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Cristologia - O Cristo ressuscitado III
Os
evangelhos que nos falam da ressurreição são fruto de uma
reflexão à qual os Apóstolos foram impelidos pelo sinal da
tumba vazia. Aquele Jesus que chegaram a reconhecer como Messias e que lhes tinha
predito a sua Paixão e Ressurreição se revelava o Santo que
não podia conhecer a corrupção (At 2,31). São Pedro,
com os outros apóstolos, proclama: "Deus o ressuscitou dos mortos
e disso nós somos testemunhas" (v.32). O testemunho dos Apóstolos
se fundamenta na convicção inabalável que Cristo Jesus ressuscitou,
promovida neles pelo Espírito Santo, a partir do momento em que Jesus se
manifestou diante deles com as chagas gloriosas da sua Paixão. Na base
dessa convicção corroborada pela visão aos discípulos
de Emaús e pela Ascensão, no topo do Monte das Oliveiras, chamado
Galiléia, isto é, topo arredondado, surgem as narrativas teológicas
da ressurreição que se diversificam pelos detalhes, não pelo
conteúdo de fé, acerca da Ressurreição de Cristo.
Mateus
fala da ressurreição como de uma constatação de um
fato acontecido. As mulheres que se perguntam quem lhes rolará a pedra
do sepulcro são aquelas às quais o Anjo da ressurreição
lhes explica o que elas são chamadas a crer: "Aquele que procurais
não está aqui, ressuscitou". Desde o momento em que Jesus entrega
o espírito ao Pai, no momento da sua Morte de Cruz, ele entra na Glória
da Divindade. Aquilo que os discípulos transportam para o túmulo
é o corpo, o cadáver daquele que foi o Jesus enquanto estava na
terra. Sepultado o corpo de carne, ressuscita um corpo espiritual (1Cor 15,44).
A matéria que Jesus glorificou é sinal, para nós, da sua
ressurreição corporal e da glorificação da matéria
que, necessariamente, é arrastada na condição gloriosa do
Adão glorificado. O Anjo da ressurreição transmite o que
o próprio Jesus diria. Aliás, na intenção de Mateus,
ele é o próprio Jesus com os sinais da sua condição
divina: as vestes brancas e o rosto resplandecente (Mt 28,3). Os conteúdos
da Ressurreição dos quais a tumba vazia é o sinal, estão
aí, representados por figuras e metáforas próprias da linguagem
bíblica.
Lucas, que é o nosso interprete da linguagem bíblica
de Mateus, descreve o mesmo quadro com o intuito de nos transmitir os conteúdos
doutrinais de uma ressurreição que Jesus predissera. A sua exposição
é mera paráfrase do quadro de Mateus porque, de fato, pouco pode
ser acrescentado à perfeição teológico-bíblica
do primeiro evangelista. Lucas, todavia, acrescenta algo importante: a ressurreição
está ligada à predição da Morte como algo determinado
por Deus em relação ao Filho do Homem. Ela é, portanto, um
mistério, no que diz respeito à sua natureza. Contudo, como
fato, revela a condição única de Jesus. Na sua ressurreição
tem algo ligado às profecias messiânicas que apontam para uma sua
condição divina. A fé na divindade de Jesus foi algo que
amadureceu como uma evolução do conceito da messianidade de Jesus.
Esta sofreu uma transformação diante dos sofrimentos da Paixão,
enquanto aceitos como próprios do Messias, e, à luz da sua ressurreição
que apontava para a condição divina do Cristo do Senhor, foram entendidos
como gestos divinos para uma Redenção dos homens. Uma doutrina de
imensas conseqüências era, então, a que Jesus deixava aos apóstolos
enquanto se despedia deles, prometendo, contudo, que o Espírito lhes lembraria
todas as coisas e os levaria à plenitude da verdade.
Toda a riqueza
de uma doutrina que sabe reconhecer no homem Cristo Jesus a condição
de Pessoa divina do Filho é atribuída ao Espírito. Desta
ação, pela qual a Igreja se torna arauto da divindade de Jesus,
Lucas nos faz uma admirável exposição pela descrição
do que aconteceu no dia de Pentecostes. É pelo Espírito que a Igreja
anuncia a divindade de Cristo e é ainda pelo mesmo Espírito que
todos os homens, independentemente das suas línguas ou raças, acatam
a mesma fé. Com isso, desde o início, a Igreja está de posse
da doutrina acerca do Senhor ressuscitado que proclama o Filho abertamente manifestado
com poder no Espírito de santidade (Rm 1,4). A reflexão teológica
foi multiplicando os seus conteúdos e distinguindo-os sempre mais até
nos dar a doutrina que até agora professamos.
Perguntas para
uma reflexão:
1) Qual é o sinal e quais são as
aparições que levam os Apóstolos a uma convicção
inabalável de que Jesus ressuscitou?
2) Quais são os termos
e as figuras da linguagem bíblica de Mateus quando fala da ressurreição
de Jesus?
3) De que forma Lucas liga a ressurreição de Jesus
às profecias do A.T.?
Pe. Fernando Capra/CRSP |
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