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"A Política como Meio e não como Fim
Muitos dos nossos irmãos católicos vêm questionando
o papel da Igreja no atual cenário eleitoral brasileiro.
Os argumento são vários, mas o que mais me chama a
atenção é aquele que faz menção
ao Evangelho onde Jesus diz: "Dai a César o que é
de César e a Deus o que é de Deus". Uma análise
superficial pode nos conduzir a um equívoco terrível
em achar que essa passagem demonstra claramente que a Igreja deve
se afastar por completo de seu papel transformador da realidade
injusta e perversa da nossa sociedade utilizando alguns instrumentos,
como por exemplo, a Política.
"Dai a Deus o que é de Deus" mostra claramente
que o mais importante é o Reino de Deus. As palavras de Cristo
iluminam e servem de guia para a conduta do Cristão no mundo
atual. A fé não pede que se fuja das realidades temporais;
muito pelo contrário, torna-se instrumento da transformação
do indivíduo e, por conseqüência, da sociedade.
Esse é o elemento fundamental da instauração
do Reino de Deus: "Dar a Deus o que é de Deus".
Quando analisamos o objetivo fundamental da mensagem Cristã,
percebemos claramente a sua finalidade: Deus. E, como chegar até
Ele? Diversos caminhos são exemplificados. E, num Continente
profundamente mergulhado na exclusão social como o nosso,
a Política é a que mais carece de ação
pastoral. Porém, vale destacar que ela é Meio. E como
tal, se demonstra como ferramenta da ação transformadora
para a vinda do Reino. Porém, jamais será Fim. Ela
não se basta em si mesma. Ela conduz a uma nova realidade
necessária para que o homem chegue até Deus e consequentemente
ao seu Reino de paz e justiça!
Tão equivocado quanto se alienar dos processos políticos
de nossa sociedade achando que a busca pelo Reino de Deus passa
apenas pela oração e pelo espírito, é
acreditar que a Política é, por si só, o mecanismo
de estabelecimento da verdade plena do Evangelho. Como falei anteriormente,
ela é meio de chegar à justiça, mas não
é Fim. A meta principal e alimentadora da Verdade plena é
o próprio Cristo.
Outro equívoco freqüentemente cometido pelos nossos
irmãos e membros de nossa sociedade é a busca incessante
pela Paz sem se preocupar com a sua causa. Não. Não
estou pregando que buscar a Paz é um equívoco ou fazendo
qualquer alusão pela Violência. Apenas questionando
as formas de lutar pela Paz, convidando o leitor amigo a refletir
sobre os caminhos que conduzem até ela. O principal deles
é a justiça. Não existe paz sem justiça.
Ela sempre será a via principal para se chegar a Paz. Da
mesma forma como a Política é uma das vias para se
chegar ao Reino de Deus.
A reflexão deste mês me faz lembrar o discurso de Paulo
Freire, quando recebeu em 1986 o Prêmio Educação
para a Paz, da UNESCO. Disse ele: "De anônimas gentes,
sofridas gentes, exploradas gentes aprendi sobretudo que a paz é
fundamental, indispensável, mas que a paz implica lutar por
ela. A paz se cria, se constrói na e pela superação
de realidades sociais perversas. A paz se cria, se constrói
na construção incessante da justiça social.
Por isso, não creio em nenhum esforço chamado de educação
para a paz que, em lugar de desvelar o mundo das injustiças,
o torna opaco e tenta miopisar as suas vítimas".
É isso meu irmão. Buscar a Paz através da justiça
é, sobretudo, um dos grandes e belos caminhos para se chegar
ao Reino, ou melhor, para se trazer o Reino até nós.
Assim, tanto a fé quanto a política serão agentes
transformadores da nossa sociedade. Porém, isso será
uma etapa. Uma etapa da implantação do Reino de Deus.
Que Deus nos abençoe neste difícil caminho: Trazer
o Seu Reino até nós!
Um forte abraço a todos e a Paz de Cristo!
Robson Campos Leite
Emails para esta coluna: feepolitica@terra.com.br
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