- Evangelho de João (8)
Jesus perscruta as Escrituras
O diálogo de Jesus com Nicodemos é o início de um extenso ensinamento que nos leva a entender em toda a sua originalidade e grandiosidade o Desígnio de Deus que “de antemão, por livre determinação de sua vontade estabeleceu que o homem se tornasse seu filho adotivo em Jesus Cristo” (Ef 1, 5). Desde a sua abertura Jesus anuncia que tudo será obra do Espírito. Será como uma nova criação. O homem nem imagina de que forma dar-se-á. Ele a pensa segundo a sua experiência do nascimento, como toda criatura vem à vida. Jesus diz que tudo depende do Filho do Homem, elevado da terra. A Lei e os Profetas já o anunciaram. No Êxodo temos o episódio da serpente de bronze que Moisés levantou para que todos os que para ela olhassem fossem curados. Jeremias fala de Deus que borrifaria o seu povo com o seu Espírito para que fosse purificado.
A grandiosidade do Plano de Deus é anunciada por Jesus com palavras solenes: “Deus amou tanto o mundo que enviou o seu Filho Unigênito”.
O seu reconhecimento por parte da criatura é condição de vida eterna. A importância da pessoa de Jesus está no fato que ele é Pessoa divina: a Palavra que, desde sempre está com Deus, pela qual tudo foi criado, que é Luz-Vida; que assumiu a condição humana para estar entre nós e nos revelar a sua “Glória, na condição de Unigênito Deus e nos comunicar graça sobre graça.
Ao recordar Moisés como sua figura, dizemos que ele nos deu a Lei, enquanto “a graça e a verdade nos vieram por Jesus Cristo”.
A fé nele provoca a ação de Deus que nos faz nascer pelo Espírito como quem nasce de Deus.
A “kénosis”, a condição de servo, a imolação de cruz, a nossa filiação adotiva, a comunicação do Espírito são os elementos que ilustram o amor daquele que é a Bondade. Fiel a si mesmo, Deus esquece os pecados, os crimes, a condição de injustiça em que se encontra o homem, aceitando a sua expiação pelo sacrifício que Jesus oferece. Pelo seu amor ao Filho, doa o Espírito, princípio seguro de realização e de participação ao Reino. A grandiosidade do gesto é comprovada pela dignidade daquele que é entregue: o Filho, cuja natureza é a Divindade participada com o Pai e o Espírito. Para habitar entre os homens, ele faz sua tenda a humanidade assumida pela encarnação.
A glorificação da humanidade assumida é realizada pela Pessoa divina do Filho que a conduz, na obediência e no serviço, até a entrega total pela morte de cruz.
Os vv. 22-30 lembram, através do testemunho de João Batista, a condição messiânica de Jesus e a sua prerrogativa de ser o Esposo. O descontentamento dos discípulos de João Batista diante da atitude de Jesus provoca a reflexão do evangelista que volta a insistir sobre a mentalidade nova que devemos assumir em relação a Jesus. É preciso reconhecer que ele fala segundo o pensamento de Deus. As suas palavras são Espírito e Vida. O Pai a ele entregou todo Poder, nele vive a Natureza divina. Dessa forma, quem crê no Filho, aquele que o Pai consagrou e enviou ao mundo, tem a vida eterna. Quem não crê está condenado e a ira de Deus permanece sobre ele.
Perguntas para reflexão:
1ª) Qual é a originalidade e grandiosidade do Desígnio que Deus realiza em Jesus Cristo?
2ª) Qual é a condição para termos parte na graça que o “Unigênito Deus” traz?
3ª) Quais são as prerrogativas que devemos reconhecer em Jesus para podermos usufruir da sua graça?
Pe. Fernando Capra/CRSP http://comentariosbiblicospadrefernandocapra.blogspot.com Visite o blog! |