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Dardos Inflamados | JANEIRO

"SOBRETUDO, EMBRAÇAI SEMPRE O ESCUDO DA FÉ, COM QUE POSSAIS APAGAR TODOS OS DARDOS INFLAMADOS DO MALIGNO (Efe 6, 16).

Começamos um novo ano com as graças de Deus e para a honra de Nosso Senhor Jesus Cristo. Com certeza será um novo tempo, árduo, mas combatido, pois pouco tempo resta ao inimigo das almas e o combate será cada vez mais intenso. Aliás, como cita as Sagradas Escrituras, todos os dias são maus, para nós apenas resta a confiança na Palavra do Senhor: "Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo" (Mat 28, 20b). Não há o que temer, mas observemos atentamente. Nos dias do Novo Testamento os dardos freqüentemente eram feitos com estopa embebida em substância combustível e então acesas, de modo que os escudos de madeira necessitavam de uma cobertura de couro a fim de extinguir o fogo rapidamente. O apóstolo Paulo sabia que as ciladas do diabo incluíam esses dardos inflamados, a saber, as línguas dos homens que agem como flechas, as setas da impureza, do egoísmo, da inveja, da dúvida, do medo, do desapontamento, que são planejadas pelo inimigo com o intuito de queimar e destruir. O apóstolo sabia que somente a dependência da fé em Deus podia debelar e anular o efeito de tais armas, sempre que fossem atiradas nos cristãos. O problema mais profundo criado pela pecaminosidade humana não consiste do que se faz, e sim, do por que se faz. Por que o alcoólatra cede à tentação de beber? Por que o fariseu se mostrava orgulhoso? Por que todos nós somos vítimas dos "DARDOS INFLAMADOS DO MALIGNO"?

A resposta final não seria a falta de humildade e confiança em Deus? O alcoolismo se pode explicar com base na insegurança, no temor e na culpa. Esse vício oferece um meio de escape às exigências de Deus ao homem. E o escape, por sua vez, é um sintoma de ausência da fé. É preciso coragem para nos apresentar em juízo e enfrentarmos o nosso próprio "eu". Somente a confiança no Deus de Amor - uma confiança como a que teve em seu pai o filho pródigo - pode vencer a covardia da incredulidade. E o alcoolis-mo é meramente uma ilustração relativamente clara de uma verdade maior. A inveja e o orgulho, por exemplo, se originam da mesma raiz de ausência de confiança. O Senhor Jesus dirigiu sua parábola sobre o fariseu e o publicano, como podemos observar em Luc 18, 9-14.
Não há necessidade de outra comprovação mais vivida. Basta que se substitua a confiança no DEUS pela confiança própria, para que o orgulho apareça como resultado necessário. Nesse caso o "eu" julgando-se moralmente aperfeiçoado, transforma-se em um "deus". E esse "deus" precisa ser protegido de todo e qualquer ataque, acima de tudo, de todo ataque contra a perda de estima própria. Daí se origina o orgulho. Mas a fé em Deus indica a rendição do próprio "eu". Até mesmo da parte dos aristocratas imorais, isso significa que ele deve reunir-se em coro à oração feita pelo publicano: "Ó Deus, tem piedade de mim, que sou pecador!" (Luc 18, 13b).
Por outro lado, a mesma coisa que se pode dizer acerca do orgulho, pode ser dito com relação a qualquer outro catálogo de pecados. A igreja não poderia realizar um maior serviço aos homens de nosso período perturbado e desesperador, do que lhes estender novamente a graça da fé. A fé, por si mesma, é um dom. Nenhum Evangelho de obras pode produzir tal resultado. A fé requer a mediação de uma estrutura: a comunhão da confiança, da humildade e da obediência. E é somente dentro da comunhão da fé que se pode destronar com segurança o deus falso do homem autônomo.
Amados irmãos, a fé é o tesouro supremo, confiado aos cuidados do povo de Deus, à igreja. Sim, aprendemos que a fé é capaz de conquistar (I Ped 5, 9), de vencer o mundo (I Jo 5, 4), e até mesmo de derrotar o príncipe deste mundo, o maligno. (I Jo 5, 18). Por fim, cremos que a fé chama em nosso socorro a ajuda de Deus.

"PORQUE TODO O QUE É NASCIDO DE DEUS VENCE O MUNDO; E ESTA É A VITÓRIA QUE VENCE O MUNDO: A NOSSA FÉ" (I Jo 5, 4).

A dificuldade tem sido uma constante no caminho dos servos de Deus, mas a dificuldade da nossa vida pode estar chegando ao fim no dia de hoje. Deus tem uma Palavra de ordem para mim e para você: "Não temas, crê somente" (Mar 5, 36). Obedeçamos a Ele, oremos incessantemente, soltemos a nossa voz, não aceitemos aquilo que o inimigo quer, tudo é vaidade, orgulho e soberba; repreendamo-lo, denunciemo-lo, creiamos no Poder da Palavra de Deus, pois Ele está colocando uma bênção em nossas mãos. Unamo-nos, sendo um com o Senhor, pois com Ele somos mais do que vencedores e haveremos de começar o ano combatendo e derrotando os inimigos que tentam nos envenenar e destruir com seus dardos inflamados. Que Deus nos dê sempre a coragem de denunciar, sem recuar. Embracemos, portanto, o escudo da fé e combatamos o bom combate sem temor, para que a esperança vença o medo e assim possamos viver dias melhores nessa nova jornada que se apresenta diante de nós. Nós precisamos fazer a diferença. Fé em Jesus e pé na estrada, pois Ele conta conosco a cada instante que nos resta.

A Paz do Senhor e um Santo Ano Novo repleto de Vitórias!

Ricardo da Liturgia das 10h - ricardomoyses@globo.com
 
 
VEJA NO MÊS DE JANEIRO/2004:

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cf2008

Após a morte acontece o julgamento particular. Quem faz o julgamento?
Deus.
Você mesmo(a).
A Corte Celeste.

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