“Todos os dias quando acordo, não tenho mais o tempo que passou”. Renato Russo
Nessas últimas semanas, muito se tem falado no tempo e na necessidade de compreendê-lo para viver bem cada minuto que Deus nos oferece gratuitamente durante a vida.
O ser humano tem diante de si duas grandes limitações: espaço e tempo. Não podemos fugir desses limites que nos são impostos.
Estamos em determinado local e nunca podemos estar (com exceção de alguns homens e mulheres santos cujas biografias registram o famoso dom da bilocação!) ao mesmo tempo em outro. O mesmo se dá com o tempo: somos prisioneiros de uma determinada época, e o relógio, até que alguém prove o contrário, não dá passos para trás (máquinas do tempo fazem parte da ficção do cinema!). Assim respeitar o nosso espaço e compreender o nosso tempo são atitudes que nos possibilitam fazer o melhor que podemos com cada um deles.
Quando pensamos no tempo e olhamos o passado, descobrimos que a humanidade o encarou de modo diferente ao longo dos séculos.
A primeira percepção temporal humana estava relacionada com o cosmo, com o movimento dos astros e estrelas, com as fases da lua e o ciclo das estações.
O ser humano festejava o dia e temia a noite e seus dias iam, de par em par, seguindo o ritmo da natureza. Já adiante a cultura grega soube pensar um pouco sobre o tempo e trouxe a percepção natural para a vida subjetiva do homem. Nós também somos eternos repetidores do tempo, diriam os gregos e tudo o que fazemos começa num ponto e, depois de uma espiral de acontecimentos, retorna ao seu início novamente. O eterno retorno era uma das bases do pensamento de muitos filósofos gregos.
Mas há ainda a percepção judaica do tempo: para o povo judeu, o tempo teve começo, meio e fim. Deus criou tudo, organiza tudo e, na hora certa, vai levar tudo à plenitude tudo o que foi criado um dia. Poderíamos ainda completar estas idéias com outros pontos de vista, mas acho que com estas três perspectivas de tempo já podemos entender como nós no século XXI, compreendemos o tempo que nos limita: continuamos a ser marcados pelo tempo do cosmo, sentimos que tudo vai e retorna de certa forma, mas subjetivamente, e por causa de nossa experiência de fé cristã, herança de raiz judaica, nós acreditamos que nossa vida teve seu começo e terá seu fim na plenitude do colo de Deus. Além disso, ainda existe a relação personalizada com o tempo, aquela sensação de que o tempo passa rápido ou lento, de acordo com a nossa disposição existencial e sentimental. Bom, por tudo isso fica para vocês, queridos leitores, a necessidade de organizar seu tempo, ainda mais neste tempo de fim de ano em que as decisões são necessárias para bem começar o próximo ano. É hora de avaliar as ações, as conquistas e derrotas. É hora de pedir perdão pelos erros cometidos e sonhar com dias melhores. É hora de pensar nos caminhos da vida profissional, pessoal e familiar. O tempo que nos é dado de graça, é também o único momento possível de fazer acontecer ao nosso redor a experiência da graça de Deus, da partilha e solidariedade.
Que tal não perder mais tempo na vida?
Extraído de artigo de Pe. Evaldo César de Souza, CSS.R
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