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Fé e Política | JULHO

“A CULTURA DE MORTE”

No último dia 28 de maio, nós fomos surpreendidos pela ampla cobertura na imprensa do inusitado fato que aconteceu ao Presidente da República durante a cerimônia de lançamento de um projeto em Brasília: Uma mulher pega a palavra e se dirigindo ao Presidente (a menos de 5 metros dele) defende entusiasticamente o traficante Fernandinho Beira-Mar. O fato chamou a atenção por vários aspectos: a falta de segurança com o Presidente da República, a possibilidade desta mulher ser irmã de um dos advogados do traficante e até a forma como o presidente conduziu e contornou a situação. Tudo isto foi amplamente destacado na imprensa e comentado inclusive nos "cafezinhos" do nosso trabalho, nas aulas na faculdade e até mesmo nos corredores da nossa Igreja.

Mas não é sobre o traficante Fernandinho Beira-Mar e nem sobre a segurança do Presidente da República que eu gostaria de refletir. O que me chamou a atenção é que praticamente ninguém sabe que projeto era aquele que estava sendo lançado pelo governo. Algum amigo leitor saberia dizer? A cerimônia em questão marcou o lançamento de um importante programa na área de saúde do Governo onde todas as famílias carentes que possuem deficientes mentais internados em hospitais públicos (na grande maioria dos casos, estão internados porque a família não possui recursos para custear o tratamento) contarão com um salário para auxiliar nas despesas além de acesso facilitado em hospitais que terão praticamente o dobro de investimentos neste ano para esse tipo de tratamento. Além de todos esses benefícios lançados pelo governo, existe um especial: O paciente voltará ao seio da família sob a supervisão de um assistente social que o acompanhará regularmente em sua "volta ao lar". Um importante projeto de resgate a uma classe excluída e esquecida no nosso país: O deficiente mental e por consequência a sua família. Especialistas na área de saúde que trabalham com esses pacientes afirmam que o apoio da família é fundamental no tratamento desses deficientes.

Fantástico, não? Mas, porque será que a imprensa optou em noticiar amplamente (e em algumas emissoras na íntegra) o discurso dessa mulher? Sei que muitos leitores estão achando que se trata de uma crítica à imprensa. Não. Trata-se de um chamado a reflexão de nós, cristãos e membros da sociedade brasileira. Existe uma forte tendência ao que chamamos de Cultura de Morte no seio da nossa sociedade. As más notícias, infelizmente, são as que vendem. E, se tem uma grande aceitação nessa venda é porque tem gente que compra. Nós somos culpados. Isso obviamente não isenta a parcela de culpa da imprensa que acaba se vendendo aos caprichos do capitalismo mercadológico em detrimento a ética e à sua missão principal que é informar e auxiliar na formação do leitor. Mas, é bem mais eficiente chamar o leitor à razão.

Quando nos horrorizamos com os casos de estupros cada vez mais crescentes em nossa sociedade e com o número de adolescentes grávidas que não param de crescer, esquecemos o quanto estamos erotizando as nossas crianças com músicas (muitas vezes compradas pelos próprios pais) apelativas e com duplo sentido (às vezes já nem mais com duplo sentido). Tudo isso alimenta a indústria da Cultura de Morte. Que, infelizmente, vende. E vende muito.

Estamos nos tornando reféns da nossa própria sociedade. Ou começamos a rever os nossos valores e descobrimos a poderosa arma que temos nas mãos que é o poder de escolha e consumo ou muito em breve seremos definitivamente escravos desse comércio da Cultura de Morte.

Um forte abraço a todos e a Paz de Cristo!

Robson Campos Leite
Email: feepolitica@terra.com.br
 
 
VEJA NO MÊS DE JULHO/2003:

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cf2008

Após a morte acontece o julgamento particular. Quem faz o julgamento?
Deus.
Você mesmo(a).
A Corte Celeste.

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