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Fé e Política | JULHO


“O amor servidor de Cristo na Política”

Na comunitária do último dia 14 de junho, intitulada "Fé e Política se misturam?", abordei, entre outros tópicos, a prática de Jesus que propõe o "poder-serviço" no lugar do "poder-dominação".
Disse, naquela oportunidade, que Jesus nos demonstra através da sua atitude citada no Evangelho que o verdadeiro líder, inclusive na política, não veio para ser servido e sim para servir.
No final da palestra, um senhor veio conversar comigo a respeito desse ponto. Ele me disse que nunca conheceu um líder, principalmente no meio político, que se preocupasse mais em servir do que em ser servido. Em função dessa conversa após a palestra, eu decidi me aprofundar nesse importante ponto na coluna deste mês.

Na passagem do Evangelho de São Mateus (Mt 20, 26-28), Jesus nos diz que quem quiser ser o maior que seja o último, ou melhor, que seja aquele que serve. Jesus nos deixa, inclusive, o seu próprio exemplo como modelo a ser seguido, ao dizer que o filho do homem não veio para ser servido e sim para servir. Essa passagem do Evangelho contém um dos mais belos ensinamentos de Jesus Cristo durante a sua vida pública. Ela mostra que, ao contrário do que vemos hoje, o líder precisa demonstrar em suas atitudes as características do serviço. E servir é se colocar a disposição daqueles que precisam da nossa liderança. Ao fazermos um paralelo com o que vemos hoje em dia, não somente na política, mas também em nosso trabalho, faculdade, casa e família; perceberemos que os mais belos conceitos de liderança são confundidos e, infelizmente, invertidos. Dominação, exploração e preocupação com vantagens pessoais acabam sendo muito mais lembradas durante uma liderança do que os ensinamentos do Cristo. Faço questão de trazer um excelente exemplo para ilustrar melhor essa nossa reflexão: Gostaria que você, amigo leitor, fizesse neste momento um rápido exercício e trouxesse em sua mente a lembrança de alguma pessoa que o liderou e que tenha deixado a impressão de realmente se preocupar contigo e com as suas necessidades (pode ser um chefe, gerente, diretor, professor, pai, mãe, irmão mais velho e etc). Alguém por quem você dissesse: "Por esta pessoa, eu atravessaria uma parede se necessário fosse ou se ela me pedisse". Pensou em alguém? Agora pense nas características e influências que essa pessoa trouxe em sua vida. Essas características, provavelmente, estarão bem próximas dos conceitos de humildade, bondade, confiança, honestidade, compromisso, respeito, entusiasmo e incentivo do que aquelas que lembram o poder-dominação ou o poder pautado no autoritarismo. Vale lembrar que se alguém, por acaso, pensou em algum gerente que teve em sua vida profissional, esse, com absoluta certeza, jamais precisou dizer: "Amigo, implemente esta tarefa senão eu o demitirei". Bastava um pedido, e em alguns casos, um olhar ou um gesto, para que entendêssemos qual deveria ser o nosso papel a ser feito sob a influência deste verdadeiro líder. Essa liderança é, sem sombra de dúvidas, muito mais próxima da autoridade intimamente ligada ao serviço do que aquele poder imposto sob a prática da dominação e da coação.

Todas essas características da autoridade pautada no serviço, ou em outras palavras do amor-servidor do Cristo, servem de guia e modelo para os nossos líderes, não somente no trabalho, mas também na faculdade, na Igreja, na nossa casa e principalmente na política. Se dedicar a política é, sem sombra de dúvidas, entender claramente o que Jesus nos ensina nesta passagem. Ao se entregar a um trabalho como este, o líder político precisa entender que o seu mandato é fonte de serviço ao próximo e ao interesse coletivo. Por esta razão é que práticas que privilegiem o interesse pessoal, como o Nepotismo (nomeação de parentes para cargos comissionados), lobbys que escondem interesses financeiros e pessoais e outros interesses particulares devem ser sempre expurgadas da prática do bom político. O verdadeiro político-servidor deve estar disposto a sacrificar o seu próprio mandato, se preciso for, para que o bem-comum seja privilegiado. Atitudes voltadas prioritariamente para o "marketing político" e para a imprensa nem sempre são as que verdadeiramente privilegiam e priorizam o próximo ou o bem-comum.

Somente assim, é que poderemos ter líderes políticos que realmente se aproximem dos ensinamentos e valores contidos nos Evangelhos de Jesus Cristo.

Um forte abraço a todos e a Paz de Cristo!

Robson Campos Leite
Email : feepolitica@terra.com.br


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