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Carta aos Filipenses (2)
Mensagem
Embora Filipenses seja uma das epístolas paulinas menos doutrinais,
apresenta alguns temas específicos:
- Opção radical e identificação com
Cristo. Tanto na exposição de sua situação
(1,22) como na crítica aos falsos mestres (3,7-9), Paulo
se identifica com Cristo, e exorta os fiéis a terem em si
mesmos sentimentos que há em Cristo (2,5).
- O despojamento de Cristo: o hino de 2,6-11, nitidamente inspirado
na figura do Servo humilhado e exaltado de Isaías 53.
- Alegria: a carta é permeada de uma profunda alegria, que
não desconhece o sofrimento pessoal nem o de Cristo (2,5-11),
mas que brota da comunhão com Cristo que se expande na comunidade
(1,22; 2,1-4) e se traduz numa atitude de vida que conquista a todos
(4,4-5).
Esta carta é chamada "A carta da Alegria Cristã",
por repetir vinte e quatro vezes esta palavra. Nada pode tirar a
alegria daqueles que confiam em Jesus. Apesar de Paulo estar na
prisão, a carta transborda alegria e otimismo. Ele tampouco
é indiferente aos afetos de seus amados filipenses, por isso
lhes diz "Foi grande a minha alegria no Senhor, porque, finalmente,
vi florescer o vosso interesse por mim" (4,10).
É da Bíblia Sagrada editada pela Universidade de Navarra
que transcrevemos o texto a seguir:
Apesar da brevidade desta carta, sobressaem pela sua importância
os seguintes temas doutrinais: a) o destino eterno do homem, b)
a atitude do cristão diante das realidades temporais, e c)
o profundo mistério de Cristo e o exemplo da sua vida na
terra.
a) Natureza da vocação cristã: enquanto o cristão
permanece nesta vida pode ser chamado "santo" (1,1) em
virtude da graça santificante. Contudo, não pode afirmar-se
que tenha alcançado a santidade definitiva, ou que já
seja "perfeito" (3,12). Paulo mostra o caminho que conduz
a essa santidade: a participação nos padecimentos
de Cristo e a configuração com a Sua morte (cf. 3,10-11).
Ser cristão, portanto, é identificar-se com Cristo,
procurar ter "os mesmos sentimentos que teve Cristo Jesus"
(2,5), seguir o Seu exemplo. E Ele deu-se-nos como modelo acabado
"fazendo-se obediente até a morte. E morte de cruz"
(2,8). O cristão que luta por estar unido a Cristo será,
como Ele, exaltado (cf.2,9),a glória do céu. Por isto,
todos os sofrimentos que possa padecer neste mundo, até ao
derramamento de sangue se fosse necessário, serão
motivos para ele de autêntica alegria (cf.2,17), pois sabe
que tanto a vida, como a morte corporal se ordenam para a glória
de Deus através da união com Cristo (cf.1,20).
O cristão possui também a esperança, nunca
defraudada (cf.1,20) de que o nosso corpo mortal será transformado
em corpo glorioso (cf.3,21). Assim se explica que o Apóstolo
afirme que, para ele, morrer é "um ganho" (1,21),
e manifeste, além disso, o desejo de "morrer para estar
com Cristo" (1,23). Esta aparente pressa de morrer é
particularmente significativa, pois nos confirma que, imediatamente
depois da morte se pode gozar de Cristo, sem necessidade de esperar
o Juízo Universal. Para isso é necessário morrer
em graça e ter feito suficiente penitência dos pecados.
"Para mim, viver é Cristo" (1,21), diz Paulo. E
é que, efetivamente, vida do homem novo se mantém
e alimenta pela graça que o Senhor nos conseguiu na Cruz;
graça que, por outro lado, leva o homem a identificar-se
com as exigências morais do Evangelho. Daí que o cristão
deva atuar e comportar-se em tudo de acordo com os ensinamentos
recebidos de Nosso Senhor.
b) O cristão no mundo: Em geral, os cristãos vivem
no mundo, entre os outros homens. E, embora atuem retamente nos
seus assuntos, movidos por ideais nobres, há aqueles que
se deixam levar pela ambição desordenada, que gera
a avareza (cf.2,15).
Em qualquer ambiente onde se encontre um cristão não
deve esquecer que a sua cidadania está nos céus (cf.3,20),
e por isso deve comportar-sede uma maneira digna do Evangelho (cf.1,27);
isto é, com humildade, buscando não o próprio
interesse, mas o dos outros (cf.2,3-4); sempre alegres (cf.4,4),
irrepreensíveis e simples (cf. 2,15); compreensivos com todos
os homens (cf.4,5). A vida digna dos filhos de Deus brilhará
do meio de mundo (cf.2,15), iluminando todos com a luz de Cristo.
Assim, pois, perante a tentação do homem atual de
pensar no seu próprio interesse e de se deixar enganar pelo
"sereis como Deus" (Gn 3,5), esta mensagem de Paulo serve
para iluminar a ação do homem no mundo. Desse modo,
as realidades todas, a própria pessoa humana, alcançarão
a sua autêntica dignidade e a sua verdadeira grandeza quando
estiverem, unidas a Cristo, que é o Senhor de todo o universo.
Nada há que temer, portanto, se se age com retidão
de intenção: "Quanto há de verdadeiro,
de honroso, de justo, de íntegro, de amável e de louvável;
tudo o que seja virtuoso e digno de louvor tende-o em estima. O
que aprendestes e recebestes, o que ouvistes e vistes em mim, ponde-o
em pratica; e o Deus da paz estará convosco" (4,8-9).
c) O mistério de Jesus Redentor: O Apóstolo propõe
como modelo o comportamento de Nosso Senhor. Para isso, apresenta
o hino de 2,6-11 um compêndio de excepcional valor sobre a
vida e obra redentora de Cristo.
Textos seletos
1,1 Entre os destinatários são mencionados os epíscopos
e os diáconos.
1,12-18 A prisão de Paulo promove o Evangelho.
1,19-22 Vida e morte serão uma benção.
1,27-2,11 Exortação a manter a fé e ser humilde
e desinteressado de acordo com o exemplo de Cristo.
3,4-16 Inutilidade de méritos externos; valor do conhecimento
de Cristo e da retidão.
3,17-21 Os inimigos da cruz de Cristo que somente apreciam as coisas
da terra.
2,6-11 Hino cristológico: é uma jóia teológica.
É uma das mais admiradas passagens das cartas paulinas e
um dos mais notáveis monumentos da primitiva fé cristã,
seja escrito pelo próprio Paulo, seja citado por ele da liturgia.
Nele canta a exaltação da humanidade de Cristo, à
qual chegou depois da Sua existência terrena, vivida em ato
de voluntária obediência, humilhando-Se até
à morte de cruz. Os seis versos do hino são seis estrofes
que enunciam os seguintes temas: a preexistência divina de
Cristo; a humilhação da encarnação;
a humilhação da morte; a glorificação
celeste de Cristo; a adoração do universo; o novo
título conquistado pelo Cristo glorificado. A encarnação
é concebida como um esvaziamento, uma renúncia à
glória que é própria à pessoa que é
"igual a Deus", isto é, ao Pai. Os antecedentes
literários do hino têm sido procurados em diversas
passagens da literatura judaica e grega; contudo, as conexões
literárias mais claras são encontradas no poema do
Servo de Isaías 53.
O hino proclama com profundidade de pensamento a natureza divina
de Cristo preexistente à Sua Encarnação, e,
por isso, a Sua consubstancialidade com Deus Pai, ao mesmo tempo
que o Seu aniquilamento ao fazer-se homem pois, sem deixar de ser
Deus, Se abaixou até tomar a forma ou natureza humana- ;
e, depois da Sua morte redentora, a Sua exaltação
gloriosa: "Deus O exaltou e Lhe outorgou o nome que está
acima de todo o nome; para que ao nome de Jesus todo o joelho se
dobre nos céus, na terra e nos abismos, e toda a língua
confesse: Jesus Cristo é o Senhor, para glória de
Deus Pai" (2,9-11). Constitui, portanto, este hino um grandioso
canto à divindade de Cristo, à Sua primazia e domínio
sobre todo o universo, um dos temas centrais nas epístolas
do cativeiro. A exaltação de Cristo narrada aqui tem
características simultâneas às referidas em
Efésios e Colossenses. O Cristo exaltado é o Homem
Deus que nasceu e morreu crucificado por nós".
Peçamos a Nossa Senhora, que é causa de nossa alegria,
para sempre nos lembrarmos que nada pode tirar a alegria daqueles
que confiam em Jesus, portanto "Alegrai-vos, sempre no Senhor.
Repito: Alegrai-vos", usando as palavras de Paulo em 4,4.
Jane do Térsio
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