No número de julho do ano de 2007 de O Mensageiro, oferecemos aos nossos leitores um artigo do Pe. Luiz Antônio do Nascimento Pereira, sobre a espiritualidade de Santo Antônio Maria Zaccaria. Hoje, estamos publicando elementos desta espiritualidade que podem facilitar ainda mais a leitura dos Sermões e Cartas do nobre Santo que estamos publicando a cada mês.
"O ponto de partida da nossa reflexão é uma frase de Santo Antonio Maria Zaccaria, que tiramos do Capítulo 16 de suas Constituições. Ao definir a Reforma, que é a base do Carisma dos Padres Barnabitas, ele diz assim: "...alguns dizem que têm vontade de mudar, mas na verdade desejariam não ficar submetidos a ninguém, ou fugir dos aborrecimentos, ou viver na abundância e na ociosidade, ou com bons companheiros, ou comodidades, ou para poder estudar, ou por qualquer motivo semelhante, isto é, razões que não são a finalidade desta Reforma".
A FINALIDAPE DA REFORMA
"Ora, a verdadeira finalidade da Reforma revela-se nisto: que procuremos tão somente a pura honra de Cristo, a pura utilidade do próximo, o puro desprezo de nós mesmos é só injúrias..." (Escritos, pág.162)
COMENTANDO
Se observarmos bem esse trecho das Constituições de SAMZ, veremos que é uma interpretação dos dois maiores Mandamentos da Lei de Deus: Amar a Deus sobre todas as coisas e Amar o próximo como a si mesmo. De fato, fazer tudo para a honra de Jesus Cristo é a vida e a ação do seguidor de Jesus, daquele(a) que ama a Deus acima de tudo e de todos. Fazer tudo para a utilidade do próximo corresponde a "amar ao próximo" incondicionalmente. A última parte, escrita numa linguagem de época ("o puro desprezo de nós mesmos é só injúrias"), soa meio estranho aos ouvidos pós-modernos. Mas, numa interpretação atualizada, podemos dizer que é a maneira de amar, cujo ponto de partida é a própria pessoa (amar como a si mesmo) e tem tudo a ver com o cuidado de si mesmo, com o crescimento pessoal, com a descoberta do próprio potencial, dos dons e carismas pessoais e com o esforço permanente para arrancar pela raiz os nossos males, defeitos, imperfeições, o próprio pecado.
O QUE É MESMO ESPIRITUALIDADE?
Dou um exemplo prático para responder a esta pergunta tão importante.
Um conhecido teólogo latino-americano estava num encontro no interior do Peru e fez esta mesma pergunta aos participantes, todos gente do povo. Um homem se levantou e disse assim:
- Padre, o Senhor está vendo a grama em volta da Casa de Retiros? Está amarelada, seca. Não tem água! Se o Senhor vier aqui em outra época, encontrará a grama toda verdinha e dirá que ela está bem regada, que tem água! O Senhor não vê a água, mas sabe que ela está ali, por causa da vida das plantas! Espiritualidade é isso: Nós não a vemos, mas percebemos sua presença pela vida das pessoas animadas pelo Espírito de Deus que dá vida a tudo e a todos!
Diante disso, você certamente conseguiu perceber que Espiritualidade é animação, presença do Espírito de Deus que nos faz viver os relacionamentos fundamentais que SAMZ apresenta da forma que vimos acima. Espiritualidade, portanto, não é só rezar e celebrar, mas envolve a vida toda.
Diante disso, vamos conversar um pouco entre nós: qual a Espiritualidade que nos anima?
Em seguida, conheceremos elementos importantes da Espiritualidade de Santo Antonio Maria Zaccaria, que deverá mover todos nós, zaccarianos:
Quanto ao 1º Mandamento da Lei de Deus:
Amar a Deus sobre todas as coisas:

Procurar tão somente a pura honra de Cristo, por meio da oração, meditação, elevação da mente a Deus, leitura prazerosa e orante da Bíblia, conversa familiar com o Cristo crucificado, o Cristo Crucificado é nosso orientador, agradecimento a Deus pelos benefícios de cada hora, estar sempre em sintonia com Deus, celebrações dignas e simples, pois devemos sempre homenagear a Deus.
O Cristo Crucificado é o centro da espiritualidade
A Eucaristia, o Crucificado vivo, é o outro eixo.
Amar o Próximo: “procurar tão somente a pura utilidade do próximo”

O próximo recebe tudo o que gostaríamos de dar a Deus.
O próximo é o caminho para Deus.
Para ser de Deus, só amando o próximo.
Amar o próximo sempre.
Um homem só pode ser ajudado por outro homem.
Até Deus se fez homem: é um Deus próximo.
Amar o próximo como a si mesmo “Procurar o puro desprezo de nós mesmos é só injúrias”

Cuidar de si permanentemente.
Conhecer-se a si mesmo.
Crescer sempre e em coisas mais perfeitas.
Subir degrau por degrau.
Firmeza e perseverança.
Descobrir o defeito principal e arrancá-lo pela raiz.
Seguir o caminho da cruz.
Ser obediente e co-responsável.
Pedir ajuda a quem pode ajudar ( ter um orientador)
Ser senhor de suas paixões.
Vencer a tibieza.
Viver a liberdade autêntica.
Ser um autêntico Reformador.
Em todos os trechos de seus escritos, Santo Antônio Maria Zaccaria, ao falar de Deus, fala também da pessoa humana, nunca deixa de falar de Deus.
Organização:
Pe. Luiz Antônio do Nascimento Pereira, Barnabita
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