Um jovem que viveu a sua juventude
Ocorre em 5 de julho o dia litúrgico de Santo Antônio
Maria Zaccaria. Ele é o Fundador dos Padres Bamabitas e das
Irmãs Angélicas.
Como barnabita, ofereço aos leitores de O Mensageiro, especialmente
aos jovens de nossa comunidade paroquial, alguns aspectos da figura
deste santo, que viveu no século XVI, mas que teve todas as
características de um apóstolo dos nossos tempos.
Na linha genealógica dos Zaccaria, Antônio Maria foi
o último, mas este nome não se perdeu para a História,
pois ele se tomou o primeiro nome de uma Nova Estirpe, em um maravilhoso
reflexo de linfa vital.
Sua adolescência foi marcada pela obediência e piedade.
Na capelinha de sua casa ele enfeitava a imagem de Nossa Senhora,
aí fazia suas orações em companhia de sua mãe
e passava horas em meditação.
A caridade para com o próximo foi nele marcante. Coração
suave, dócil e compassivo para com os pobres, que se tornaram
seus prediletos, era magnânimo em desfazer-se do que tinha em
benefício dos indigentes que lá buscavam alimento e
agasalho.
No seu coração ardia o desejo de conduzir todos os homens
a Jesus Cristo. Gostava de escutar a Palavra de Deus e meditá-la.
Reunindo empregados e familiares, repetia-lhes com muita convicção
as verdades ouvidas. Tomou-se cedo um autêntico apóstolo.
Órfão de pai, Antônio Maria cresce entre lutas,
envolvido por problemas políticos, sociais, morais e religiosos
de sua época.
Marcado com os sinais de uma maturidade precoce, sempre correspondeu
às solicitudes maternais. Antonieta, sua mãe, não
usava com o filho caricias excessivas ou palavras demasiado afetuosas
que prejudicassem a formação de um caráter viril.
Além da formação religiosa e moral, a primeira
preocu-pação de sua mãe, Antônio Maria
recebeu aprimorada formação intelectual, primeiro sob
os cuidados da própria mãe, depois a cargo de bons mestres.
Cortês com todos, respeitoso para com os professores, exato
no cumprimento do dever, ele mostrou tal tenacidade e progresso nos
estudos que despertou a admiração de todos. Aos 18 anos
ele concluiu seus estudos de Filosofia e Letras na Universidade de
Pavia.
Dotado de personalidade firme e caráter decidido, na idade
em que para os jovens o que mais preocupa é assegurar-se o
próprio futuro, Antônio Maria faz seu testamento, renunciando
de modo irrevogável a todos seus bens em favor de sua mãe.
Qual o motivo dessa sua decisão?
Uma coisa é certa. Em plena juventude, este jovem tem a firme
convicção de que a vida não tem sentido se não
é colocada a serviço do próximo. Assim, para
poder dar-se a si mesmo em proveito dos outros, Antônio Maria
toma a decisão de abandonar sua terra natal e transferir-se
para Pádua e fazer o curso de Medicina.
A Universidade de Pádua era um centro de cultura e de debates
e confrontos entre as mais diversas teorias filosóficas e religiosas,
na época. Nessa famosa escola fervilhavam cerca de mil estudantes
oriundos de diversas cidades da Itália e de outros países
da Europa.
Na mesma época, Lutero consumava sua ruptura com Roma queimando
em praça pública a Bula papal na qual se condenavam
seus erros.
Logo a heresia luterana começou a produzir seus frutos perniciosos
na Universidade. Antônio Maria, jovem entre jovens, defende
sua fé, cuidando de sua própria virtude. É sabido
que o ambiente universitário de Pádua era corrompido
e corruptor. O novo estudante tem logo a intuição do
mal que o rodeia e trata de se preservar. É dura e violenta
a luta que o jovem deve travar contra a maré do vício.
que desponta por todo o lado, mas ele encontra um manancial inesgotável
de forças na dedica-ção ao estudo, na oração
freqüente e na Eucaristia.
Um moço nobre, rico e inteiramente livre, exposto a tantos
perigos e à chacota dos próprios colegas, o Zaccaria
não arredava um passo do seu habitual e austero comportamento.
Não vamos, porém, imaginá-lo um ausente da vida
normal de um jovem estudante. Ele participava das sadias manifestações
da inteligência e da juventude.
Dentre tantos colegas, fala-se de um só amigo seu, Serafim
Aceti. A virtude foi a atração e o laço que uniu
em amizade cristã e duradoura os dois jovens.
Os anos de universidade amadureceram mais ainda o jovem Zaccaria.
No meio dos perigos ele assimila o verdadeiro sentido da virtude,
a integração entre ciência e fé, entre
profano e religioso.
Concluído o curso, com 22 anos, Antônio Maria voltou
para Cremona, rico de ciência e de santidade. Aí dedicou-se
de corpo e alma ao cuidado dos doentes.
Dois anos mais tarde, vem-lhe o pensamento de curar os males espirituais,
piores que os corporais. Mas, levado por sua profunda humildade, ele
se julga indigno do sacerdócio. Esta luta entre a modéstia
e o desejo de fazer maior bem, como padre, durou algum tempo. Ele
procurou vencê-la pela prece e pela mortificação.
Por último, consultou seu diretor espiritual. Este acompanhou-o
por certo tempo. Aconselhou-o a estudar teologia. Incumbiu-o de ensinar
catecismo às crianças. Depois, ele passou a evangelizar
os adultos. Finalmente, com 26 anos, decidiu-se pela ordenação
sacerdotal, reconhecendo o chamado divino nas palavras de seu diretor.
Eis a caminhada do jovem Zaccaria que o levou à santidade.
Em resumo: Uma boa educação conduz a resultados excelentes.
Como jovem, ele tem uma linha de procedimento, ele vive sua religião,
ele prepara seu futuro levando a sério seu estudo.
Valendo-se de sua sólida formação cristã,
recebida de sua virtuosa mãe, autodisciplinado através
de sua experiência escolar, ele venceu os riscos de sua época
e de sua idade e só se sentiu plenamente realizado quando se
entregou aos outros no dom de si mesmo.
Assim foi a fase da juventude de Antônio Maria que fica para
todos os jovens como parâmetro de vida.
É bom salientarmos que o santo não se toma tal no final
de uma longa vida e nem tão pouco já nasce santo. A
santidade é o fruto de uma vida intensamente vivida para Deus
e os irmãos. A possibilidade é para todos. Realizá-la
é para poucos espíritos corajosos e generosos.
Que nossos paroquianos se sintam empolgados pelo exemplo deste santo,
pouco conhecido, mas que tem muito a nos ensinar.
Possam os jovens aprender dele a valorizar e a viver com profundidade
a própria juventude, fazendo do amor a Deus e a seus irmãos
o objetivo maior de sua existência.
Pe. João Parreira - Barnabita (Publicado em julho/1986)
Autores consultados: P.J.M.Sisnando - Santo Antônio M.Zaccaria
Belo Horizonte; P.Fr.Maffei - Santo Antônio M.Zaccaria /Rio;
P.R.M.Frigerio - Médico y Santo Madrid
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