Há algum tempo atrás fomos abalados com uma triste notícia
nos jornais. Chefe de família de classe média alta dizimava
a todos (esposa e duas filhas) e em seguida se suicidava.
E a família inteira, de repente, não acorda!!!
A notícia chocante aos poucos foi-se esclarecendo o limite
entre o ter, o manter o padrão de vida e a realidade um fracasso
financeiro, um seqüestro, depressão, vida sem esperança
derrubava aquele homem e sua família.
Parece-nos absurdo o que fez aquele homem mas desse desespero só
ele podia nos falar. Não o fez; calou-se, não dividiu
com os seus; desesperou-se e a saída encontrada foi aquela...
Porém dias depois outra notícia nos acalentava. Uma
carta amiga endereçada ao jornal O Globo, falava-nos sobre
a reflexão do Pe. Jorjão em missa pela família.
Como é bom sentir a lucidez de um religioso que, embora não
tenha vivido a situação, a cada dia ouve, participa,
comunica-se com seus fiéis, transmite e recebe o amor fraterno.
Eis o trecho publicado há dias atrás e digno de ser
refletido e apreciado pelas famílias de nossa comunidade:
"Preocupem-se menos com o TER e mais com o SER. Vão para
casa e abracem suas famílias. Abracem seus pais, suas mães,
e entendam que o grande valor da vida está na família.
Cerquem-se de amor e não de valores materiais.
Estamos assistindo a uma juventude que não consegue resistir
aos apelos do consumo, que não sabe dizer não ao dinheiro.
O que é seu precisa ser melhor que o do vizinho. Não
sobrevivem sem grifes, sem viagens, sem compras nem restaurantes caros.
Não são capazes de estar sozinhos, com um bom livro,
com a sua consciência, com sua família. Vivem em bando,
não convivem com o silêncio, nem com a solidão.
E cobram dos pais, cobram sempre, querem mais.(...)
Filhos nossos, adolescentes, jovens, por favor, reflitam enquanto
é tempo. Dividam com seus pais as dificuldades. Pais, partilhem
com seus filhos seus momentos, bons ou maus. Unam-se, somem em vez
de dividir. Encurtem distâncias. O dinheiro ou a falta dele
não pode mais, de jeito algum, tirar vidas. E pais desesperados
devem saber que, junto com suas famílias, sempre encontrarão
uma luz no fim do túnel."
Cabe-nos refletir: a única solução está
na família, no diálogo sempre, sempre, sempre.. Sem
subterfúgios, sem mesuras, sem disfarces. Só crescemos
sendo realistas, isto é, com pé no chão e coração
em Deus.
Nelson e Teresa (9º ECC) |