DEUS EXISTE?
Estaríamos perdendo tempo se descobríssemos que estamos
praticando uma entre as tantas das religiões que existem sobre
a face da terra sem ter a certeza de estarmos na verdadeira religião.
O fundamento da verdadeira religião é a prova da existência
do Deus no qual nós cremos. Quanto a isso, o próprio
Deus de Israel se preocupou em construir essa prova para nós.
Começou em se tornar o Deus dos hebreus que o consideraram
o seu Elohim, isto é, o seu Deus, da mesma forma que os cananeus,
por exemplo, achavam que o seu elohim era o verdadeiro Deus. Ao Deus
de Abraão, de Isaac e de Jacó, portanto, os hebreus
do tempo de Salomão atribuíram o sucesso da sua história.
Tinham começado como tribos nômades e a memória
das suas origens se perdia na história dos Patriarcas, oralmente
transmitida, e se prolongava na epopéia da libertação
da escravidão do Egito e longa peregrinação no
deserto. Eis que pelo décimo século antes de Cristo
tinham-se tornado uma grande nação, com o seu rei e
com o seu templo, com sua Lei e com o seu culto. O Elohim dos hebreus,
todavia, à essa altura, poderia ser, ainda, um Deus que de
fato existiria, com certeza, só para um hebreu porque, de fato,
poderia existir, por si, tanto quanto o deus de qualquer outro povo.
A prova objetiva de que o Deus de Israel é realmente um Deus
existente, está nos profetas.
No meio do povo hebraico, há tempo corrompido nos seus costumes
e inclinado à idolatria, surgem homens que falam em nome do
Deus de Israel e anunciam castigos que Deus enviaria caso Israel não
se convertesse. A autenticidade das mensagens desses homens acaba
comprovada pelo fato que as suas profecias se realizam. Corroboram
a autenticidade das mensagens desses homens enviados por parte de
Deus, as muitas outras profecias que homens que se diziam profetas
anunciavam, mas que de fato, não se realizavam. Aliás,
à vezes, contra esses falsos profetas os verdadeiros profetas
lançavam as suas predições de castigos por parte
do Deus de Israel e, por esses castigos, os falsos profetas eram atingidos.
O último dos profetas, dentro da história de Israel,
foi Jesus de Nazaré. Na condição de profeta,
Jesus prova, por si, a existência do Deus verdadeiro. É
a partir da constatação irrefutável de que ele
fala em nome do Deus de Israel que toda a sua pregação
se torna uma doutrina revelada. Foi em nome de Deus que ele falou.
A partir disso, o que diferencia Jesus de todos os outros profetas
de Israel foi o fato de que se anunciou Messias e Filho de Deus: verdades
que não podem ser contestadas exatamente porque anunciadas
por um profeta que provou pela santidade da sua vida, pela perfeição
da sua doutrina, pelos sinais messiânicos e pelo que anunciou
e que se realizou, que ele realmente tinha sido enviado por Deus.
Na condição de Deus presente na História, Jesus
anuncia que a sua Morte é redentora e que a vida em Deus é
trinitária. Com essa última revelação
é dado ao homem conhecer de Deus algo que teria sido impossível
alcançar pelo esforço da sua mente. Embora seja em si
o mais profundo mistério da Revelação, ele constitui-se
num conhecimento único que, pela fé, temos de Deus.
Perguntas para uma reflexão:
1a) Por qual processo histórico Deus se revela?
2a) Por que Jesus é prova da existência de Deus?
3a) O que é mistério na nossa religião revelada?
O DEUS TRINITÁRIO SE ANUNCIA NA CRIAÇÃO
Enriquecidos pelo conhecimento de Deus através da revelação
que Jesus Cristo nos fez da sua vida trinitária, enquanto tomamos
conhecimento da sua criação podemos desenvolver um adequado
conhecimento dele. De fato o Deus trinitário se anuncia segundo
a sua natureza desde a criação do mundo. Deus fala e
é pela sua Palavra que todas as coisas vêm à existência
na potência do Espírito. Desse Deus criador, a criação
revela que é Bondade que, no dinamismo do Amor, manifesta toda
a sua potência, beleza e sabedoria. Ao longo da História
de Israel ele é El Shaddai, Iahweh, o Santo. Num nível
mais profundo o Deus único se revela Espírito que suscita
homens como Moisés, cheio do espírito de conselho, Juizes
cheios do espírito de força e que, depois de libertar
o seu povo da opressão dos seus inimigos, administram, no espírito
de conselho, a justiça em Israel. Deus que é Espírito
suscita os profetas, que falam em nome de Deus; consagra os reis para
que sejam os guias do povo de Israel, administrem o direito e a justiça.
Ele será o Espírito do Servo de Iahweh que, em si reunirá
todas as prerrogativas dos profetas e dos reis para estabelecer o
Reino de Deus até os confins da terra.
Pe. Fernando Capra - CRSP |