Carta aos Romanos (3)
Tema: O Apóstolo
No prólogo, o primeiro título que Paulo atribui a si é aquele de “servo”. É para indicar que o caminho da sua santificação é aquele que o Senhor indicou com a sua imolação, obedecendo em tudo à vontade do Pai. Trata-se do caminho para a glorificação que o próprio Criador ditou para a sua criatura e que o homem Cristo Jesus percorreu como nosso Guia. Mas, logo em seguida, Paulo dá a si mesmo o título de “apóstolo”. A sua santificação acontecerá segundo o específico serviço de “enviado para o anúncio do Evangelho de Deus”. Não é portanto por vaidade que atribui a si mesmo esse título e sim, porque segregado para essa função, por vontade de Deus. A sua vocação foi a ele manifestada por Jesus, no caminho de Damasco, enquanto este se apresentava como Senhor daquela Igreja que ele perseguia. Por isso, ele, agora, trabalha para levar todos os homens à obediência da fé para o louvor do nome de Jesus.
A pregação do Evangelho revela a Sabedoria e o Poder de Deus naquele que em si realizou a Lei e os Profetas e que, agora, opera a santificação em todos aqueles que crêem, mediante o Espírito de Deus. Paulo sabe que tudo isso se realiza além da capacidade de suas forças. Isso, contudo, não o desanima, aliás o conforta, porque a sua confiança está em Deus. Sabe que ele é chamado a cooperar, porque o próprio Senhor o quis como seu instrumento. Ele procede então com pureza de coração. Não permite que a falsidade, a vaidade e a ambição de lucro ofusquem o seu ministério (1Tss 2,2-5). Vive a sua santificação sabendo que Deus o marcou com o seu selo em Cristo Jesus e que o Espírito se tornou o penhor da sua glorificação (2Cor 1,21s). Como que carregado em triunfo por Cristo, pelo poder da sua Cruz, enquanto é constante no seu seguimento, se torna o bom odor de Cristo (2,14). Ele é ministro de uma nova Aliança no Espírito que supera, em glória, a aliança que foi estabelecida por uma Letra escrita numas pedras. Trata-se, agora de uma Aliança inscrita nos corações daqueles que deram a sua adesão de fé nos que crêem em Cristo. Por essa fé naquele que a Lei e os Profetas testemunharam e que se tornou, de alma vivente, Espírito vivificante, em virtude da sua ressurreição, passamos de glória em glória (3,18). Paulo, na condição de membro da Igreja, como “servo de Jesus Cristo”, considera o seu apostolado o “seu sacrifício espiritual” (Rm12,1) pelo qual serve a Deus, com todo o seu espírito, pelo anúncio do Evangelho do seu Filho” (1,9).
Na sua condição, o Apóstolo fala com a autoridade do testemunho com o qual o Espírito Santo o selou, de forma que o seu Evangelho resulta irretocável. Pelo entendimento que lhe é concedido do Mistério que é Cristo, Cabeça da Igreja, ao Apóstolo é comunicada uma compreensão peculiar (Ef 3,3.5), pela qual não só o seu anúncio é causa de conversão (1Tss 1,5), como, também, condição renovada de nutrir os fiéis das Igrejas (Rm1,11).
Em Rm 16,7, Andrônico e Júnias são chamados “apóstolos notáveis”. Barnabé, segundo At 13,2-3, é escolhido e enviado como apóstolo, juntamente com Paulo. O apostolado é uma função na igreja à qual todos são chamados, que, contudo, contempla a uns de forma peculiar (Ef 4,11). A condição de Paulo, como Apóstolo, brota do testemunho de At 9. Nesse caso é importante e fundamental o testemunho do próprio Paulo que se proclama Apóstolo em condições de anunciar o seu Evangelho (Rm 2,16;16,25). O fundamento do apostolado dos “doze” é a escolha de Cristo entre os que estiveram com ele desde o início e foram testemunhas da Ressurreição. O fundamento do apostolado de Paulo é Cristo ressuscitado, na condição de Senhor da Igreja. Disto, a sua consciência dá testemunho (Rm 15,16.19).
O apostolado é uma grande graça que Jesus faz à sua Igreja, porque é por ele que o Evangelho de Deus é anunciado com toda a potência possível do seu Espírito merecido pela a sua Morte, através da Palavra da Verdade, e comunica a graça em virtude da sua Humanidade glorificada, tornada Espírito vivificante (1Cor 15,45; 2Cor 3,7-11). O Evangelho é “força de Deus” que nutre a justiça de Deus nos fiéis, da qual já foi o princípio, pela conversão.
Perguntas para uma reflexão:
1ª) Quais são as prerrogativas do Apóstolo?
2ª) Em que sentido dizemos que o fiel, também, é chamado ao apostolado?
3ª) De que forma age a Palavra anunciada? |