ESPOSO
A reflexão dos sacerdotes do Templo tinham advertido a presença
do verdadeiro Deus na história do povo hebraico e reconhecido
o privilégio da revelação dele a Abraão,
Isaac e Jacó, como também a intervenção
prodigiosa na libertação de Israel da escravidão
atéconstituir-se num reino, justificando, com isso, seja o
título de "El Shaddai", como o de "Iahweh"
e "Santo".
Os profetas, diante da ingratidão do povo com o seu Deus, salientaram
que, em todo momento, Deus estava agindo numa atitude de predileção
com o povo da escolha, de forma que o compararam a um marido ciumento
diante das atitudes idolátricas de Israel, que classificaram
de prostituição. Aquele amor, segundo o qual a Bondade
sempre agiu, a partir da criação, é lembrado
pelos profetas em toda a sua profundidade, embora, infelizmente, num
contexto de iniqüidade e perversão: "Dá-lhe
o nome de 'Não-Amada', porque não mais amarei a casa
de Israel"(Os 1,6). Contudo, a profundidade do amor de Deus encontra,
na própria má conduta de Israel, a condição
para uma manifestação de amor ainda mais profunda. Enquanto
Deus anuncia o castigo, manifesta a sua vontade de voltar a amar Israel.
O anúncio é solene e deve ser interpretado como verdadeira
profecia que atuar-se-á somente pela Encarnação
do próprio Jesus: "Acontecerá naquele dia, ...(Os
2,18-22).
Jesus, portanto, é Iahweh que, pela Encarnação,
manifesta todo o seu amor que desta vez, acolhe a humanidade, não
porque já purificada por um castigo, como aconteceu a Israel
depois do exílio de Babilônia, e sim, porque movido pelo
amor do seu coração divino (Lc 1,78). O amor do Coração
do nosso Deus terá a sua suprema manifestação
na Cruz, aonde aparecerá como o Pastor que dá a vida
pelas suas ovelhas. Enquanto, todavia, caminha para a Cruz, todos
os seus gestos, pregação, expulsão dos demônios,
cura dos doentes, vocação dos Apóstolos, instituição
da Eucaristia, etc..., querem ser uma antecipação e
figura do amor esponsal que, enfim, manifestará. Como esposo
o anuncia João Batista aos seus discípulos (Jo 3,29).
O próprio Jesus assume essa imagem quando declara: "Podem
os amigos do noivo..." (Mc 2,19-21). São Paulo não
tem dúvidas em ver, na morte de Cristo, as núpcias do
mesmo com a sua Igreja (Ef 5,25-27). Enfim, são João
retrata o triunfo dos mártires pela figura das núpcias
do Cordeiro com a Igreja (Ap 19,7). Por esse quadro final, os esponsais
que Iahweh quer celebrar com a humanidade assumem toda a sua significação.
Desde a criação, Deus chama o homem à participação
da sua vida. Por isso, sua ação amorosa não tem
limites, enquanto espera uma resposta amorosa por parte dos homens.
A relação nupcial quer descrever a união da divindade
com a humanidade. Ela viveu todo o seu amor para com os homens na
imolação de si sobre a Cruz, em Jesus Cristo.
Perguntas para uma reflexão:
1a) Em que sentido a figura do esposo caracteriza o amor de Deus para
com os homens?
2a) Em que momento da história de Israel essa figura vem a
caracterizar o amor de Iahweh para com o seu povo?
3a) De que forma o amor nupcial de Deus se concretiza em Jesus Cristo?
Pe. Fernando Capra - CRSP |