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Fé e Política |JANEIRO

"A opção preferencial pelos pobres”

A frase que encabeça o nosso artigo deste mês foi o grande marco da III Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e Caribenho realizado no ano de 1979 na cidade mexicana de Puebla. Essa conferência Episcopal foi importante para a América Latina que vivia, naquela época, as marcas das ditaduras e da profunda miséria em grande parte do continente. Muitos historiadores e cientistas políticos consideram que essa conferência episcopal foi decisiva para o início de um novo tempo na Região da América Latina e do Caribe. A volta da Democracia no Brasil, através da Constituinte de 1988 onde a participação popular através dos grupos organizados pela CNBB, é um belo exemplo que pode perfeitamente ser considerado como conseqüência desta Conferência. Entretanto, ao contrário do que pode parecer, a opção preferencial da Igreja pelos pobres não surgiu com a publicação dos documentos de Puebla, mas pela prática e ensinamentos do próprio Cristo muito claramente colocados nos Evangelhos.

Ao avaliarmos, por exemplo, a passagem marcante do Juízo Final (Mt 25, 31-46), nós percebemos claramente a identificação do rosto de Deus com o rosto do "irmão mais pequenino". "Quando fizeste isso ao menor dos meus irmãos foi a mim que o fizeste".
Essa identificação incondicional se torna desafiadora para nós, principalmente na sociedade moderna onde os contra valores do consumismo desenfreado se tornam o verdadeiro deus de muitos.
Como se dizer Cristão quando o próprio Cristo deixa claro que somente alcançará a salvação aquele que o ver preso e for visitá-lo, aquele que o ver despido e o vestir? Essa palavra se torna ainda mais forte quando Jesus não deixa dúvidas ao dizer que não é apenas fazer isso a um irmão, mas ao "mais pequenino desses irmãos", ou seja, o excluído. Outro detalhe ainda nesta reflexão que não pode passar em branco é que essa ação em prol do "menor dos meus irmãos" tem que ser de resgate, ou seja, de inclusão. Digo isso para que não nos deixemos enganar com as falsas atitudes assistencialistas que não recuperam ninguém, mas apenas escravizam e tornam os irmãos excluídos cada vez mais dependentes e longe de uma verdadeira inclusão social. Por outro lado, não podemos esquecer que, conforme dizia o Sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, "Quem tem fome tem pressa".
Também não podemos nos justificar na necessidade urgente de buscarmos políticas públicas e verdadeiramente inclusivas para continuar apenas criticando os projetos assistencialistas e ficando de braços cruzados. Precisamos fazer a nossa parte.
Seja em nossa comunidade, em nossa pastoral ou até mesmo em nosso trabalho, nós precisamos exercer essa opção preferencial do Cristo. A opção pela vida e pela vida em abundância. A injustiça, a fome e a desigualdade social existentes em nosso continente são pecados graves que não podemos compactuar.
Estar calado diante disso tudo é ser conivente com essa situação. É ser um Pôncio Pilatos na sociedade moderna.

Sei que muitos leitores podem estar se perguntando por que escrevi sobre esse assunto na abertura deste novo ano. Faço isso porque teremos neste ano de 2007 a V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e Caribenho aqui no Brasil, mais precisamente em Aparecida do Norte São Paulo. Apesar de, conforme citei acima, estarmos vivendo em um continente mais democrático do que na época de Puebla, ainda temos profundos e graves problemas sociais na América Latina do nosso tempo.
Fome, miséria, violência, corrupção, desigualdades sociais e forte concentração de renda ainda são os grandes desafios a serem vencidos no nosso continente. Roguemos a Deus para que essa V Conferência Geral que contará, inclusive, com a presença do Papa Bento XVI, seja também um marco para uma nova América Latina com mais inclusão social, participação popular e, acima de tudo, um direcionamento de transformação do nosso Continente para o tão sonhado Reino de Amor pregado pelo Cristo nos Evangelhos.

Um forte abraço a todos e a Paz de Cristo!

Robson Campos Leite
Email: feepolitica@terra.com.br

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VEJA NO MÊS DE JANEIRO/2007:


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