|
O Abel morto por Caim
Abel é uma figura de Cristo Jesus porque representa o justo
que é eliminado da terra dos vivos pela violência dos
maus. Esse quadro se realiza, de forma dramática, na vida
de Jesus que, desde o início da sua vida pública é
jurado de morte por parte dos fariseus (Mc 3,6). Um ódio
cego domina os que não querem aceitar o Profeta que fala
segundo o Espírito e que leva as autoridades religiosas a
condenar à morte o justo por não querer abdicar a
uma tradição humana e a interesses escusos, motivados
pela idolatria do ouro.
O quadro do assassinato de Abel acaba retratando, de forma geral
o drama das trevas que rejeitam a luz, num contexto de ódio
fratricida, exatamente segundo aquilo que aconteceu com Jesus que
foi odiado pelo mundo. É um quadro precioso porque, por ele
começam a se delinear os aspectos proféticos da Descendência
que, segundo o Plano de Deus restabelecerá a Humanidade na
sua condição original vencendo a serpente enganadora
(Gn 3,15). A vitória da Descendência dar-se-á
de forma totalmente inesperada. O justo triunfará sobre o
mal enquanto será vítima do próprio irmão
que, contudo, encontrará a sua redenção exatamente
no sangue que a vítima inocente derramou.
A figura de Abel, oportunamente, nos lembra que Deus está
realizando o seu plano de salvação desde o início,
suscitando e dando continuidade a uma descendência de verdadeiros
adoradores enquanto a humanidade envereda o caminho da degeneração
e do materialismo, da forma que é descrito com a história
da descendência de Caim. Set substituirá a Abel e por
meio de seu filho Enós, o culto com o qual Deus se agrada
terá, sem cessar, a sua continuação (Gn 4,25s).
Dessa forma se apresenta uma preciosa característica de Jesus
na figura de Abel: é o justo no qual o Pai se compraz. O
sacrifício da sua vida o tornará ainda mais agradável
diante dos seus olhos.
Vemos que, aos poucos, o autor sagrado vai desenvolvendo a sua catequese.
Ela se inspira na reflexão sobre a história de Israel.
Para os seus contemporâneos é parenética. Para
nós já é profética porque aquilo que
o autor sagrado expõe já é evangelho (Rm 1,2).
Em Jesus Cristo tudo está realizado. Os próprios autores
do N.T. nos ajudam a reconhecer no A.T. a exegese da pessoa de Jesus.
Nesse caso é o próprio autor da Carta aos Hebreus
que relaciona Abel a Jesus, enquanto considera o sangue derramado
por Cristo : "o sangue da aspersão mais eloqüente
que o sangue de Abel (Hb 12,24).
Desde que iniciamos as nossas reflexões, tendo como guia
o próprio manual catequético que Deus escreveu para
a humanidade, o nosso Redentor já é, para nós,
a Palavra que, no princípio, está voltada para Deus
e que, na plenitude dos tempos se fez carne, nascido de Mulher,
que, morto pelos seus irmãos, se torna para eles princípio
de salvação, porque ele é o justo cujo sacrifício
é agradável a Deus.
Perguntas para uma reflexão:
1ª) De que forma Abel é figura de Cristo?
2ª) O que representam as descendências de Caim e Abel?
3ª) Quanto nos é dado conhecer de Jesus Redentor por
Gn 1-4?
Pe. Fernando Capra/CRSP
|