- Apocalipse 3 (2)
Jesus Cristo
O conteúdo encontrado nos diversos livros consultados é tão rico que julguei mais proveitoso a transcrição deles, embora por vezes sejam, de certo modo repetitivos.
“Títulos de Jesus no Apocalipse (Lapple,A, Bíblia interpretação atualizada e catequese, vol. 4 , S. Paulo,Ed. Paulinas,1978, págs.345-347)
Os diversos títulos atribuídos a Jesus Cristo no Apocalipse caracterizam o pluralismo das afirmações cristológicas.
Particularmente freqüentes são os seguintes: Cordeiro (29 vezes), Kyrios (Senhor) (23 vezes), Jesus (14 vezes), Pantokrator (9 vezes) e Cristo (8 vezes),e muito raramente aparecem: Filho de Homem (2 vezes Ap 1,13; 14,14) e Filho de Deus (1 vez Ap 2,18).
A primeira série de títulos cristológicos pode ajudar a redescobrir a intenção da cristologia apocalíptica. O seu interesse central não é uma biografia de Jesus e nem mesmo a sua pessoa em si.
Ao invés disso, o que conta é a importância de Cristo para a comunidade litúrgica e para o cosmos redimido chamado ao juízo no final dos tempos.
Jesus Cristo: cumprimento das profecias veterotestamentárias: o Apocalipse reelabora um grande número de modelos veterotestamentarios, o que pode ser visto e medido no enfoque colocado em Jesus Cristo como cumprimento das esperanças messiânicas veterotestamentarias: “a Testemunha fiel” (Ap 1,5); “o Verdadeiro” (Ap 3,7); “o Santo” (Ap 3,7); “o Amém” (ap 3,14); “a Testemunha fiel e verdadeira” (Ap 3,14); o “Fiel” e “Verdadeiro” (Ap 19,11).
A importância de Cristo como Filho de Davi é ressaltada pelos seguintes predicados: “aquele que tem a chave de Davi” (Ap 3,7); o “Leão da tribo de Judá” (Gn 49,9; Ap 5,5); o “Rebento de Davi” (Is 1,1.10; Ap 5,5); “o rebento da estirpe de Davi” (Ap 22,16); “a brilhante Estrela da manhã” (Ap 22,16). À profecia de Daniel (Dn 7,13), refere-se o “semelhante a um filho de Homem” (Ap 1,12; 14,14).
Jesus Cristo, redentor: pode-se observar: “o Primogênito dos mortos” (Ap 1,5); “aquele que nos ama e que nos lavou de nossos pecados com seu sangue e fez de nós um reino de sacerdotes para Deus, seu Pai” (Ap 1,5-6); “aquele que esteve morto mas voltou à vida” (Ap 2,8); um Cordeiro... como que imolado” (Ap 5,6.12; cf 1 Cor 5,7); “foste imolado e, por teu sangue, resgataste para Deus homens de toda tribo, língua, povo e nação” (Ap 5,9).
Jesus Cristo, Senhor do mundo: podemos notar também que no Apocalipse aparecem títulos que se colocam em aberto e intencional contraste com a adoração e a ideologia do imperador romano: “o Príncipe dos reis da terra” (Ap 1,5); o “Rei das nações” (Ap 15,3); “Senhor dos senhores e Rei dos Reis” (Ap 17,14); “Rei dos reis e Senhor dos senhores” (Ap 19,16; cf. 19,6; 1 Tm 6,15).
Jesus Cristo, juiz escatológico: os seguintes títulos procuram refletir a grande tensão entre criação e cumprimento final: “o Alfa e o Ômega” (Ap 1,8); “o Primeiro e o Último, o Vivente” (Ap 1,17s; 2,8); “o Princípio da criação de Deus' (Ap 3,14); “Verbo de Deus” (Ap 19,13; cf. Jo 1,1-14; 1 Jo 1,1)); “o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim” (Ap 22,13); “ele vem com as nuvens”(Ap 1,7); “da sua boca saía uma espada afiada, com dois gumes” (Ap 1,16; 19,15); “aquele que tem a espada afiada, dois gumes” (Ap 2,12); “com uma coroa de ouro na cabeça e nas mãos uma foice afiada” (Ap 14,14); “seus julgamentos são verdadeiros e justos” (Ap 19,2); “ele julga e combate com justiça” (Ap 19,11); “ele é quem as apascentará (as nações) com um cetro de ferro; ele é quem pisa o lagar do vinho do furor da ira de Deus, o Todo Poderoso” (Ap 19,15); “eis que eu venho em breve....Sim., venho muito em breve!” (Ap 22,12.20).
O Apocalipse proclama o evangelho de Kyrios-Cristo glorificado.
Os mistérios salvíficos do nascimento (Ap 12,5) e da crucifixão (Ap 1,5; 5,9.12) pertencem a esse Cristo, mas aparecem quase como acontecimentos perdidos em um passado distante. O Kyrios glorificado está presente em sua comunidade sobretudo através de sua existência de Palavra, isto é, no anúncio de Cristo transmitido por seus apóstolos e na própria palavra de revelação que continua a ser transmitida (Ap 19,13).
Pode-se notar que Cristo é visto e descrito sempre em suas funções. O livro nunca fala somente de Cristo, isto é, da pessoa isolada de Cristo, mas sim da relação entre Cristo e sua obra de redenção dos homens . A Cristologia (doutrina sobre Cristo) é sempre vista juntamente com a soteriologia (doutrina da salvação) e com a escatologia (doutrina sobre o cumprimento).”
Balarini,T (direção geral), Introdução à Bíblia, vol V/2, Petrópolis, Ed. Vozes, 1969, págs. 492-494.
“Entre os escritos do N T, excluído o quarto Evangelho, o Apocalipse é o que apresenta a cristologia mais desenvolvida.
A transcendência das origens de Cristo, com a revelação do seu nome, exprime-se em 19,13: “e tem por nome o Verbo de Deus”.
Encontramos aqui pela primeira vez a identificação entre o “Verbo de Deus” e Jesus Cristo (cf. Jo 1,1-14). Essa identificação é a chave de toda a cristologia do Apocalipse e nos faz entender os outros aspectos da figura apocalíptica de Cristo.
Ele procede eternamente de Deus como palavra e como verdade, e exatamente como palavra e verdade triunfa na história.
Estamos na mesma linha com os outros modos de falar do N T, embora não se use a palavra “logos”, pois é em relação a “logos” que ele é “Fiel e Veraz”: “o Amém, a testemunha fiel e veraz, o Princípio da criação de Deus” (Ap 3,14;cf. 19,11; 1 Cor 1,19);
Continua no próximo número.
Jane do Tércio
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