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Vamos conhecer a Bíblia |JANEIRO

1 e 2 Carta aos Tessalonicenses (3)

As duas cartas têm como tema central a segunda vinda de Cristo a Parusia. Os dois escritos não se contradizem, mas se complementam. As suas cartas posteriores falam mais do Cristo presente na Igreja do que na sua segunda vinda.

A primeira carta fala das alegrias que sente ao saber da fidelidade deles e da esperança que tem ele de vê-los progredir sempre mais, convida-os a se mostrarem firmes e encoraja-os a viverem na esperança, falando lhes da ressurreição dos mortos.

Paulo os felicita por sua vida cristã, lhes dá notícias próprias e lhes explica as questões que os inquietam: exigências concretas da fé, castidade, relações com pagãos e o tema da parusia.

A 1 Ts é marcadamente pastoral, em que o coração do pastor e pai se dirige aos filhos bem-amados para reconfortá-los (2,7-11).
Daí a índole simples e familiar da carta; diríamos que o Apóstolo queria continuar por escrito os colóquios orais, que outrora iniciara nas casas dos tessalonicenses. Por isso muitas vezes lhes lembra a catequese oral: " sabeis, bem sabeis, estais recordados, ainda vos lembrais..." ( Cf.1,5; 2,1-2.5.9.11; 3,3s; 4,2; 5,2).

A epístola contém uma parte teológica importante: 4,13-5,11, seção em que o Apóstolo tenta dissipar as dúvidas dos fiéis relativas à parusia. Em 4,13-18 trata da sorte dos defuntos por ocasião da parusia, ao passo que em 5,1-11 disserta sobre a hora do retorno de Cristo.

Na verdade, para o cristão, a morte é apenas a passagem da vida peregrina para a vida em plenitude; não morremos, mas apenas trocamos de morada. Qualquer momento pode ser definitivo; o Senhor virá como um ladrão durante a noite. Por isso o cristão deve viver sempre na presença do Senhor, que lhe está presente, embora velado, mas prestes a se revelar a qualquer momento. Quem procede reta e santamente nada tem a recear.

Na segunda carta, Paulo volta a insistir sobre o tema da parusia, mas com um enfoque novo, pois a principal razão da sua escrita era a necessidade de corrigir certas idéias errôneas sobre a parusia que haviam surgido naquela Igreja. Paulo procura tranqüilizar os fiéis e os exorta a trabalhar, pois a parusia ainda estava distante. Ele adverte os fiéis a respeito das falsas idéias relativas a volta grandiosa de Jesus. Ele segue a doutrina do Evangelho: ela certamente ocorrerá, mas o momento é desconhecido. Por isso mostra a importância de se estar vigilante. Para provar a distante parusia, o Apóstolo aponta algo de novo, ou seja, sinais precursores da segunda vinda. É a indicação desses sinais que caracteriza a 2 Ts. Ele aconselha os fiéis a confiarem em Deus para que se fortaleçam e sejam preservados, não caindo nas ciladas do demônio, devendo evitar a ociosidade. Paulo aponta dois sinais que devem anteceder o fim dos tempos: a grande apostasia e o surto do famoso Pecador.

De modo especial, merecem atenção suas orientações a respeito do significado das conseqüências na vida da expectativa da volta do Senhor (4,13-5,10). Em contraste com a inquietude que este tema geralmente suscita, Paulo ensina total serenidade. Os fiéis, esperando a volta de Cristo para breve, não precisam preocupar-se com a sorte dos que já morreram: eles ressuscitarão e precederão aqueles que ainda estivererm com vida ao encontro do Senhor. O quem importa é viver de tal modo que o reencontro com o Senhor seja uma alegria!

Na perspectiva da vinda de Cristo, o cristão não pode deixar de se empenhar na fé e na responsabilidade do dia-a-dia um antídoto contra o fanatismo apocalíptico.

Com bondade, Paulo exorta essa congregação a ter confiança enquanto o dia do Senhor se aproxima e a levar a vida cotidiana com calma, responsabilidade e amor. Esses conselhos são válidos para todos os tempos e, a esse respeito, Paulo destaca a importância do exemplo cristão. A maneira como uma pessoa leva sua vida cristã afeta os outros, sejam eles cristãos ou não. Para os cristãos, esse é um meio de fortalecer uns aos outros na fé e em nosso compromisso comum de servir a Deus enquanto esperamos a glória final que nos foi prometida.

Para os não cristãos, nosso exemplo dá testemunho do radicalismo de nossa dedicação a um Deus que deseja que vivamos como filhos dele, que sejamos fiéis a algo que está além de nós mesmos e que é único, verdadeiro e vivo.

Continua no próximo número

Jane do Térsio

 
 
 

VEJA NO MÊS DE JANEIRO/2007:


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