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Campanha da Fraternidade 2002 |FEVEREIRO

MOTIVAÇÃO
"Povos Indígenas" é tema da Campanha da Fraternidade 2002
Já está definido o tema da Campanha da Fraternidade de 2002: "Fraternidade e Povos Indígenas"; e o lema: "Por uma terra sem males". Hoje, no Brasil, a população indígena é superior a 330 mil pessoas, pertencentes a 215 nações, que falam mais de 180 línguas diferentes. Em 1500, esta população ultrapassava 5 milhões e, 970 povos. Refletir sobre os povos indígenas é mais do que lamentar os povos desaparecidos, a opressão, a violência, a condição de miséria e exclusão. Esta reflexão convida a relembrar a histórica luta de resistência dos povos indígenas ao longo destes cinco séculos, a resistência e a esperança dos povos negros, forçados a fazer do Brasil a sua pátria, dos imigrantes pobres que trouxeram em sua bagagem os sonhos de uma vida nova em uma terra farta e livre. É fortalecer os fios que tecem a rede da solidariedade cotidiana, que se manifesta na prática de todos, e no apoio à causa dos oprimidos.

VEM E VÊ, SE TENS CORAGEM!
Ao longo de todos estes séculos, em todo o continente, assistimos ao extermínio de inúmeros povos indígenas. Estima-se que, por volta de 1500, havia 80 milhões de habitantes indígenas, falando cerca de duas mil línguas diferentes. Desta população original, aproximadamente 70 milhões foram dizimados nos primeiros cem anos de colonização européia (Dados levantados pelo pesquisador Tzevetan Todorov).
Caracterizou-se, desta forma, o maior extermínio da história, onde foram utilizadas algumas táticas ainda comuns nos dias de hoje: epidemias, fome, deslocamentos, confinamentos, guerras e trabalhos forçados. O exemplo do México é emblemático: de 25 milhões de índios, a população caiu para 1 milhão e 250 mil pessoas. Dos 9 milhões de indígenas que habitavam o império Inca (Peru, Equador; Bolívia e Norte do Chile), 6 milhões e 400 mil foram dizimados num período de cem anos.
No Brasil, a população estimada em 5 milhões (mais ou menos 970 povos) na época da conquista, está reduzida hoje a algo em torno de 550 mil pessoas (225 nações). Os índios no Brasil falam 180 línguas. Eram 1.300 por volta do ano 1500. Dessa população, cerca de 358 mil vivem em seus territórios; outros 191 mil migraram para centros urbanos.
Segundo estudo do Instituto de Medicina Tropical de Manaus (dados de 1995), a expectativa de vida dos índios é de apenas 42,6 anos, em média. Segundo a Organização Mundial de Saúde, a expectativa de vida média do não-índio brasileiro é de 67 anos. Há regiões em que os índios vivem, em média, apenas 24,5 anos.
Freqüentemente tachados como selvagens, os índios são assassinados, explorados, enganados e perseguidos. É uma violência que se estende desde o tal "descobrimento" e que esconde o preconceito de um País que não assume suas múltiplas e diferentes etnias e não aceita que as pessoas possam viver com costumes e culturas diferenciados dentro do mesmo País.
"Mas eis que os espanhóis passaram a fio de espada, na minha presença e sem causa alguma, mais de três mil pessoas, homens, mulheres e crianças, que estavam sentadas diante de nós. (...)Também na terra firme, na madrugada, estando ainda os índios a dormirem com suas mulheres e filhos, os espanhóis se lançaram sobre o lugar; deitando fogo às casas, que eram comumente de palha, de sorte que queimavam todos vivos, homens, mulheres e crianças... mataram a tantos que não se poderia contar e a outros faziam morrer cruelmente, queimando aos poucos, a fim de obrigar a dizer em que lugar havia ouro... e a outros, fizeram escravos e marcaram-nos com ferro em brasa... Eu vi ali tão grandes crueldades que nunca nenhum homem vivo poderá ter visto semelhantes" (Frei Bartolomé de Las Casas, 1511).
Ainda hoje essa violência se pratica contra os povos indígenas, porém, de diferentes maneiras: invasões constantes de seus territórios, perseguições e assassinato das principais lideranças, construção de grandes projetos em suas áreas, em nome do progresso (hidrelétricas, hidrovias, rodovias...), incêndios, ecoturismo que desrespeita o espaço de suas vidas. E, na raiz de todos esses males, o que encontramos? A sede de lucro, de enriquecimento e acumulação de riqueza, o modelo" de desenvolvimento capitalista.

CONCLUSÃO
A CF-2002 propõe um "pacto de fraternidade" com os povos indígenas, apontando que a fraternidade dos cristãos e cristãs deve se cruzar decididamente com a perspectiva e a situação da vida dos povos indígenas. Quem sabe "perder" seu tempo com Deus, saberá também "perder" seu tempo no exercício da solidariedade ativa para com os povos indígenas. Não basta optar "pelos" povos indígenas, mas "com" eles nos unir pela construção de uma nova sociedade e pela transformação das estruturas de injustiça e de morte que encontramos no mundo hoje.

 
VEJA NESTE MÊS DE FEVEREIRO/2002:

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