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A Igreja e o Abraço Misericordioso do Pai |FEVEREIRO

A parábola do filho pródigo é sem dúvida uma das mais belas da bíblia, talvez a que melhor reflete a nossa relação com Deus. Nos filhos podemos visualizar claramente a natureza humana que se manifesta, pela tendência ao pecado. No mais novo isto é mais explícito, ele abandona a casa do Pai e vai em busca dos prazeres do mundo. Quem de nós nunca desejou, por um momento sequer, esquecer da fé, do amor ao próximo e dos outros princípios que devem reger a vida do cristão, para poder agir pura e simplesmente em busca do que é melhor para si ou do que lhe traz mais prazer? O filho mais novo é a expressão deste sentimento, aquele que aposta toda sua vida numa direção que muitos de nós já pensamos, ou até mesmo desejamos seguir. É a face daquele que se deixa seduzir e passa a acreditar que viver pelo mundo é melhor do que viver pelo Pai.

O filho mais velho, por outro lado, vive pelo Pai mas alimenta um profundo, talvez mesmo subconsciente, desejo de viver pelo mundo. Se ressente a toda hora do que poderia estar fazendo e ganhando se não tivesse de se manter sob as normas e a serviço do Pai.

Justamente como acontece conosco, enquanto cristãos e enquanto Igreja, e em especial comigo. Tento viver pelos princípios de nossa fé, e mesmo falhando muito, já enfrento dificuldades tremendas. Ouço o mundo a minha volta que diz que devo me preocupar com o meu futuro, aproveitar ao máximo os prazeres de minha juventude e buscar o que é melhor para mim, pois todos fazem o mesmo. E ouço o Senhor que me diz que não preciso me preocupar com o futuro, pois Ele o garantirá se me preocupar com a construção de seu reino, me diz que a juventude passa e que devo buscar prazeres maiores na entrega ao amor verdadeiro, afirma que devo procurar o que é melhor para o próximo, pois estou aqui para lhe servir.

São vozes conflitantes, que me chamam a direções opostas, o que seguir? A quem ouvir? Tenho buscado seguir ao Senhor que com sua presença me dá forças para seguir firme na esperança de que Ele conduz os caminhos da vida. Mas também tenho observado muitos de meus irmãos, amigos, que optaram seguir pela outra direção. E muitas vezes, como o filho mais velho, sinto uma grande inveja dos que fizeram uma opção diferente e seguem livres buscando somente seus interesses e seu prazer. Podem fazer tantas coisas que eu não me permito fazer, se beneficiam tantas vezes das oportunidades que deixo passar por me ocupar dos interesses da construção do reino, se sentem felizes, ou pelo menos o demonstram, e eu fico a pensar até onde vale a pena.

É neste momento que uma grande tentação se apodera de todo aquele que nutre estes sentimentos: a tentação de condenar. Por me sentir intimamente atraído por aquilo que não faço, condeno abertamente quem o faz e acho que deva ser punido por ter se comportado desta forma e principalmente por ter obtido as vantagens que eu ambicionava e não pude obter. Quero castigo e não perdão. A atitude do filho mais velho agora é minha: desejo que meu irmão que não seguiu os caminhos do Pai seja punido e não acolhido. Este sentimento de rancor, é uma das piores tentações que afligem o cristão, sou pego por sentimentos que nunca desejaria sentir. Se não segui pelo mesmo caminho que estes meus irmãos, foi simplesmente porque o Pai tem me segurado e cercado de cuidados e advertências que me impedem de fugir de sua graça. Nada do que faço ou deixo de fazer é por meu mérito, mas sim pela graça do Senhor. Por mim, me entregaria ao mundo, mas o amor que o Pai me dedica me impede.

E é este mesmo amor que o Pai deseja dedicar ao meu irmão que segue hoje os caminhos do mundo. Ao menor sinal de sua volta o Pai se alegra e vai em sua direção para lhe dar um abraço cheio da sua misericórdia. E sei que o Pai me convida a ser este abraço para meu irmão que vive pelo mundo, um abraço de aceitação, compreensão, amor e perdão. Deseja ardentemente que toda a Igreja seja portadora deste abraço de acolhida aos pecadores. Mas nossos sentimentos, os meus ao menos, nos levam a condenar, a criticar e afastar, ao invés de acolher. Devo buscar servir ao Senhor com mais afinco, e me desapegar mais do que o mundo me oferece, pois só me ressinto de meus irmãos porque estou apegado ao que eles podem estar obtendo. Quando for capaz de entregar a busca da minha felicidade por completo nas mãos do Senhor para que ele cuide dela, então serei capaz de dar um abraço como o do Pai para meus irmãos que vivem em outros caminhos.

Esta é minha busca, o objetivo que tento alcançar, e como a mudança na Igreja começa comigo e com cada um de vocês, acredito que em breve, poderemos todos abraçar o mundo com a misericórdia do Senhor.

Fabio Miranda (fabio@sinergiaonline.com.br) - PJ
 
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