"Voto pentecostal dirigido x Voto cristão consciente
No último dia 11 de maio, o Jornal do Brasil publicou uma matéria
retratando a influência da "politização da
fé" em boa parte das igrejas evangélicas brasileiras.
A reportagem, fruto de uma belíssima pesquisa conduzida pela
PUC/RJ, fazia uma completa radiografia do novo cenário político
brasileiro. Mostrava como os candidatos evangélicos haviam
crescido nas últimas eleições em regiões
com forte influência destas igrejas. É impressionante
a análise dos dados fornecidos pelo TSE. Quando confrontados
com os dados do IBGE (Censo Demográfico de 2000), fica claro
o crescimento destes candidatos justamente nas áreas de grande
concentração de igrejas pentecostais, sobretudo nas
regiões Centro-Oeste e Norte. O fenômeno se repete em
outras regiões onde, de acordo com os dados do IBGE, as religiões
pentecostais estão mais solidamente instaladas.
O que mais me chamou a atenção não foi a pesquisa
ou a matéria em si, mas a quantidade de católicos amigos
que cobram uma "reação" da igreja católica
através da CNBB. Muitos chegam a dizer (ou escrever, quando
recebo emails a respeito) que cada vez mais a igreja perde espaço
para os evangélicos por fruto de sua "omissão"
(?). Com todo o respeito a esses irmãos na fé, eu não
concordo com essa abordagem. Penso inclusive que um erro jamais justifica
outro. A quantidade de documentos sobre política que a igreja,
através da CNBB, vem publicando ao longo das eleições
(e fora delas) é bastante considerável. Em todos eles,
nota-se claramente uma preocupação em formar, em fazer
o cristão pensar, questionar e avaliar todo o processo eleitoral,
inclusive a atuação dos mandatários. Além
disso, uma grande parte das paróquias vem promovendo debates
entre candidatos e sobre temas extremamente relevantes na formação
política de seus fiéis. A indicação praticada
pelos nossos irmãos evangélicos aproxima-se assustadoramente
ao antigo e ainda utilizado "voto de cabresto" que se baseava
na "extorsão" ou "chantagem" para conquistar
o voto do eleitor. Precisamos conscientizar o eleitor cristão!
Formá-lo e cobrar dele uma atitude ética. A responsabilidade
pelo voto tem a mesma proporção à responsabilidade
que temos pelo próximo. Se nós precisamos amar o próximo
como a nós mesmos, temos que amá-lo, independente da
religião que tenha. Isso tem que ser levado em consideração
quando formos escolher o nosso mandatário. Promover o bem comum
é muito mais abrangente do que pensar apenas "no grupo
que o candidato representa". Esse pensamento "feudal"
e fisiológico é que promove grupos que lutam pelo interesse
de "alguns" em assembléias legislativas e câmaras
de vereadores. Com quem o seu candidato está comprometido?
De onde vem o dinheiro que financiou a sua campanha? Quais foram os
projetos que ele aprovou? Esses sim, precisam ser alguns dos elementos
que fundamentam uma real escolha de candidato. E a igreja católica
vem contribuindo muito neste sentido. Já tivemos até
Campanha da Fraternidade tratando deste tema. A nossa omissão
talvez seja o pior dos pecados. Quantos de nós costumamos dizer
nos corredores da nossa igreja frases do tipo: "política
não se discute" ou "Quero ficar longe da política".
Infelizmente, são esses tipos de comentários que ajudam
ao mau político, pois eles contribuem com o processo de alienação
que alimenta o voto nulo e facilitam a entrada destes maus políticos
no processo eleitoral.
Precisamos participar. Precisamos discutir cada vez mais. Não
podemos permitir jamais que alguém escolha em quem vamos votar.
Isso é no mínimo castração do senso crítico.
E, sem sombra de dúvidas, não foi isso que Cristo nos
deixou no seu evangelho. Aliás, muito pelo contrário.
Ser cristão é, acima de tudo, buscar a justiça
social para todos. Jamais para alguns.
Um forte abraço e a Paz de Cristo!
Robson Campos Leite
Email: feepolitica@terra.com.br |