ASSIS,
ITÁLIA - Cerca de 200 representantes das 12 religiões
mais importantes do mundo acompanharam ontem o papa João Paulo
II na Jornada de Orações pela Paz, nesta cidade onde
nasceu São Francisco de Assis. ''Violência nunca mais,
guerra nunca mais, terrorismo nunca mais!'' disse o papa no encerramento
do encontro, em que representantes cristãos, judeus, muçulmanos,
budistas, xintoístas, confucionistas, sikhs, hindus, zoroastristas
e de religiões tradicionais africanas se comprometeram a trabalhar
juntos pela paz.
Para selar o compromisso, cada um acendeu uma lamparina de azeite,
colocada numa grande mesa-candelabro que permanecerá na basílica
de São Francisco, como símbolo de esperança e
recordação desse terceiro encontro (os anteriores foram
em 1986 e 1993) em que as religiões aqui reunidas oram pela
paz.
Como anfitrião, João Paulo II foi o último a
manifestar - em italiano - o compromisso comum. Antes dele, falaram
12 dirigentes, cada um em sua língua, tratando de entendimento,
diálogo, paz.
A crise do oriente Médio veio à tona, quando o rabino
Israel Singer, do Congresso Judaico Mundial, afastou-se do discurso
preparado e aludiu ao conflito com os palestinos: ''Deveis dizer ao
vosso povo, e nós devemos dizer ao nosso, todos nós,
todos nós, para perguntar se terra ou lugares são mais
importantes do que vidas de pessoas. Enquanto não aprendermos
a fazer isso, não haverá paz'', disse Singer, alteando
a voz.
Terminadas as cerimônias, no fim da tarde o papa retornou a
Roma. Hoje, João Paulo II oferece um almoço no Vaticano
aos representantes das 12 religiões que compareceram a Assis.
Em vista do grande número de convidados, o almoço será
num amplo salão do palácio Apostólico, perto
da Capela Sistina.
Texto retirado do JB - 25/01/2002 |