Meus amados irmãos agora cheios do Espírito
Santo, precisamos compreender a ordem de Jesus: "Ide, pois ensinai
a todas as nações; batizai-as em Nome do Pai e do Filho
e do Espírito Santo" (Mat 28, 19). Ouvir talvez já
ouvimos muitas e muitas vezes, mas será que já paramos
para pensar nesta responsabilidade? Por isso comecemos esta reflexão,
que tem como tema "Vós Sois o Sal da Terra", lembrando
o próprio Jesus que nestes termos se dirige a cada um de nós
em Mat 5, 13.
Como é abençoado quando usamos a influência boa
da nossa alma em auxílio de uma outra pessoa! Queridos, as
pessoas pensam que o sal é um composto químico e orgânico
que tem sua finalidade principal dar sabor, e isso não é
verdade. O sal é empregado em diversos setores da vida humana
como coagulante, cicatrizante, formador de outras substâncias,
regenerador e até mesmo como auxiliar nos projetos espaciais,
tais como o sal de Júpiter e o sal de Saturno, largamente utilizados
para se distinguirem as camadas nebulosas de cada planeta. Existem
diversos tipos de sal, como o sal de Epsom e de Seidlitz (Farmacológicos),
o sal de Glauber, o sal de Nitro, o sal de Vichy, que são utilizados
na reanimação de pessoas desfalecidas, o sal de Azedas
e muitos outros conhecidos que possuem diversas aplicações,
mas apenas um tipo de sal é o responsável pelo sabor,
o sal marinho ou cloreto de sódio. Este sal é bastante
conhecido desde os tempos mais remotos, tendo sido utilizado até
como moeda corrente em uma época, vinda daí a palavra
"salário". Jesus chama seus discípulos e a
todos nós, seus seguidores de "sal da Terra". Mas
o que é ser sal da Terra?
O que caracteriza o sal que deve dar sabor a este mundo? Segundo as
palavras de Jesus Cristo, algumas características deverão
ser inerentes ao cristão que deseja ser sal da Terra, e para
isso é preciso dar sabor ao mundo. Os Palestinos conheciam
bem o que era um bom sal. Utilizavam-se dele para salgar os alimentos
e na conservação de carnes diversas. O sal precisava
ser suficiente para que os alimentos ficassem realmente conservados,
mas um princípio básico conhecido desde que se conhece
o sal é que para dar sabor é preciso que ele se misture
à massa, do contrário, não haverá a reação
que resulte em mudança de sabor, portanto irmãos, não
devemos ser homens isolados. Há tantos de nós que se
recusam a falar com alguém pela rua. Um "Bom Dia",
ou um "Olá, como vai?", seguido de uma conversinha,
seja sobre futebol, política, cultura ou outro assunto qualquer
será suficiente para que se dê sabor e valor à
vida de quem nos ouve. Evitar conversar sobre estas questões
em nome da santificação é um motivo louvável,
mas uma atitude infeliz. Procuremos então irmãos, nos
aproximar mais do mundo, temperar a vida dos que precisam de Jesus
com palavras abençoadoras, positivas e de fé. Assim,
começaremos a dar sabor ao mundo.
Para sermos sal da Terra, precisamos também conservar a pureza
para gerar utilidade. Uma coisa é importante, precisamos nos
misturar à massa para salgá-la, mas não se coloca
sal em carne podre. Se isto acontece, a carne é jogada fora,
juntamente com o sal. A Palestina sabia que alguns tipos de sal não
serviam para temperar absolutamente nada, se não fosse totalmente
puro. Eles corriam um sério risco de o sal estragar a comida
ou a carne se este não tivesse grau máximo de pureza.
Quando o sal não servia, era jogado pelas ruas a fim de matar
as pequenas ervas que ficavam à beira dos caminhos, sendo naturalmente
pisadas por qualquer que por ali passasse. Se nós que somos
o sal da Terra, não possuirmos esse grau de pureza, não
podemos temperar, nem conservar, nem ser postos à prova, pois
seríamos rejeitados pelos homens. Existem certos ambientes,
certos assuntos, certas atitudes, certos ritos, certas festas, certos
churrascos entre amigos, certas reuniões de trabalho após
o expediente que não são próprios ao sal da Terra,
pois poderão ferir sua pureza e consequentemente sua aplicabilidade
na tarefa de temperar o mundo. Cristo nos chamou de sal da Terra,
mas não nos mandou viver como ela, pois certamente seremos
pisados pelos homens. Assim, somos chamados de sal da Terra, porque
somos incumbidos da responsabilidade de definir da maneira mais pura
o sabor de Jesus nos corações humanos, que estão
insípidos, sendo puros, de boa qualidade, agradáveis
à vista e com palavras de paladar temperado.
Amados irmãos, não obstante termos visto as características
do sal da Terra, temos infelizmente presenciado que muitos cristãos
vivem como o sal de Júpiter, ou o Sal de Epsom, que possuem
inúmeras aplicações, menos a de temperar. Nossa
Igreja precisa de homens e mulheres puros, firmes em propósito,
vocacionados coerentes, sóbrios; nossa sociedade precisa de
uma Igreja iodada, pura, sem dolo, sem ter de que se envergonhar,
com homens corretos, justos, santos, puros e com palavras e atitudes
que possam influenciar este mundo; sal de verdade, em personalidade
e em caráter. Alguém um dia disse: "Reputação
é o que as pessoas pensam ao meu respeito. Caráter é
o que eu sou quando ninguém, somente meu Deus está me
olhando". Que sejamos servos valorosos, que influenciam e ensinam
com os testemunhos neste mundo tenebroso, a ter vida, sabor, contexto,
disposição, paz, alegria verdadeira, amor e bondade,
a todos aqueles que buscam em nós as características
do verdadeiro sal. Vós Sois o Sal da Terra! Amém!
Jesus conta com cada um de nós. Cumpramos a sua ordem!
Ricardo da Liturgia das 10h
ricardomoyses@globo.com |