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Comunijovem
"Que saudade dos anos 80"
Hoje se escuta muito falar sobre cidadania mas talvez poucos compreendam
o verdadeiro significado desta palavra. Ser cidadão não
é apenas conhecer seus direitos e deveres, mas sobretudo
participar de forma ativa na sociedade através de grupos
e movimentos que tentam fazer com que os direitos, as oportunidades
e o bem estar comum sejam realmente para todos.
Nós, cristãos, acreditamos que a dignidade humana
e a vida não são privilégios de alguns. Sendo
assim, todos, sem exceção, precisam ter acesso à
saúde, à educação e ao trabalho digno.
Mas, não é o que vemos em nossa sociedade. Para mudar
esse cenário, lutamos com as armas da cidadania: O voto e
a participação.
É muito triste perceber que a ideologia neo-liberal com seus
valores individualistas e consumistas conseguiu desarticular muitos
dos diferentes grupos, que de forma organizada, buscavam melhores
condições de vida para todos. Guardo com carinho e
admiração a atuação de alguns destes
em nossa paróquia e em nosso bairro.
Na década de 70 e 80 tínhamos em nossa paróquia
um grupo chamado Comunijovem. Foi um grupo que deixou saudades porque
conseguia verdadeiramente articular fé e política.
Além de refletir sobre questões sociais e políticas,
tinha a preocupação de se articular com outros grupos
que lutavam pelo bem comum. Lembro aqui com muito carinho da AMAF
(Associação dos Moradores Amigos da Freguesia) e do
GRUDE (Grupo de Defesa Ecológica) que, em conjunto com a
própria Comunijovem, tiveram participação em
diversas lutas pela melhoria da qualidade de vida em nosso bairro.
Foi pela atuação deles que conseguimos ter a vista
da pena preservada com a limitação na altura de construções
de prédios na Freguesia; e também o Bosque da Freguesia,
onde muitos podem, hoje, ter atividades de lazer. Foi um tempo bom,
onde as pessoas ainda acreditavam que valia a pena se unir, ainda
valia a pena pensar no coletivo, no outro.
Hoje, isso faz parte do passado. A realidade é muito triste.
Um exemplo é a dificuldade de articular projetos sociais
com os grupos jovens de nosso vicariato ou até mesmo da nossa
arquidiocese. Os valores individuais são sempre lembrados
como desculpas para impedir que essas pessoas se reúnam e
se articulem para melhorar a qualidade de vida dos nossos cidadãos
e da nossa sociedade. Frases como não tenho tempo
ou tenho coisas mais importantes para fazer são
constantemente ouvidas quando convidamos pessoas para reuniões
ou debates políticos onde a pauta de discussão é
a melhoria da qualidade de vida da nossa sociedade.
Os meios de comunicação influenciam as pessoas a se
entregarem cada vez mais ao dinheiro e às suas carreiras,
em detrimento da família e da comunidade em que vivem. Um
excelente exemplo que fica aqui é falta de convivência
entre vizinhos. Qual casal jovem, que tenha menos de 10 anos de
casado, que conhece ou conversa pelo menos uma vez por semana com
o seu vizinho? Normalmente, as famílias da era do neo-liberalismo
não possuem contato algum com os vizinhos. E o motivo é
o mesmo de sempre: A falta de tempo. A família então,
nem pensar. Fica em segundo plano. Talvez isso explique em parte
a crescente onda de violência dos jovens da classe média,
conhecidos como pit-boys. Filhos de pais ausentes, eles
encontram na violência uma forma de encontrar um pouco com
os pais. O lamentável disso tudo é que a nossa sociedade
acha muito normal os pais destes adolescentes ficarem completamente
ausentes do lar por motivos profissionais. Afinal de contas, precisamos
trabalhar e nos dedicar ao crescimento profissional e às
nossas carreiras. Isso sim é muito importante pois é
através delas que conseguimos pagar as boas escolas,
comprar os melhores carros, passar as férias
na Europa ou na Disney. Será mesmo? Será que
isso é o mais importante para os nossos filhos? Fica aí
a pergunta para que possamos refletir. Ou até mesmo, discutir
um pouco em casa o que é realmente mais importante: As nossas
carreiras ou as nossas famílias, comunidades e etc.
Um forte abraço a todos e a Paz de Cristo!
Robson Campos Leite (feepolitica@terra.com.br)
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