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Fé e Política | JANEIRO


"A Política como Meio e não como Fim”

Muitos dos nossos irmãos católicos vêm questionando o papel da Igreja no atual cenário eleitoral brasileiro. Os argumento são vários, mas o que mais me chama a atenção é aquele que faz menção ao Evangelho onde Jesus diz: "Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus". Uma análise superficial pode nos conduzir a um equívoco terrível em achar que essa passagem demonstra claramente que a Igreja deve se afastar por completo de seu papel transformador da realidade injusta e perversa da nossa sociedade utilizando alguns instrumentos, como por exemplo, a Política.

"Dai a Deus o que é de Deus" mostra claramente que o mais importante é o Reino de Deus. As palavras de Cristo iluminam e servem de guia para a conduta do Cristão no mundo atual. A fé não pede que se fuja das realidades temporais; muito pelo contrário, torna-se instrumento da transformação do indivíduo e, por conseqüência, da sociedade. Esse é o elemento fundamental da instauração do Reino de Deus: "Dar a Deus o que é de Deus".

Quando analisamos o objetivo fundamental da mensagem Cristã, percebemos claramente a sua finalidade: Deus. E, como chegar até Ele? Diversos caminhos são exemplificados. E, num Continente profundamente mergulhado na exclusão social como o nosso, a Política é a que mais carece de ação pastoral. Porém, vale destacar que ela é Meio. E como tal, se demonstra como ferramenta da ação transformadora para a vinda do Reino. Porém, jamais será Fim. Ela não se basta em si mesma. Ela conduz a uma nova realidade necessária para que o homem chegue até Deus e consequentemente ao seu Reino de paz e justiça!

Tão equivocado quanto se alienar dos processos políticos de nossa sociedade achando que a busca pelo Reino de Deus passa apenas pela oração e pelo espírito, é acreditar que a Política é, por si só, o mecanismo de estabelecimento da verdade plena do Evangelho. Como falei anteriormente, ela é meio de chegar à justiça, mas não é Fim. A meta principal e alimentadora da Verdade plena é o próprio Cristo.

Outro equívoco freqüentemente cometido pelos nossos irmãos e membros de nossa sociedade é a busca incessante pela Paz sem se preocupar com a sua causa. Não. Não estou pregando que buscar a Paz é um equívoco ou fazendo qualquer alusão pela Violência. Apenas questionando as formas de lutar pela Paz, convidando o leitor amigo a refletir sobre os caminhos que conduzem até ela. O principal deles é a justiça. Não existe paz sem justiça. Ela sempre será a via principal para se chegar a Paz. Da mesma forma como a Política é uma das vias para se chegar ao Reino de Deus.

A reflexão deste mês me faz lembrar o discurso de Paulo Freire, quando recebeu em 1986 o Prêmio Educação para a Paz, da UNESCO. Disse ele: "De anônimas gentes, sofridas gentes, exploradas gentes aprendi sobretudo que a paz é fundamental, indispensável, mas que a paz implica lutar por ela. A paz se cria, se constrói na e pela superação de realidades sociais perversas. A paz se cria, se constrói na construção incessante da justiça social. Por isso, não creio em nenhum esforço chamado de educação para a paz que, em lugar de desvelar o mundo das injustiças, o torna opaco e tenta miopisar as suas vítimas".

É isso meu irmão. Buscar a Paz através da justiça é, sobretudo, um dos grandes e belos caminhos para se chegar ao Reino, ou melhor, para se trazer o Reino até nós. Assim, tanto a fé quanto a política serão agentes transformadores da nossa sociedade. Porém, isso será uma etapa. Uma etapa da implantação do Reino de Deus. Que Deus nos abençoe neste difícil caminho: Trazer o Seu Reino até nós!

Um forte abraço a todos e a Paz de Cristo!

Robson Campos Leite
Emails para esta coluna: feepolitica@terra.com.br

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VEJA NO MÊS DE JANEIRO/2004:

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cf2008

Após a morte acontece o julgamento particular. Quem faz o julgamento?
Deus.
Você mesmo(a).
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