, paremos e ouçamos essa voz que nos
orienta. Nós quando fomos batizados recebemos o Espírito
Santo, isto não quer dizer que devemos recebê-lo de
novo, pelo contrário, é uma nova missão do
Espírito Santo na Igreja e em nós. A missão
do Espírito se dá para o aumento da graça,
ou para o progresso na virtude, ou para a manifestação
de um carisma do Espírito. É uma graça que
renova e atualiza as graças já recebidas. Porá
em atividades, em alguns, o que recebeu somente no seu batismo;
em outros, o que Deus tem dado através dos sacramentos; em
outros ainda, renovará o carisma sacerdotal e o carisma na
vida religiosa consagrada. É uma graça que rompe a
dureza do nosso coração aos obstáculos. É
uma nova experiência no Espírito. É princípio
de vida nova, compromisso e atitude. É o início de
um novo caminhar no Espírito.
Abramo-nos a essa nova experiência interior pela qual nos
tornamos cristãos de verdade, onde todos participamos das
mesmas verdades, realidades e mistérios. Fazemos parte da
Oração Sacerdotal de Jesus, em João capítulo
17, que clama pela Unidade do Povo de Deus. Somos Templos Vivos
do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Efetivamente para o
Apóstolo Paulo é impensável que se possa receber
o dom do Espírito Santo sem receber ao mesmo tempo alguns
dos seus dons. Os cristãos de hoje são idênticos
aos da Igreja Primitiva porque celebramos e vivemos essencialmente
a mesma Verdade: Jesus Cristo, que é o mesmo Ontem, Hoje
e Sempre. E assim confiando na Sua Palavra, aguardamos orando pelo
seu cumprimento, a fim de que nos tornemos pela graça desse
derramamento, novas pessoas, providas da força do Alto, que
ponham em prática os carismas de serviço ou o ministério
recebido.
A TODOS UM SANTO PENTECOSTES!
Ricardo da Liturgia das 10h
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