Um dia desses eu conversava com uma amiga sobre nossa participação
em algumas reuniões. Para falar francamente, eu vou a uma reunião
só se for muito necessário... Acaba que volta e meia
eu tenho que participar de alguma. Claro que o faço com prazer...
Acontece que comentamos, também, as várias reuniões
que não aconteceram porque pessoas não compareceram...
ou porque houve atraso etc.
Fiquei pensando que é nas pequenas coisas que a gente vê
nosso compromisso de cristãos. Lembrei-me da palavra de Jesus:
"O que fizeste aos meus irmãos mais pequeninos, a mim
o fizestes" (Mt 25, 40). Quer dizer que devemos ver Jesus na
pessoa do próximo... Seguir Jesus é ver Jesus no rosto
das pessoas. Isso não é brincadeira! Quer ver?
Vamos dizer que uma reunião é marcada. Eu combinei que
ia. Não fui, não telefonei me desculpando etc. Pense
bem. Será que eu faria isso se a reunião fosse com Jesus?
É bom lembrar:
"O que fizestes aos meus irmãos, a mim o fizestes"...
Uma pessoa combina de participar de uma atividade e fazer uma determinada
tarefa. Não vai, nem faz o combinado. Será que se ela
tivesse combinado com Jesus, ela faria isso?
Quer ver mais? Há muitos movimentos e pastorais na nossa Igreja.
Alguém participa de um deles. Aí, esse alguém
é convidado a conhecer outro movimento (às vezes na
própria comunidade...) e ajudar a fazer uma rede bem bonita,
se unindo com outros movimentos. Mas a pessoa não vai... Só
se interessa pelo próprio movimento. Será que se ela
visse Jesus nas pessoas que atuam nos outros movimentos e pastorais,
ela se fecharia no seu grupinho? A procura da partilha entre os diferentes
grupos pode ser um momento de aprofundamento da nossa fé e
do nosso testemunho. Uma vez fiz uma reunião com diferentes
pastorais da nossa Igreja. Pedi que nos dividíssemos em seis
grupinhos. Bem afastados uns dos outros, foi solicitado que cada um
desenhasse uma parte do crucifixo. Um desenharia a cabeça de
Cristo, outro grupo o braço direito, outro ainda o braço
esquerdo. Dois, separadamente, desenhariam as pernas e assim por diante.
Depois fizemos um circulo e mostramos nossos desenhos. A cabeça
de Cristo ficou pequena... um braço enorme, o outro médio,
uma mão enorme, outra pequena etc. Descobrimos ali que, separados,
mesmo tentando fazer um desenho bonito, no final mostramos uma verdadeira
caricatura de Cristo! Em nossa vida, portanto, importa ver até
que ponto estamos revelando a verdadeira imagem de Deus. Sob a luz
do Espírito, em comunhão na comunidade, podemos penetrar
no mistério infinito do amor de Deus.
É bom a gente refletir sobre nossa espiritualidade cotidiana...
Nosso Deus é um Deus encarnado! Engajado na vida. Está
presente na história! Então, nossa espiritualidade de
cristãos passa por pequenos gestos, muito concretos. Passa
pelo cuidado com o outro, pela atenção nas relações
que acontecem a cada dia. Pelo interesse sincero face ao trabalho
do outro. Acho que ser cristão exige um testemunho permanente.
Seguir Jesus não é só conhecer sua palavra...
É vivê-la. Difícil? Claro... Mas por sua graça,
pela ação do Espírito Santo é possível...
E o Senhor mesmo que nos encoraja e nos dá força para
que testemunhemos não apenas por palavras, mas também
pelas nossas ações.
"Tudo posso naquele que me fortalece" (Filipenses 4, 13).
Maria Zélia Castilho Rogedo - Ordem Franciscana Secular
BH
Retirado do Jornal de Opinião |