- Evangelho de João (7)
De Jo 2 falta comentar o v. 12 que é o apêndice do quadro das Bodas de Caná e os vv. 23-25. Eles nos falam dos ouvintes de Jesus: “a sua mãe, seus irmãos e seus discípulos” (v.12), e “muitos que, vendo os sinais, creram no seu nome” (2,23).
Segue-se, porém, uma importante observação do evangelista: “Mas Jesus não tinha confiança neles, porque os conhecia a todos” (v.24).
Conhecemos da mãe de Jesus o entendimento, pelas palavras que a ele dirige quando o reencontra nas Bodas de Caná: “Eles estão sem vinho”. São palavras que revelam uma compreensão única que ela tem do seu filho, ainda mais manifesta por aquilo que diz aos serventes; “Fazei tudo o que ele vos disser”. É a mulher de fé que “tudo guarda no seu coração e o medita”, o que lhe permite crescer sempre mais na graça. Não acontece a mesma coisa com os irmãos e os discípulos. Sabemos do desânimo pelo qual muitos deles foram tomados, quando Jesus os chamou para um desafio crucial: “Esta palavra é dura, quem pode escutá-la”? (6,60). Diante do mesmo discurso de Jesus, Judas toma a determinação da traição ao seu mestre.
O próprio Jesus declarará aos Apóstolos que não poderão segui-lo para onde ele está indo e que Pedro o renegará antes que o galo cante, apesar da declaração do evangelista quando é realizado o primeiro dos sinais por Jesus: os discípulos, ao verem a sua Glória, creram nele. Assim também, os que chegam a crer no seu Nome, ao ver os sinais que fazia, não merecem a confiança de Jesus que conhece os passos que a fé deve dar para se tornar inabalável. Na própria Mãe de Jesus existia uma contínua necessidade de superação diante da ação profética do seu Filho, embora dele conhecesse a condição divina desde a Anunciação do Anjo. Nesses termos se expressa Lucas, diante da pergunta que José e Maria fazem a Jesus quando o reencontram no templo. Uma resposta cheia de mistério: “Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo estar na casa de meu Pai?”
Eles, porém, não compreenderam a palavra que ele lhes dissera” (Lc 2,49s). Podemos imaginar a dificuldade dos Apóstolos e do povo. Todos imbuídos por um falso messianismo de cunho político, esperavam que Jesus restabeleceria o Reino de Israel com uma ação militar. Pedro até pega a espada e acaba cortando com um golpe, a orelha de Malco.
Jesus não nega que os que acolhem as suas palavras já estejam no caminho da salvação. Trata-se, contudo de um começo. É preciso deixar que o Pai os atraia. Tornar-se-á necessário que aceitem a realidade da imolação do Filho do Homem, que abracem a condição de servos, à semelhança do Filho do Homem que veio não para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos. Os discípulos terão que abandonar o pensamento do homem terreno para abraçar os mandamentos daquele que vem do alto e que tem palavras que possuem o Espírito sem medida. Quando chegarem a comungar da sua carne dada para a vida do mundo, então viverão por ele, porque terão encontrado o alimento que o Filho do homem quis dar, segundo o Espírito com o qual o Pai o marcou. Segue a Jesus e encontra o caminho da sua realização aquele que faz da sua vida “um sacrifício espiritual agradável ao Senhor...”, discernindo “o que é bom, agradável e perfeito” (Rm 12,1-2).
Perguntas para uma reflexão:
1ª) Qual é o entendimento que Maria, a mãe de Jesus, tem das palavras dele?
2ª) Por que os discípulos ainda não podem entender plenamente a Jesus?
3ª) Quando se realiza o pleno seguimento de Jesus?
Pe. Fernando Capra/CRSP http://comentariosbiblicospadrefernandocapra.blogspot.com Visite o blog!
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