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Cristo Redentor (12) - O Emanuel
Emanuel é um título divino que Isaias dá ao
Messias no momento em que anuncia uma intervenção
futura na história de Israel, por parte de Deus, da qual
serão provas os castigos da deportação que
atingirão seja o reino do norte como o reino do sul. Ele
substituirá os indignos descendentes da casa de Davi e reinará
na terra que Deus deu a Israel (Is 7,14). As prerrogativas do Emanuel
serão as de ser "Conselheiro admirável, Deus
forte, Pai dos tempos, Príncipe da Paz" (9,5) e de possuir
a plenitude do Espírito (11,1s).
O mesmo São Mateus que cita o Emanuel quando fala da maternidade
divina de Maria e da vocação de José para ser
esposo de Maria (Mt 1,18-23), volta a citá-lo quando começa
a falar da atividade messiânica de Jesus, querendo, dessa
forma, nos dizer que, em Jesus devemos notar as prerrogativas das
quais fala Isaias quando anuncia a grande luz que iluminou o país
de Zabulon e os país de Neftali. O filho da jovem mãe
chamado a estabelecer o Reino do Pai, é Conselheiro admirável,
isto é, aquele que tem uma sabedoria acima de toda expectativa
(Pv 8,22-31; Sb 7,22-8,1); Deus forte, isto é, Iahweh (Sl
28, 8-10; Ap 18,8); Pai eterno (Jo 1,30; 8,68); Príncipe
da Paz (Jo 20,21; 14, 27.16s). Os títulos são proféticos
e adquirem toda a sua significação à luz de
Jesus Cristo que se proclamou rei diante de Pôncio Pilatos
e que, sobre sua cabeça, na Cruz, tinha a inscrição
profética "Rei dos Judeus". De fato ele é
a Palavra voltada para o Pai (Jo 1,1), que a Carta aos hebreus diz
ser o Filho pelo qual o universo foi criado; a Sabedoria, portanto,que
desde sempre está com o Pai como "mestre de obra"
da criação (Pv 8,30), admirável (Sb 7,22s).
Em Lucas, Jesus se declara o forte guerreiro que expulsa Satanás
na condição de mais forte que estabelece o Reino na
potência do Espírito" (Lc 11,20-22). É
a única força capaz de vencer o príncipe deste
mundo, que nada pode contra ele (Jo 14,30). No Apocalipse o próprio
Jesus se declara Aquele que é, o Alfa e o Ômega, o
Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim (22,13),
palavras que a liturgia do Sábado santo completa dizendo:
"a ele o tempo e a eternidade...". A paz, enfim, que Jesus
estabelece, reconciliando o mundo com o Pai, revela toda a sua condição
divina. Toda a criação volta a estar em harmonia com
Deus, sobretudo o homem que já não estava mais em
paz nem consigo mesmo, nem com a criação, nem com
Deus".
"A grande visão ultrapassa tudo quanto se possa dizer
dos reis que sucedem a Davi: não há falta nem limitação
nesta paz e justiça que se ampliam no espaço e no
tempo; Deus mesmo faz nascer um menino e lhe impõe nome sobre-humano.
Somente dito de Cristo é que este oráculo adquire
seu pleno sentido; até então tinha sido antes esperança
e anseio, ideal não realizado, no entanto, ideal crido e
desejado, e desta forma tensão para o futuro, como anúncio
e preparação" (Alonso Shökel, Profetas I,
ed. Paulinas, pg 160).
O Emanuel, que nasce da jovem mãe para substituir a indigna
descendência da casa de Davi, à qual, todavia, Deus
permanece fiel, e para estabelecer o Reino de Deus na terra prometida
de forma definitiva, registra mais uma prerrogativa que deve ser
somada às quatro lembradas pelos títulos extraordinários
de Is 9,5: guia o Espírito do Senhor, que é lembrado
por três vezes na sua ação: Espírito
de sabedoria e entendimento; Espírito de conselho e fortaleza;
Espírito de ciência e temor. A sétima prerrogativa
do Messias é lembrada com uma palavra que tem a mesma raiz
de 'Espírito' que quer, contudo sublinhar o que, desta vez,
parte do Messias e se eleva a Deus: a sua fragrância no temor
de Iahweh. Nessa construção literal temos: 1º)
o dinamismo do Espírito (lembrado cinco vezes); o sentido
estritamente divino da sua ação (enquanto é
lembrado por três vezes de forma direta em relação
aos dons que efunde; 3º) o dom septenário (com o último
dos dons escondido na raiz da palavra 'espírito') (Is 11,1-3).
Perguntas para uma reflexão:
1ª) Quais são as qualificações do Emanuel?
2ª) De que forma as qualificações do Emanuel
ilustram a Pessoa de Jesus?
3ª) Quais são os dons do Espírito que sempre
permanece com Jesus?
Pe. Fernando Capra/CRSP
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