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"Cotas Raciais: Por que sim?”

Em Junho do ano passado, no colégio Marista São José na Usina, eu tive a honra de integrar a mesa de um debate promovido pelo Ibase sobre as cotas raciais. Debate que contou também com a presença da Professora, Doutora em Sociologia e Coordenadora da Action Aid Brasil, Rosana Heringer, que muito nos enriqueceu com as suas reflexões e colocações acerca desse importante tema para a nossa sociedade: "Cotas raciais: Por que sim?"

Entretanto, o que mais me chamou a atenção neste evento não foram as colocações promovidas pelos demais integrantes da mesa, e sim a reação adversa ao tema que alguns alunos presentes no debate tiveram. Perguntas do tipo: "Porque eu tenho que ceder a minha vaga para um aluno negro?", ou ainda, "Porque o Brasil dos brancos precisa perder para o Brasil dos negros ganhar?" foram as mais contundentes e incisivas ouvidas por nós neste dia. E é exatamente sobre esse sentimento que eu gostaria de refletir na nossa coluna deste mês.

A questão racial no nosso país está muito mais ligada ao problema das oportunidades e da imensa crise do coletivismo em que a nossa sociedade está mergulhada do que com os dados estatísticos do IBGE que indicam a ausência dos negros e pobres na Universidade (Ao mesmo tempo em que temos 46% de negros na população brasileira, existem apenas cerca de 8% nas universidades) ou a necessidade de separarmos o problema racial (constatado ao analisarmos esses dados estatísticos que demonstram a ausência do pobre e do negro nas universidades e até nos melhores empregos) do problema da baixa qualidade da educação em nosso país, em especial da educação pública. A sensação que temos é que as pessoas estão muito mais preocupadas com os seus interesses particulares do que com o coletivo, com o todo e, porque não dizer, com o bem-comum. A idéia da partilha e da equidade de oportunidades são esquecidas quando temas que visam a igualdade e a diminuição de diferenças sociais são abordados. Um bom exemplo disso é a forma como refletimos sobre os problemas da violência em nosso País.

Uma parte considerável da nossa sociedade tem a falsa sensação que a violência será resolvida apenas com projetos de segurança pública e, em alguns casos, até mesmo privada. Infelizmente, para essas pessoas, eu tenho uma triste notícia: Não será morando em condomínios fechados e blindando os carros que uma pequena camada da nossa sociedade se livrará da violência.
Ela está crescendo cada vez mais como um câncer. Um tumor que se alimenta da miséria, da falta de oportunidades, do preconceito e principalmente do egoísmo. Chega a ser curioso ouvir alguns políticos falarem sobre distribuição de renda. Dá vontade de perguntar: "Qual renda vocês querem distribuir?". A questão das cotas está ligada a esse sentimento. Ninguém quer tirar nada de ninguém. O que se deseja com as cotas é tentar, de forma bastante objetiva, criar oportunidades iguais para todos, incluindo neste grupo os negros e pobres. A nossa sociedade somente crescerá, tornando-se igualitária e justa, quando a busca pelo bem comum for discernida e abraçada por todos.

Concluo esse artigo com um pensamento contido no filme "O poder de um Jovem", que conta a história do Apartheid na África do Sul: "A inclusão, e não a exclusão social, é a chave da sobrevivência pacífica e harmoniosa de uma sociedade". Somente assim, levando a sério esse pensamento através de ações práticas de curto, médio e longo prazo, incluindo aí, políticas públicas que resolvam de frente os problemas de desigualdade como o acesso dos negros e pobres na universidade, é que construiremos uma sociedade mais justa, igualitária e consequentemente Cristã.

Um forte abraço a todos e a Paz de Cristo!

Robson Campos Leite
Email : feepolitica@terra.com.br

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