Cristologia (21) - O Cristo do Apocalipse (II)
O Cordeiro imolado que é o Filho do Homem, a Glória de Iahweh manifestada na carne (Jo 1,14), e que, agora senta no trono da majestade divina "com o aspecto de uma pedra de jaspe e cornalina, e um arco-íris envolvendo o trono com reflexos de esmeralda" (Ap 4,3), é o Senhor das igrejas que os fiéis devem escutar quando lhes fala pelo seu Espírito.
Ele é Deus Criador, Senhor do mundo. Nessas condições, além de ser o Senhor das igrejas é Aquele que julga os homens: condenará a Cidade terrena e as cidades das nações, enquanto glorificará os santos. Já manifestou o seu poder ao retirar do Antigo Israel a missão de anunciar a salvação para entregá-la aos Apóstolos, constituídos novo Israel (10, 8-11). Ao termo de todas as provações que a Igreja tem que sofrer pela ação do Dragão, "a antiga serpente, o chamado Diabo ou Satanás, sedutor de toda a terra habitada" (12,9), glorificará os santos, enquanto esmagará os maus no lagar da ira de Deus (14,19;19,15).
Em Ap 15-16 Jesus, Glória de Iahweh, se apresenta na sua condição de Rei-Sacerdote para fazer conhecer aos seus servos qual é o poder pelo qual a sua Morte vinga os mártires. Por ela os maus têm que beber o cálice do furor de Deus, os reis da terra são vencidos, enquanto o Templo que está no céu é consagrado para que nele entrem os que venceram o Dragão "pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho, pois desprezaram a própria vida até à morte" (12,11). É a visão atualizada de Dn 7 onde o Filho do Homem recebe do Pai todo Poder (v.14) do qual, a final, participa o povo dos santos do Altíssimo (v.27).
Ap 19,11-21,8 está em paralelo com Ap 15-16 porque representa o mesmo triunfo de Jesus Cristo na condição de Verbo de Deus, revestido com o manto embebido de sangue, enquanto o acompanha a Glória do seu poder, simbolizada por exércitos do céu, vestidos de linho resplandecente. Desta Glória se revestirão os mártires aos quais foi concedido de "vestir-se com linho puro resplandecente" (19,8.14), porque lavaram suas vestes no sangue do Cordeiro. Participarão, também, do seu Espírito, porque, à semelhança da natureza da Glória de Iahweh (Ez 1,13), "no tempo de sua visita resplandecerão e correrão como fagulhas no meio da palha" (Sb 3,7).
O Cordeiro imolado que, no fim do Apocalipse resume em si, de forma incontestável, todas as prerrogativas da Glória de Iahweh, é a figura que mais plenamente inclui em si, todos os aspectos d´ "Aquele que nos ama, e que nos lavou de nossos pecados com seu sangue e fez de nós uma realeza de sacerdotes para Deus, seu Pai" (1,5). É por ele que se realizam os esponsais que o Deus de Israel prometeu ao seu povo, por meio de Oséias (Os 2,20-22). Para a Cidade santa, no céu, ele se torna, com Deus Pai, a Lâmpada, a fonte da água viva que sai do trono onde está sentado com o Pai. Esse é o Senhor ao qual a Igreja quer unir-se. Prepara o seu encontro movida pelo Espírito, enquanto celebra o seu Senhor em cada dia de domingo, contempla a sua grandeza pelas Escrituras e vive no fervor da caridade, na sã doutrina, na prática das boas obras e no testemunho.
Perguntas para uma reflexão:
1ª) De que forma João caracteriza a condição divina de Jesus?
2ª) Qual é a função do Filho do Homem em relação à Igreja e à Cidade terrena?
3ª) O que são os esponsais do Cordeiro com a Nova Jerusalém?
Pe. Fernando Capra/CRSP
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