Agente formador da Dignidade e Amor ao Próximo
Ao
folhear uma revista, chamou-me a atenção este trecho de uma reportagem:
"Acabar com o analfabetismo no Brasil e garantir a todos os brasileiros o
direito de aprender a ler e a escrever, são propostas do programa Brasil
Alfabetizado". Fiquei muito feliz, pois nós, no Loreto, já
viemos mantendo há oito anos o nosso Curso de Alfabetização
de Jovens e Adultos com essa mesma proposta.
Em 1998, fui convidada pelo
pároco na ocasião, Pe. Victor, a coordenar a Campanha da Fraternidade,
cujo Tema era: Fraternidade e Educação. Lembro-me que dos cinco
objetivos a alcançar um deles tocou direto o coração: A ERRADICAÇÃO
DO ANALFABETISMO. Recorri à "Tia" Hélia, minha mestra
e conselheira (juntas fazíamos parte da "Evangelização
2000"), que prontamente respondeu: "Só tem um jeito: criar um
curso e ensinar a ler a quem não teve essa oportunidade na época
devida". Deu um nó na minha cabeça, pois veio logo a pergunta:
Meu Deus, como eu posso fazer isso, se não me sinto preparada para
tão grande tarefa? E Deus imediatamente mandou-me a resposta: "não
é você quem vai fazer, só peço para ser o meu INSTRUMENTO".
Deste modo, eu não tinha outra alternativa senão arregaçar
as mangas e ir à luta. O primeiro passo seria anunciar nas Missas, e esperar
os voluntários mestres e os alunos que se inscrevessem. E assim aconteceu.
Logo chegaram os primeiros "anjos" escolhidos por Deus, nosso
Mestre Maior: Adélia, Cely, Francisca Cabrinde , Maria Emiliana , Norma
Suely, Paiva, Renata de Melo e outras, que me perdoem, pois teríamos uma
lista enorme de voluntários que já passaram com seus valiosos trabalhos,
porém estes foram os "primeiros guerreiros". Com o apoio total
do pároco, fomos construindo aos poucos o nosso curso com muitas indagações,
através de longas reuniões de reflexão, como por exemplo:
"Quase chegando ao século XXI ( 1998 ), será que em Jacarepaguá
apareceriam pessoas com este perfil ? O que eles vêm buscar? O que trazem
de bagagem cultural? Foi no diálogo das entrevistas com os alunos, nas
inscrições para o curso que vieram as respostas e íamos nos
surpreendendo com a beleza da MISSÃO que Deus colocava em nossas mãos.
E aos poucos, montávamos nosso Projeto com: objetivos, metodologias, dinâmicas
de funcionamento e um regulamento. Enfim, iniciamos com cerca de 60 alunos, formando
três turmas, separando-os por dificuldades. Aos poucos, fomos nos dando
conta de que não estávamos ali só para ensinar, mas resgatar
sonhos, projetos, identidade, auto-estima, o respeito à dignidade de cidadão.
Gente que ao perguntarmos porque buscavam a escola, simplesmente respondiam:"quero
aprender o meu nome,procurar um emprego e ter uma vida melhor", "sou
porteiro e tenho muita dificuldade na hora de receber e de assinar as notas fiscais
das mercadorias que chegam no prédio", "quero um dia ler a Bíblia
pois acho tão bonito quem sabe"; "quero ler mais sobre as plantas
e saber cuidar melhor delas", "ler um bilhete de meu (minha) namorado(a)"
e outros tantos ricos depoimentos que não caberiam neste curto espaço.
Também nós, voluntários, íamos realizando nossos sonhos
de Educadores, vencendo desafios, criando uma estratégia própria
e cristã, pois a Evangelização é parte integrante
do Projeto.
As soluções para as dúvidas que iam surgindo
brotavam imediatamente, a exemplo, como não era um curso oficial, não
oferecíamos um certificado que servisse para a continuidade de seus estudos.
Com a ajuda de uma voluntária fizemos uma espécie de Convênio
com o Ensino Supletivo, que dura até hoje: encaminhamos os alunos interessados
e que já atingiram a primeira fase da alfabetização para
essas escolas , através de um documento próprio, o que facilita
a sua matrícula, apesar de muitos preferirem ficar conosco, pois através
de seus próprios depoimentos o convívio diário com os "mestres"
do nosso curso vale mais que o "diploma"oficial.


Além
das aulas do dia a dia, oferecemos também outras atividades, como: palestras
sobre assuntos relativos aos interesses dos alunos, como: saúde, direitos
humanos, religião, e promovemos duas festas por ano: a Junina, este ano
com a presença alegre de Pe Francisco, Leandro e Rafael, que dançaram
conosco a "quadrilha improvisada" e a do Natal, com o fechamento da
Novena de Natal, sucesso absoluto.
Por ser um trabalho voluntário
e com atividades específicas, a cada ano o quadro de "professores"
muda, alguns permanecem e desta forma temos que nos "preparar" para
enfrentar o dia- a- dia da sala de aula. Talvez esta seja a tarefa mais difícil
mas fazemos, através de reuniões, e com a valiosa "troca de
experiências", pesquisas em cursos , muita leitura sobre o tema e tentando
adaptar tudo à nossa realidade, pois funcionamos com duas turmas, e duas
professoras , por dia, por turma , de segunda à quinta- feira, de 19 horas
às 20 horas e trinta, na Escola Paroquial. Nesta oportunidade, gostaríamos
muito de agradecer à nossa comunidade, em especial ao nosso pároco
Pe Francisco que vem abraçando a nossa causa, incentivando-nos para a continuidade
do Projeto.
Sabemos que muitos de nossos alunos, seguiram a caminhada escolar,
estando hoje alguns até freqüentando a sétima série
e com melhores condições de trabalho, pois cofiamos e acreditamos
que ainda é a Educação, nossa mola mestra para alcançarmos
uma cidadania digna e realizar os nossos tão esperados sonhos de uma sociedade
mais justa e humana.
Coordenação de 2005
Obs:
As informações que forem necessárias, podem ser solicitadas
na Secretaria da Paróquia, ou a partir de 6 de fevereiro, no horário
de 19h às 20h e 30min., na Escola Paroquial, de segunda à quinta-
feira, onde serão efetuadas as matrículas dos alunos novos, bem
como as inscrições dos voluntários. Junte-se a nós,
será um prazer recebê-los.
Paz de Jesus e o Amor de Maria. |