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Vamos Conhecer a Bíblia |JULHO

Cartas Católicas (2)

Características Gerais

Uma comparação, mesmo superficial, entre as cartas paulinas e as católicas mostra com evidência como as primeiras penetram mais na vida e nos problemas de comunidades determinadas, como se entrelaçam tanto com as vicissitudes das mesmas comunidades a ponto de se tornarem, muitas vezes, obscuras devido exatamente ao nosso conhecimento imperfeito dos fatos a que o escritor se refere. As Epístolas Católicas apresentam-se mais desligadas dos pormenores da vida dos destinatários; daí a maior facilidade em aplicar o seu conteúdo aos cristãos em geral; é isto que parece ter querido realçar a antiqüíssima denominação.

Cada epístola tem um conteúdo e uma finalidade diversa e mal podem encontrar-se elementos comuns. Santo Agostinho diz que se propõem refutar os erros que começavam a surgir.
Certamente, todas elas são mostra do ensino e da catequese que se dava nas primeiras comunidades cristãs. Normalmente insistem, com tom pastoral, em instruções doutrinais e em ensinamentos morais orientados para uma vida profundamente cristã.

Pelos seus conteúdos, situam-se entre o pensamento paulino e judeu-crisão, apoiados ambos na doutrina de Jesus Cristo.
Iluminam a vida e os costumes da primitiva comunidade cristã e proporcionam indícios do seu desenvolvimento doutrinal. O seu estilo vivo, está pleno de citações e alusões ao Antigo Testamento; há também algumas referências a escritos apócrifos e a tradições populares.

Revelam, em geral, uma apresentação mais arcaica da doutrina, do culto e da hierarquia. Mais que uma reflexão teológica sobre o mistério de Cristo, existe nestes textos um penetrar nas situações concretas das comunidades cristãs na sua relação com os vários ambientes em que se desenvolvem. Dão testemunho da sua vida de fé e do seu paciente sofrimento nas provações, com a esperança do dia do encontro com o Senhor Jesus. A fé e a moral, vividas no meio de um mundo hostil, dominado pelo pecado, assinalam um modo de pensar e de viver numa perspectiva de salvação. Só através da fé e do batismo é possível a conversão, e a passagem das trevas do pecado para a luz da graça. Jesus Cristo, o Messias e Filho de Deus, conquistou o reino da luz através da sua Paixão, Morte e Ressurreição. Sob a ação do Espírito Santo, o cristão combate no mundo presente uma luta que durará até ao triunfo do Senhor na sua Parusia. O centro da moral é ocupado pala Lei do amor, na sua dupla vertente para com Deus e para com o próximo, que une todos os fiéis numa só e grande família, a Igreja. A fé e a moral têm como modelo os ensinamentos de Cristo, que interiorizou e levou à plenitude a doutrina do Antigo Testamento.

Em suma, os escritos de São Tiago, Pedro e Judas e João são modelos de exortação cristã primitiva. Apresentam o desígnio salvífico divino para configurar a vida cotidiana, destacando a primazia dos valores éticos.

Nesta “atmosfera pastoral” os seus conteúdos poderiam resumir-se em três grandes linhas: 1) testemunho de fé e mensagem salvífica num ambiente de crentes; 2) exortação à vigilância face aos desvios doutrinais e morais; 3) gravitação na espera da Vinda do Senhor.

As Epístolas Católicas nos mostram, nos seus autores, personalidades vigorosas e traços inconfundíveis: Tiago, eco do mais genuíno ensinamento sapiencial e profético em forma cristã e mestre de uma moral austera; Judas, flagelo implacável do erro, em perspectiva rica de fulgores apocalípticos; Pedro, pastor de almas, que, seguindo o modelo do Pastor soberano, une harmonicamente ensinamento doutrinal e moral, exortações amarguradas e ameaças; João, que, embora permanecendo o discípulo doce e meditativo do quarto evangelho, assumiu frente a tentativas de aberrações do cristianismo, um ardor polemico quase intrigante.

Não menos acentuada é a variedade do conteúdo, tanto em comparação com os demais escritos do Novo Testamento quanto também das Epístolas Católicas entre si. Não faltam pontos doutrinais em que a contribuição destes escritos é única e determinante, como é o da Unção dos enfermos em Tiago, da descida de Cristo aos infernos em 1 Pedro, da conflagração final em 2 Pedro. Dão originalidade e colorido não só a língua, que em algumas das Católicas oferece os melhores exemplares do Novo Testamento, e estilo, em geral vigoroso e incisivo, mas também muitíssimas alusões e citações do Antigo Testamento, bem como o recurso a algum escrito apócrifo ou a tradições populares.

As Epístolas Católicas representam uma linha particular e preciosa da revelação neotestamentária; às vezes confirmam e completam, outras vezes utilizam o conteúdo de outros livros; lançam amiúde uma luz moderada sobre zonas e aspectos menos conhecidos da Igreja primitiva, até beirar o fim do século I.

Que tenhamos sempre em mente que “se a fé não tiver obras esta morta em si mesma” Tg 2,17.

Jane do Tércio

 
 
 

VEJA NO MÊS DE JULHO/2008:


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Após a morte acontece o julgamento particular. Quem faz o julgamento?
Deus.
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