É UMA CARTA que surge de uma necessidade pastoral. Epafras, fundador da comunidade cristã de Colossas, pela pregação do Evangelho tinha encaminhado os seus concidadãos a viver no “amor no Espírito” (1,8). Fúteis especulações sobre o governo do anjos, contrárias à doutrina da primazia de Cristo, tentavam levar os colossenses a um culto exagerado aos Tronos, Dominações, Principados e Potestades, as quais, segundo a tradição judaica, regiam o universo. Por sua vez, os judaizantes queriam impor a circuncisão, voltar a celebrar festas, lua nova, sábados e a observar prescrições legais acerca dos alimentos, esquecidos que a nova realidade é a Igreja, Corpo de Cristo (2,17; 1,18). Paulo, para poder intervir, lembra, primeiro, como já fez ao escrever aos romanos, a sua condição de Apóstolo. Escreve, em seguida, uma apologia da fé. Retoma conceitos já apresentados em cartas anteriores, aqui aplicados para mostrar a superioridade da fé em relação às falsas doutrinas. Lembra aos colossenses que foi pelo Evangelho da Palavra da Verdade que conheceram a Graça de Deus. Por ela receberam a vida de fé, caridade e esperança.
Devem, agora, cultivar o “seu amor no Espírito” para chegar à plena sabedoria e discernimento espiritual. Terão, então condição de viver o conhecimento de Deus na sua plenitude, fazendo sempre a sua vontade. Dessa forma produzirão frutos em boas obras pela eficaz energia do poder da sua Glória e experimentarão a alegria na constância nas tribulações e celebrarão a ação de graças ao Pai, motivados pela certeza da sua eleição. A Graça de Deus nos foi obtida pelo Filho, a Imagem do Deus invisível, o Primogênito de toda criatura, incluídos Tronos, Dominações, Principados e Potestades que, Deus acorrentou para ser arrastadas atrás do carro triunfal do seu Filho. Ele é a Cabeça da Igreja, seu Corpo. Nele habita a Plenitude da divindade. É por ele que fomos reconciliados com Deus, pelo sangue de sua Cruz. Por que voltar à escravidão da ignorância e recair nas trevas?
“Vós colossenses, que quereis abraçar a especulação do governo dos anjos sobre o mundo e a eles prestar culto, diz Paulo,deveis lembrar que Cristo Jesus vos reconciliou no seu corpo de carne, entregando-o à morte e que a partir do vosso batismo, quer operar a sua santificação para vos apresentar a Deus Pai, santos... imaculados... e irrepreensíveis. Por isso, ficai firmes na fé”. À essa altura, Paulo retoma a descrição que fez de maneira extensiva da sua santificação através da constância nos sofrimentos, quando escreveu a 2Cor, para que os colossenses apreciem sempre mais a Plenitude que está em Cristo, riqueza da Glória e esperança da Glória. Trata-se da grande luta que ele está empreendendo, juntamente com Epafras (4,12) “para que sejam confortados os vossos corações” (2,2), o mesmo que fez em relação aos coríntios (2Cor 1,6), “para que cheguem à riqueza da plenitude do entendimento e à compreensão do mistério de Deus, Cristo” (Cl 2,2).
Os fiéis que ressuscitaram com Cristo devem olhar para as coisas do alto e esquecer as coisas da terra: praticar a purificação dos seus pecados no sangue de Cristo para tornar os seus membros arma de justiça; remover qualquer diafragma que os impeça de ver a Deus, revestindo-se de compaixão, bondade, humildade mansidão, longanimidade, suportando e perdoando as ofensas.
A Palavra é o instrumento para a ação de graças seja na celebração da Graça de Deus como no testemunho na vida de cada um, mulheres, maridos, filhos, servos, senhores.
Pe. Fernando Capra - CRSP
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