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Atos dos Apóstolos (6)
Mensagem Doutrina Teologia
Alguns julgavam que com a morte de Jesus, Ele e sua doutrina permaneceriam
calados para sempre, mas o que a história nos mostra é
exatamente o contrário: seus discípulos animados pelo
Espírito Santo, enviado em Pentecostes o defendem e o difundem
muito além das fronteiras da Palestina, fazendo novos discípulos
e criando novas comunidades, abrindo as portas de Sua doutrina aos
pagãos.
Paulo quando chegava a uma cidade, dirigia-se à sinagoga
local para pregar aos judeus a partir das Escrituras. Como os judeus
o rejeitavam, voltava-se para os pagãos: os incita a abandonar
seus ídolos e a adorar o Deus vivo. Paulo sabia que todas
as ocasiões eram boas para o testemunho apostólico.
Ele os adaptava conforme os diversos auditórios.
É o desejo do autor demonstrar que a expansão do cristianismo
na direção dos gentios constitui o legítimo
cumprimento da missão de Jesus e é obra do Espírito
Santo ( 1,8) E no decorrer do livro mostra este progresso triunfante
do Evangelho por todo o mundo conhecido vencendo as perseguições.
O tempo depois da Páscoa e Pentecostes é o tempo do
testemunho universal sob o impulso do Espírito, eis alguns
temas específicos:
*A caminhada, o crescimento da Palavra de Deus, confiada aos apóstolos
por Jesus, não se restringe a Israel, é proferida
em todas as línguas (Pentecostes At 2) e para todas as culturas
(At 15), chegando até o coração do Império,
Roma, e daí ao mundo inteiro.
*A simpática comunidade nova, vivendo em comunhão
material e espiritual (2,44-46), mas também exposta ao sofrimento
por causa da pressão externa (4,1-23) e dos problemas internos(6,1-2;
15,1-2).
*A inculturação: a Palavra rompe a barreira entre
judeus e samaritanos (8,5.25), entre brancos e negros (o etíope,
8,26-40), entre judeus e não judeus (Cornélio, 10,1-47),
e o Concílio de Jerusalém (15), entre os simples e
os intelectuais (17,19-34). E mostra também o que, nas culturas
e religiões, é incompatível com a Palavra:
humanos aclamados como deuses (14,11-13), exploração
de pessoas paranormais (16,16-18), interesses comerciais (19,23-40)
etc.
*A questão política: no livro inteiro o Império
romano é uma presença constante. Lucas mostra certa
simpatia em relação ao Império romano, por
ser universal, e reconhece as qualidades dessa administração.
Mas, mostra também os abusos, as fraquezas dos altos funcionários
(Félix 24.26-27) e o nascente conflito da comunidade com
o Império.
*Paulo, apóstolo modelo, verdadeiro pastor e evangelizador
é apresentado por Lucas como sempre unido a Pedro e à
comunidade (9,26-29; 13,3).
Os Atos devem ser estudados como narrativa, mas diversos temas teológicos
reaparecem continuamente. Eis alguns deles:
· A realização do plano divino de salvação
- o Espírito é a realização definitiva
das promessas a Abraão. Ungiria líderes para o povo
de Deus, e daria aos cristãos o poder de pregar, curar, expulsar
maus espíritos e dar testemunho até mesmo na morte.
Assim restauraria Israel e abençoaria todas as nações,
purificando-as e unindo-as ao povo de Deus, sem circuncisão.
· Jesus ressuscitado age por meio dos discípulos repletos
de seu Espírito depois de sua ascensão ao céu,
Jesus continua a agir na terra por meio de seus discípulos,
dando-lhes seu Espírito Santo e possibilitando-lhes pregar
e curar em seu nome. Em especial por meio de Paulo, ele "deve
anunciar a luz ao povo e às nações pagãs"
(26,23).
· Continuidade em meio à mudança: Deus mantém
as promessas a seu povo - Os Atos renovam a confiança dos
cristãos que enfrentam mudanças inesperadas no povo
de Deus. Assim como hoje muitos cristãos ficam aturdidos
e atemorizados por mudanças rápidas na Igreja, o mesmo
acontecia no tempo de Lucas. Os atos mostram como o próprio
Deus iniciou as grandes mudanças em seu povo, desde os discípulos
judeus de Jesus até a Igreja na maior parte pagã em
todo o Império romano, como quando Pedro e Paulo convertem
pagãos sem circuncidá-los.
Outros princípios de continuidade são os Doze e os
muitos judeus que se tornaram cristãos. Eram o "elo
perdido" entre a Igreja primordialmente pagã da época
de Lucas e suas origens judaicas. Os Doze foram os líderes
de transição entre Jesus e líderes mais tardios
como Paulo. Os judeu-cristãos eram o Israel restaurado que
continua a ser o povo das promessas divinas.
· Cura e restauração do povo de Deus Os Atos
tratam a cura como sinal de restauração e salvação.
Em At 3, a cura do aleijado (que estava impuro) purifica-o e lhe
permite entrar no Templo e simboliza a restauração
de Israel para que seja capaz de rezar piedosamente (Lc 1,75).
· Triunfo do cristianismo, apesar de todos os obstáculos,
Atos observa com freqüência que "a palavra de Deus
crescia" (6,7), por mais perseguições que a atrapalhassem.
· Orientação divina do caminho cristão
A orientação divina por intermédio do Espírito
Santo, de aparições, visões, sonhos, anjos
e profecias, demonstra para Lucas que as decisões e as ações
da Igreja primitiva não eram idéias humanas, mas respostas
à orientação divina. Em todo o livro dos Atos,
Deus guia os cristãos, que não podem ir aonde querem.
Deus recusa-se a deixar Paulo ir à Ásia e, em vez
disso, o envia à Macedônia e à Grécia
(16).
· Apologética para o cristianismo, em especial para
Paulo O livro dos Atos defende Paulo e outros judeu-cristãos
da acusação de serem apóstatas judeus, realçando
sua fidelidade à lei judaica e insistindo que a decisão
de acolher pagãos sem circuncisão partiu de Deus.
Os veredictos de "inocente" pelos juízes romanos
nos julgamentos de Paulo (22,26), mostram que os cristãos
não são nenhuma ameaça para a ordem do Estado.
O livro dos Atos nos apresenta a experiência viva da Igreja
primitiva, com aqueles quatro pontos fundamentais para a vida da
Igreja:
Querigma é o primeiro anuncio do Evangelho ou chamado à
conversão. É o que os apóstolos fizeram quando
anunciaram e testemunharam Jesus Cristo ressuscitado, dizendo que
nEle, e só nEle, estava a Salvação.
Catequese é a educação na fé, ou aprofundamento
no conhecimento da Palavra de Deus, para aqueles que já aderiram
a Jesus Cristo.
Vida em comunidade - na Igreja primitiva houve uma forte experiência
de vida em comunidades. E o livro dos Atos nos oferece informações
infinitamente preciosas sobre a vida das primeiras comunidades:
vida de oração e partilha dos bens na jovem Igreja
de Jerusalém; administração do batismo com
água e de batismo no Espírito (1,5); celebração
da Eucaristia(2,42); esboços de organização
eclesiástica nos "profetas" e "doutores"(13,1),e
também nos "presbíteros" que presidem a
Igreja de Jerusalém (11,30),e que Paulo estabelece nas Igrejas
por ele fundadas (14,23). Tudo isso impregnado, dirigido e impulsionado
por um sopro irresistível do Espírito Santo.
Missão está bem visível, na Igreja primitiva,
a "Missão Apostólica", ou seja, o exercício
do poder que os apóstolos receberam de Jesus. Vemos sempre
São Pedro ou outro Apóstolo presidindo a comunidade
e dizendo a última palavra em nome da Igreja.
Continua no próximo mês
Jane do Tércio
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