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Cartas Pastorais - 2 Carta a Timóteo (2)

Comparação entre 1 e 2 Timóteo

No livro "Comentário Bíblico" vol III organizado por Diane Bergant e Robert J. Karris, encontramos a seguinte comparação entre as duas cartas a Timóteo.

Comparada com 1Tm, a segunda carta é bastante pessoal: o autor queixa-se de solidão e abandono e aprecia a bondade de companheiros cristãos (1,15-18; 4,9-13). Enquanto 1Tm contém uma extensa lista de deveres domésticos para os diversos membros daquela Igreja, a 2 carta dirigi-se a Timóteo pessoalmente como um indivíduo distinto, compadece-se de seu difícil ministério e, de maneira tocante, exorta-o a perseverar. A lista de saudações no final também sugere uma atmosfera mais íntima e pessoal para a carta.

A carta reconhece francamente a situação difícil de Timóteo e sua Igreja. Essa Igreja não está, certamente vicejando; problemas do dia-a-dia afligem Timóteo; o desentendimento (cf "perseguidos", em 3,12) o persegue. Seu ministério nada fascinante dificilmente é invejável, pois é um trabalho ingrato de correção e orientação pacientes.

Algumas mudanças são perceptíveis no conteúdo teológico de 1 e 2Tm. 1Tm tinha uma riqueza imensa de hinos e confissões cristológicas para celebrar a morte e ressurreição de Cristo, seu resgate de todos (1,15-16; 2,5-6; 3,16; 6,13-14). A 2Tm confessa Jesus primordialmente como Juiz da Igreja, que recompensa a fidelidade e o serviço fiel e retribui o mal e o pecado (1,18; 4,1.8.14). Em 2 Tm, Cristo ainda é modelo a ser seguido: a perseverança com ele significa que com ele reinaremos (2,11-12). O ensinamento cristológico de 1Tm foi funcionalmente integrado à exortação daquela carta, o que também é o caso na segunda, embora a ênfase em Jesus como Juiz tenha a finalidade de apoiar Timóteo em tempos difíceis com promessas de recompensa e sucesso. (cf. 4,6-8).

A doutrina sobre o Deus cristão era muito mais completa na 1Tm que na 2Tm. Abundantes louvores (1,16; 6,15-16), asserções da unicidade de Deus e sua vontade salvífica universal (2,4-5), apelos à bondade criadora de Deus (4,3), tudo isso indica uma advertência consciente aos convertidos pagãos sobre a excelência da fé no Deus de Jesus Cristo. Esse propósito é abafado na segunda carta, onde há apenas menção causal e apressada de Deus como aquele que escolhe e investe os chefes da Igreja (1,6-8.9; 2,10). Deus é também testemunha do ministério de Paulo e de Tímóteo e os recompensará nessa conformidade. A mudança é, obviamente, uma preocupação pastoral a fim de chamar atenção para a autoridade de Timóteo e a seriedade de sua tarefa.

Continua no próximo número

Jane do Tércio

 
 
 

VEJA NO MÊS DE JULHO/2007:


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Após a morte acontece o julgamento particular. Quem faz o julgamento?
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