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Deus não precisa do nosso dízimo; se o pede, é
para que, por meio dele, não deixemos de buscá-lo
todos os dias, sempre lembrados de que sem ele não somos
nada. Assim, o dízimo é, primeiramente, um ato de
gratidão e de reconhecimento a Deus pelo que ele é
e pelo que fez e faz por nós. Ao oferecer o dízimo,
o cristão expressa a sua convicção de pertença
a Deus, tanto de si mesmo como de tudo o que possui. Antes, portanto,
de ser partilha, o dízimo é ação de
graças. E, ao tornar-se ação de graças,
faz-se devolução. É como se, querendo manifestar
a sua fé na providência divina, o cristão desse
um "sinal" generoso e consciente de que tudo pertence
a Deus. Por isso, somos convidados a "devolver o dízimo",
e não a "pagar o dízimo". Não tendo
Deus nada para vender - ele é pura gratuidade! -, consequentemente
não temos nada que dele possamos comprar.
Ao manifestar, através do dízimo, a nossa gratidão
para com Deus, igualmente manifestamos o nosso compromisso para
com o próximo. Não é possível separar
o amor a Deus do amor ao próximo (cf. Mt 22, 34-40). O que
oferecemos ao próximo é entregue a Deus! Daí
a dimensão espiritual que caracteriza o dízimo, à
qual se soma a dimensão da co-responsabilidade. Existimos
não apenas para viver, mas para "con-viver'. Ao devolver
o dízimo, demonstramos a nossa gratidão para com Deus;
ao contribuir com o dízimo, demonstramos a nossa responsabilidade
para com o bem comum, no caso, o da comunidade à qual pertencemos.
A comunidade, ao receber o dízimo e as ofertas, coloca-os
a serviço daquelas dimensões que a constituem, a saber:
a religiosa, a social e a formadora (ou missionária). O missionário
leigo Antoninho Tatto, do MEAC, é pioneiro na conscientização
do dízimo a partir das três dimensões. Todos
nós, que hoje falamos e divulgamos o dízimo, devemos
muito a ele e à sua comunidade de vida. Portanto, o dízimo
e as ofertas têm como finalidade prática e concreta
a sustentação das comunidades. Todos somos igualmente
responsáveis, tanto pelas despesas como pelos investimentos
que se fazem necessários, tendo sempre em vista aquela que
é a nossa missão fundamental: a evangelização
(cf. Mt 28, 16-20).
E necessário afastar, e para muito longe, a concepção
de que, ao estimular o dízimo, a Igreja alimenta uma fonte
de renda. Ela precisa, e muito, dos bens desse mundo para cumprir
com a sua missão, porém não os arrecada para
enriquecer, e sim para distribuição. O dizimo não
existe para engordar contas correntes e poupanças - embora
uma reserva seja sempre necessária -, mas para possibilitar
à comunidade a oração comum (dimensão
religiosa), a assistência e a promoção dos e
com os empobrecidos (dimensão social) e a formação
dos evangelizadores (dimensão missionária ou formativa).
Em suma, ao contribuir com o dízimo, o cristão bendiz
a Deus ao mesmo tempo em que estende a mão ao próximo.
Daí não existir exagero na afirmação
de que ser dizimista é uma forma de amar a Deus e aos outros.
Padre Cristovam Lubel - Pároco da Comunidade São
Luiz Gonzaga, em Guarapuava (PR), e fundador da editora Pão
e Vinho
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