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Uma copa dos sonhos
Recentemente, na noite que antecedia um jogo do Brasil na copa,
eu tive um sonho. Sonhei que ao sair à rua eu observava que
todas as pessoas estavam mobilizadas com um grande sentimento patriótico.
Camisas verde e amarela por todas as partes, bandeiras, as pessoas
correndo apressadas para chegar mais cedo ao trabalho com o claro
objetivo de compensar as horas que em breve seriam despendidas com
o mais importante acontecimento patriótico do ano. Em alguns
casos, essa saída "mais cedo" do serviço
era antecedida de uma intensa negociação com os chefes
e patrões. Porém, graças ao censo patriótico
comum, apenas os serviços essenciais à população
eram mantidos. Os demais seriam suspensos ou compensados.
De repente, durante este meu sonho, eu me vejo caminhando junto
com a imensa multidão que portava bandeiras, faixas de apoio
e gritos de guerra em direção ao Maracanã.
Subimos todos juntos a rampa que dá acesso a arquibancada
e ao sentar, para a minha surpresa, percebo que toda a arquibancada
é composta de uma só torcida. "Bom, estamos jogando
em casa e a torcida adversária não veio", penso
eu. Ao olhar para o campo fico mais perplexo ainda: Vejo cadeiras
perfiladas em frente a uma grande mesa como se fosse um plenário.
Pergunto ao torcedor que está do meu lado:
"Ué. Que cadeiras são aquelas? Como que o jogo
vai transcorrer com aquelas cadeiras em campo?".
O torcedor que está ao meu lado me olha surpreso e dispara:
"Que jogo o que, rapaz. Ficou louco? Estamos aqui para acompanhar
a votação do orçamento de nossa cidade. Naquelas
cadeiras sentarão os nossos representantes. Aqueles que fizerem
emendas eleitoreiras para os seus centros de saúde e assistência
social com o claro objetivo de comprar votos, nós vaiaremos
e exigiremos que o treinador o troque. Aqueles que brigarem para
que seja mantida a Lei de Diretrizes e Bases da Educação
destinando assim mais recursos para as escolas públicas nós
aplaudiremos e apoiaremos. É esse o nosso papel aqui. Aliás,
isso está acontecendo em todo o País. Todos param
durante esses dias a tarde para acompanharmos de perto a votação
do orçamento municipal em nossas cidades".
Logo em seguida o meu despertador toca e eu acordo com aquele sentimento
triste ao constatar que se tratava apenas de um sonho. Para piorar
ainda mais, eu ligo a televisão e observo os preparativos
para o jogo do Brasil na copa que aconteceria ainda naquele dia:
As pessoas correndo, se preparando e se mobilizando com um senso
de organização e cooperação raro em
nossa sociedade brasileira. Infelizmente, tudo isso é apenas
para uma copa do mundo. Muito provavelmente em função
do sonho que tive na noite anterior e, motivado pela demonstração
de patriotismo e união que vejo na televisão, eu paro
e me pergunto: "Que País nós teríamos
se as pessoas dedicassem para a política o mesmo engajamento
e a mesma participação que dedicam para uma copa do
mundo?". É, com certeza teríamos um Brasil mais
fraterno, menos desigual e muito mais próximo da civilização
do Amor citada nos Evangelhos.
Um forte abraço a todos e a Paz de Cristo!
Robson Campos Leite
Email : feepolitica@terra.com.br
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