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Os dons espirituais existem e são para hoje | JULHO

Nos últimos anos houve no Brasil e no mundo inteiro uma efervescência especial em função da redescoberta dos dons do Espírito Santo. Textos lindíssimos como o Capítulo 12 da Primeira Carta aos Coríntios, empoeirados, tamanho o desuso, e assuntos teológicos relacionados ao Espírito Santo e a milagres até então considerados obsoletos e esclerosados, verdadeiros apêndices da teologia, portanto desnecessários a muitos olhos, ganharam vida e poder de provocar a fé de milhões de pessoas de Cristo em todo mundo. Assim, teve início um dos mais importantes momentos na história da fé cristã. Isso começou quando as pessoas começaram a indagar, a buscar: "Por quê? Por que se estas coisas estão registradas nas Sagradas Escrituras, não se dá ênfase a elas? Por que não são utilizadas na prática evangelizadora da Igreja? Por que não são ensinadas? Por que não são ministradas ao povo de Deus?" E quando tudo isso começou a acontecer, surgiu o que hoje conhecemos no mundo inteiro Não como um movimento pentecostal, mas como a Igreja em movimento impelida pelo Espírito Santo: a Renovação Carismática Católica.

No Brasil, como disse anteriormente, um grande trabalho foi começado e tem sido continuado, onde já existem milhões de irmãos em renovação, sendo sem dúvida uma grande força católica no país. Dou graças a Deus, pelo Santo Padre o Papa João Paulo II, pelos Bispos, Sacerdotes e pelos irmãos leigos engajados, que tem trabalhado exaustivamente para a transformação do mundo, que tem se desdobrado para que a conversão à Jesus aconteça, que com o ardor missionário tem apresentado aos sem religião a verdade absoluta da salvação, enfim, se não fossem esses amados irmãos, me perdoe os demais, a história da evangelização neste país estaria escrita de maneira muito pobre e ainda inexpressiva. Graças a Deus e jamais cansarei de dar, aí estão eles. Concordemos com tudo o que dizem, vivem e pregam, ou não, mas de uma coisa porém, tenho certeza: no céu haverá milhões de pessoas que conheceram Jesus através do trabalho desses queridos irmãos.
Amados, fora da Igreja Católica existem inúmeros movimentos pentecostais, independentes, e outros aos quais às vezes chamamos de evangélicos com certa relutância. Além disso há igrejas chamadas pentecostais, as quais os próprios pentecostais rejeitam ser identificados, porque em alguns casos são tão bizarras e confusas que, inclusive, é perigoso assumir tal identificação; ou pelo fato de serem mais uma miscelânea que uma Igreja, ou autêntico antro de charlatões, ávidos por meterem as mãos nos bolsos dos incautos. Ainda assim, vale ressaltar, apesar de todos os aspectos perniciosos de tais grupos, Deus em sua incomparável sabedoria continua salvando vidas, principalmente daqueles que tem seu coração contrito e devotado ao Senhor.

Contudo ninguém pode negar que a revolução que aconteceu e tem acontecido no mundo, na teologia e na doutrina do Espírito Santo, tenha sido apenas o resultado da redescoberta do Espírito Santo trabalhada pelos chamados carismáticos. Creio que foi sobretudo uma efervescência, uma ação do próprio Deus, tentando suscitar essa indagação, essa preocupação e essa novidade, tão necessárias à vida da Igreja, e cuja ação e impactos extrapolaram em muito as fronteiras da Igreja Católica.
Queridos amigos e irmãos, preciso deixar bem claro o seguinte: Os dons espirituais existem e são para todos os cristãos, sem exceção, e por quê? Primeiro, porque fomos todos batizados, como podemos ver em I Cr 12, 13: "Em um só Espírito fomos batizados todos nós, para formar um só corpo, judeus ou gregos, escravos ou livres; e todos fomos impregnados do mesmo Espírito". O que nos faz diferentes uns dos outros no Corpo de Cristo são os dons que desenvolvemos (I Cr 12, 14-30). Somos todos batizados no mesmo Espírito Santo, e o que nos distingue não é a cor da pele, dos olhos ou do cabelo, nem a nossa posição social, status, etc, mas os dons desenvolvidos para o serviço do Corpo. Além disso, a salvação e os dons são acontecimentos inseparáveis. Na Epistola de Tito 3, 4-7, vimos que Aquele que nos salvou por sua graça é o mesmo que derramou abundantemente o Espírito sobre nós. Observemos que no Novo Testamento, a salvação e os dons do Espírito Santo são ambos obra da graça de Deus. Vejamos em Ef 2, 8.9: "Porque é gratuitamente que fostes salvos mediante a fé. Isto não provém de vossos méritos, mas é puro dom de Deus. Não provém das obras, para que ninguém se glorie". Em Ef 4, 7 o Apostolo Paulo afirma que os dons espirituais que recebemos nos foram também dados segundo a graça de Deus. Amados, a graça que salva é também aquela que os doa. Tudo é favor imerecido; vem de Deus. Não se trata de Deus nos salvar por sua graça, mas só abençoar por nossas obras. Tudo vem da graça.

O que pode estar acontecendo é que os dons que já recebemos podem estar inibidos em nossa vida, ou ainda não tenham sido exercitados, por falta de prática espiritual. Nem sempre eles são evidentes nos cristãos. É por isso que muitos se perguntam: Se tenho dons e sou batizado, por que ando tão sorumbático, tão melancólico, e tenho sido tão inútil no Corpo de Cristo? Irmãos, o Apóstolo Paulo nos afirma que os dons devem ser buscados, como podemos ver em I Cr 12, 31: "Aspirai aos dons superiores"; e ainda em I Cr 14, 1b: "Aspirai igualmente aos dons espirituais". No entanto essa busca deve ser sempre com o propósito de ser útil ao Corpo de Cristo. Observemos que em nenhum momento o apóstolo Paulo individualiza a questão. Ele não diz "aspire!" mas "aspirai!" São imperativos plurais, onde deixa entender que quem busca, quem aspira deve fazê-lo numa perspectiva de Corpo. Não se trata apenas de termos mais dons e nos envaidecermos com isso. O que Paulo diz é que devemos alimentar o desejo de recebermos esses dons para servirmos à Igreja, aos irmãos; edificarmos o Corpo. É pois nessa perspectiva de serviço ao Corpo, de equipe, de visão da Igreja, que devemos aspirar os dons espirituais. Um segundo aspecto é que devemos aspirá-los sem desespero. Em I Cr 12, 11 diz que o Espírito distribui todos esses dons como lhe apraz. É até possível que peçamos com boas intenções, que realmente desejemos servir ao Corpo de Cristo, mas o Espírito que é soberano, conhece o que podemos desenvolver, sabe o que é bom para nós, pode dar-nos ou não. Então, se eles não se evidenciarem quando pedirmos por notar que há uma certa carência na Igreja não nos desesperemos, não fiquemos nos lamentando, não fiquemos achando que Deus não quer nada conosco. Não pensemos desta maneira! Saibamos que nem todos possuem todos os dons. Em I Cr 12, 27-30 podemos ver o que Paulo nos diz: "Ora, vós sois o Corpo de Cristo e cada um, de sua parte, é um dos seus membros. Na Igreja, Deus constituiu primeiramente os apóstolos, em segundo lugar os profetas, em terceiro lugar os doutores, depois os que tem o dom de milagres, o dom de curar, de socorrer, de governar, de falar diversas línguas. São todos apóstolos? São todos profetas? São todos doutores? Fazem todos milagres? Tem todos a graça de curar? Falam todos em diversas línguas? Interpretam todos?". A resposta é NÃO. Por este texto sucumbe a perspectiva de que o cristão, para ser espiritual, tem que falar em línguas. Deus quer que estejamos conscientes de que os dons devem ser desenvolvidos, eles não podem ser realidades estáticas. Não tem sentido nenhum recebermos um dom e passar a vida inteira sem ir além do estágio inicial. Deus quer que multipliquemos os dons e cresçamos em sua prática e uso. Os dons podem cessar ou se inibir, dependendo de como os desenvolvamos ou atrofiamos, contudo eles estão em nós potencialmente, desde o dia em que fomos batizados.

Deus conta comigo e com cada um de vocês para que não nos sintamos extremamente limitados, como se as Escrituras estivessem fechadas para nós, mas que sejamos enriquecidos com essas ferramentas preciosas que o Senhor Nosso Deus nos deu, para nos sentirmos mais livres para ensinar a Palavra, para refletirmos com mais relevância e profundidade, para que possamos crescer em graça e em conhecimento e termos definitivamente os dons agregados à nossa vida e ao nosso ministério.

Fiquem na Santa Paz do Senhor convictos de que todos nós, à medida que o tempo passa, devemos caminhar, para nos transformarmos em irmãos que ensinem, e não em eternos assistidores de estudos bíblicos e homilias e mensagens abençoadas, ou meros participantes de louvores calorosos.


Ricardo da Liturgia das 10h
 
 
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Após a morte acontece o julgamento particular. Quem faz o julgamento?
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