Apocalipse (5) - Divisão e conteúdo (continuação)
A teologia da História (Ap 8,1-20,15)
A destruição da Cidade terrena, embora as preces dos santos já tenham sido atendidas, ainda não aconteceu porque Deus está usando de misericórdia com os homens. À semelhança do que ocorreu com Israel, Deus está, no momento, enviando castigos corretivos, na esperança de que os homens se arrependam dos seus pecados. Os castigos são descritos com imagens tiradas de profetas, como Isaias, Jeremias, Ezequiel e Joel (Ap 8). Ap 9 descreve os castigos com referências específicas à História de Israel: na primeira parte, à invasão assíria, na segunda parte, à invasão dos caldeus.
Diante da obstinação de Israel nos seus pecados, com a Morte de Cristo, a missão de anunciar o evangelho da salvação foi retirada do antigo Israel e foi entregue à Igreja, o Novo Israel (Ap 10). Os profetas que cumprem a missão de profetizar contra povos, nações, tribos e línguas, são irresistíveis pelo tempo da sua missão. Terminada esta, Deus permite que a Cidade terrena, "que se chama simbolicamente Sodoma e Egito, onde também o Senhor delas foi crucificado" (11,8), os mate, diante de um povo que a aplaude. Contudo, transcorrido o tempo destinado ao perseguidor, Deus chama os seus profetas para o triunfo, enquanto a Cidade terrena é totalmente destruída (Ap 11). A mesma sorte está reservada a todos os fiéis da Igreja. Eles são perseguidos e mortos pela Besta que sai do mar, com a qual coopera a Besta que sai da terra e que agem com o poder do Dragão. Mas elas têm pouco tempo, porque, em virtude da Morte de Cristo, Satanás já foi expulso do céu. A este resta somente o tempo final, depois do qual será lançado no lago de fogo. Então, os mártires seguirão a Cristo aonde quer que ele vá e poderão cantar um canto novo e ter um nome novo que somente eles conhecem (Ap 12,1-14,13). Os maus serão ceifados pelo Filho do Homem que os pisará no lagar da ira de Deus. Os mártires assistirão ao triunfo do Senhor da Igreja, que punirá com castigos eternos os maus e destruirá os reinos da terra. A Cidade terrena será destruída para sempre porque se prostituiu aos ídolos e se embebedou com o sangue dos mártires (Ap 14,14-18,24). O Filho do Homem que triunfa com a sua Morte é o Verbo de Deus, "Fiel" e "Verdadeiro", que tem na cabeça uma coroa com muitos diademas e veste um manto embebido de sangue, com um nome inscrito nele: "Reis dos reis e Senhor dos senhores". Segura na mão um cetro de ferro e de sua boca sai uma espada que fere as nações. Ele já dominou Satanás, que, todavia, ainda persegue, pelo tempo que lhe resta, a Cidade amada, mas ela não será vencida. Os que são decapitados "por causa do Testemunho de Jesus e da Palavra de Deus" já conhecem o triunfo com Cristo e certamente não conhecerão a segunda morte na qual incorrerão os que não tiverem seu nome inscrito no Livro da vida (Ap 19-20).
As Núpcias do Cordeiro (21,1-22,5)
Os que mantiveram suas vestes limpas, lavando-as no Sangue do Cordeiro, revestidos de um manto resplandecente, que são as suas boas obras, serão a Nova Jerusalém, a Mulher vestida de sol, coroada de doze estrelas. Jesus Cristo, que sempre a amou, a desposará para sempre. Será iluminada pela luz de Deus e do Cordeiro. A ela virão todos os povos da terra trazendo seus presentes. Abeberar-se-á à Água cristalina que sai do trono de Deus e do Cordeiro.
Epílogo (22,6-21)
O epílogo retoma o tema do Prólogo: 'Pelo dom da profecia que me foi concedido, diz João, pude ver claramente' "o que deve acontecer em breve", "feliz aquele que observa as palavras da profecia deste livro" (22,7). Deus, na sua misericórdia, nos admoesta, porque o Tempo da sua vinda está próximo. "Felizes os que lavam suas vestes" (v.14) porque receberão em herança a vida eterna.
Perguntas para uma reflexão:
1ª) Quais são as figuras do AT utilizadas por João para descrever os castigos corretivos que Deus inflige à humanidade para que se converta?
2ª) Qual é a sorte dos profetas chamados a anunciar o Evangelho?
3ª) Qual é a sorte da Cidade amada, porque viveu o testemunho de Cristo, aqui na terra?
Pe. Francisco de Assis Maria Leite - CRSP |