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Vamos conhecer a Bíblia |JULHO


- 1 Carta de João (1)

A Pessoa de João

João, o discípulo amado, era irmão de Tiago Maior e filho de Zebedeu. Recebeu do próprio Jesus a responsabilidade de cuidar de Maria após a sua morte. Tiago foi o primeiro dos Apóstolos a morrer e João o último.

Para maiores comentários a respeito da pessoa do Apóstolo João ver o artigo sobre o Evangelho de João, neste conjunto de artigos “Vamos conhecer a Bíblia”.

Introdução

Toda a antiga tradição eclesiástica, desde a metade do século II, atribui a autoria da 1 João ao Apóstolo João. Ela não é do gênero epistolar, sendo antes um escrito didático. Não tem forma de carta, pois faltam tanto o remetente quanto o destinatário. A carta e o Evangelho foram escritos no final do século I. O cristianismo tinha então 50 ou 60 nos de vida e se propagara por todo o império romano. João, ao voltar do desterro de Patmos, estava passando seus últimos anos em Éfeso (na atual Turquia) centro estratégico da Igreja.

É a mais bela das cartas católicas e, das três cartas atribuídas a João é provável que esta seja cronologicamente a última; ela é a mais importante e extensa; por seu estilo e doutrina é a que mais se aproxima do seu Evangelho. A mesma doutrina fundamental é transmitida pelos dois escritos: Jesus é o Messias, o Filho de Deus, enviado pelo Pai ao mundo para redimi-lo com o seu sangue; comparemos:
1 Jo 1,1s com Jo 1,1.4
2,2 “ 11,51s
4,9 “ 3,16s
5,6 “ 19,34s
5,12 “ 3,36
5,20 “ 17,3

O mesmo grande mandamento do amor é incutido em 1 Jo 2,8-11; 3,10s; 4,11 e Jo 13,34s; 15,12.

Finalidade e Destinatários

Como já vimos, a carta não apresenta o nome dos destinatários, isto faz supor que se trata de uma espécie de carta circular enviada às comunidades cristãs de toda a região da Ásia Menor.
Parecem ser fiéis convertidos do paganismo (5,21), mas também há indícios que entre eles havia numerosos judeo-cristãos, pelas referencias a Caim (3,12), alusões a falsos profetas (4,1) aos anticristos (2,18.22). Esses cristãos já estavam convertidos à fé há algum tempo (cf. 2,7.24; 3,11).

O Autor sabe que seus leitores correm perigo por parte de falsos doutores- anticristos, sedutores, filhos do Diabo que tinham surgido no seio daquelas jovens igrejas, com os seus erros continuavam a ameaçar a pureza da fé e dos costumes cristãos.
O escrito que João lhes envia é uma espécie de carta pastoral destinada a sustentá-los e iluminá-los no combate pela fé.

Esses falsos pregadores queriam quebrar a unidade existente entre Cristo Deus e Jesus homem (cf. 1 Jo 2,18-22.26; 4,1-3.14s; 5,1.5-13). Negavam que, por ocasião da Paixão, o Filho de Deus estivesse unido à humanidade de Jesus; em consequência, negavam que a Redenção tivesse sido obtida mediante o sangue do Filho de Deus.

Tais indícios apontam para a heresia gnóstica de Cerinto, segundo a qual Jesus não teria nascido de uma virgem, mas fora mero homem, filho de José e Maria, não sendo, portanto, verdadeiro Filho de Deus, mas o Verbo divino tinha habitado em Jesus transitoriamente, desde o Batismo no Jordão até antes da Paixão, de modo que Jesus em sua vida pública possuia uma ciência elevada e o poder de fazer milagres, assim ficava sem valor redentor o Sangue de Cristo derramado na Cruz. João afirma, pelo contrário, que esse Sangue “nos purifica de todo o pecado” (1,7). A redenção não é concedida mediante um conhecimento superior (gnose), mas mediante o oferecimento de graça de Jesus feito homem e crucificado, acolhido na fé (2,2). A gnose, a mais perigosa rival do cristianismo, procurava com a sua doutrina dualista negar a historicidade e a humanidade de Jesus.
Junto a esses erros cristológicos, propagavam também, no plano moral, uma visão errada da vida cristã: pretendiam não ter pecado (cf.1,8); afirmavam ter alcançado um conhecimento especial de Deus, que os eximia de guardar os seus mandamentos (cf. 2,4-6); diziam amar a Deus e viver em união com Ele, mas não amam os seus irmãos (cf. 2,9-11).

João, com um apelo forte e terno aos seus “filhinhos” na fé, afirma claramente que essas idéias feriam o cristianismo no coração. Se Cristo não se fez homem e não morreu pelos nossos pecados, não existe fé cristã. Quem peca de maneira deliberada e habitual não é cristão. Deus é luz e chama os homens a caminharem na luz dos seus mandamentos; é o amor e quer que os seus se amem mutuamente.

A intenção do autor esta claramente expressa no versículo de conclusão “Tudo isso vos escrevi, para que saibais que tendes a vida eterna, vós que tendes fé no nome do Filho de Deus” (5,13).

O objetivo primário do autor não é exortar seus leitores a praticar a virtude ou evitar o pecado, mas fazê-los compreender a sublimidade de sua condição de cristãos. A existência cristã é definida como relação vital com Deus. Trata-se de nascer para a vida de Deus, de comunhão com o Pai e o Filho: os fiéis nascem de Deus, habitam em Deus, conhecem a Deus. Numa palavra, eles tem a “vida eterna”; e para João, a vida eterna é a própria vida de Deus. O Apóstolo escreve com a finalidade de denunciar aqueles desvios e fortalecer na fé, os crentes, mostrando o nexo íntimo entre nosso estado de filhos de Deus e a retidão de nossa conduta, considerada como fidelidade ao duplo mandamento da fé em Jesus Cristo, Filho de Deus e do amor fraterno. A obrigação de amar ao irmão por Deus nos ter amado primeiro é o ponto central dessa preciosa carta.

Este breve escrito contém um recado permanente aos já adiantados na perfeição cristã e a todos os cristãos.

Continua no próximo número.


Jane do Tércio

 
 
 

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