Cristologia (9) - Fl 2,6-11
Trata-se de um hino a Jesus Cristo, que a Igreja contempla glorificado
em virtude da sua ressurreição e celebra como seu Senhor.
Os termos que definem a condição divina de Jesus são
claros, como, também, os que se referem à sua condição
humana. A Pessoa divina de Jesus, não reteve ciosamente para
si o ser igual a Deus, mas humilhou-se, assumindo a condição
de servo. Para Paulo, Jesus é uma pessoa que, concretamente,
existe como homem, cuja dignidade, contudo, depende da sua natureza
divina. É esta prerrogativa que torna possível uma Redenção,
a qual se atua segundo a condição humana, pelo fato
que a Pessoa divina de Jesus assume a natureza humana.
Conseqüência da imolação de Jesus por uma
morte de Cruz é a exaltação pela qual ele chega
a participar da Glória da Divindade.
Quando Jesus é glorificado em virtude da sua ressurreição,
a Humanidade assumida pela Encarnação participa plenamente
da Glória da Divindade, da mesma forma que desde sempre, dela
participa a segunda Pessoa da Ssma. Trindade. Em virtude da Encarnação,
portanto, após a glorificação de Cristo pela
sua Ressurreição, toda a humanidade está em condições
de participar da Glória da Divindade: Cristo Jesus como Pessoa
divina, nós, seus irmãos, como filhos adotivos que,
de Cristo Cabeça, receberam o Espírito sem medida. Para
explicar os píncaros da glorificação à
qual chega a Humanidade de Cristo, São Paulo estabelece uma
comparação dele com os anjos, comparação
que é desenvolvida, particularmente em Hb 1,5-14. Anjos, Arcanjos,
Tronos, Dominações, Principados e Potestades, Querubins
e Serafins,... são categorias de servidores de Deus, prontos
para executar a sua vontade. Não obstante toda a sua dignidade,
porque manifestações da Glória de Deus, eles
são inferiores ao Filho que o Pai constituiu herdeiro, e inferiores
"àqueles que devem herdar a salvação"
(Hb 1,14). Jesus, tornado por um pouco inferior aos anjos, na sua
condição de escravo, humilhado pela morte de cruz (2,9),
realizada a Redenção, sentou-se "à direita
da Majestade, tão superior aos anjos quanto o nome que herdou
excede o deles" (1,3s). No momento da ressurreição
Deus constitui Jesus na condição de Filho (At 13,33),
abertamente manifestado Filho de Deus com poder (Rm 1,4)dizendo-lhe:
"Tu és meu Filho, eu hoje te gerei" (Sl 2,7). Ele
é o Rei que celebra os esponsais com a rainha vestida de brocados
de ouro, ele mesmo vestido com vestes que exalam o perfume da mirra
e do aloé (Sl 45). Ele é aquele que tudo criou (Sl 102,26-28)
e que Deus chama a sentar à sua direita (Sl 110,1) e recebe
em herança todos os povos (Is 42;53; Sl 2,8). É dessa
maneira que o autor da Carta aos Hebreus vê Jesus na glória
da divindade.
Perguntas para uma reflexão:
1ª) De que maneira distinguimos, em Jesus, a natureza divina
e a natureza humana?
2ª) Por que Jesus é capaz de realizar a nossa redenção?
3ª) Qual condição de glorificação
Jesus alcança para si e para nós?
Pe. Fernando Capra/CRSP |