 Carta 11
É suficiente que vocês cheguem a esta conclusão: que o fariseu, isto é, o tíbio, corta de si o que é grande e guarda o que é pequeno; deixa as coisas inconvenientes, mas quer todas as convenientes; controla a sensualidade de uma relação, mas gosta demais da sensualidade da visão. E assim, quer o bem, mas só em parte: controla-se em parte, mas não quer se controlar no todo: não digo que isso aconteça de uma vez só, mas também não demora muito a aparecer.
Ora, quem deseja tornar-se espiritual, faz exatamente o contrário, pois começa cortando alguma coisa: um dia, uma, outro dia, outra e assim, vai continuando, até eliminar a pelanca e tudo da carne que não serve mais. Por exemplo, no começo, elimina as palavras que ofendem, depois as inúteis para, enfim, só falar o que faz crescer. Outro exemplo: primeiro, corta as palavras e os gestos violentos para, depois, usar palavras suaves e humildes. Mais um; começa fugindo dos elogios e, quando aparecerem, não se importa com eles e até se considera não merecedor deles e fica satisfeito com isso; deixa de lado relações sexuais sem amor e corta tudo que é feito só por sensualidade, para dar dignidade à castidade conjugal; não quer ficar rezando só uma ou duas horas, mas eleva o pensamento ao Cristo ao longo do dia. E esses exemplos que dei não são tudo, encontrem outros!
Caríssima Laura e prezado Bernardo, considerem as minhas palavras com o mesmo carinho que usei para escrevê-las. Eu não digo que façam tudo num dia só e sim, que a cada dia façam um pouco mais, diminuindo alguma tendência à sensualidade, mesmo que seja permitida e façam isso pelo desejo de viverem valores cada vez maiores, de diminuírem as imperfeições e de fugirem do perigo de cair na tibieza.
Não pensem que o amor que tenho pelos dois e que as boas qualidades que vocês têm me levem a desejar que sejam apenas santos comuns. De jeito nenhum! Quero e desejo - e vocês podem, se quiserem, - que se tornem grandes santos, preocupando-se com o aperfeiçoamento de suas qualidades e com o gesto de oferecê-las de volta ao Cristo Crucificado, pois vocês as receberam Dele.
Eu, pela ternura e pela afeição que tenho por vocês, peço-lhes que se esforcem para dar-me esta satisfação. O motivo é que eu conheço a grandeza da perfeição e a abundância das graças e eu conheço os frutos que o Crucificado quer produzir em vocês e sei muito bem a que grau de perfeição Ele quer levar vocês dois.
Querida Laura e caro Bernardo, não reparem no fato de ser eu quem fala assim: considerem, ao contrário, o amor que eu tenho por vocês e como anseio intensamente pela perfeição dos dois!
Continua no próximo número
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