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Vida regida pelo Espírito Santo |FEVEREIRO


Queridos irmãos no Senhor, nos diz a Palavra de Deus: "O Espírito é que vivifica; a carne de nada serve. As palavras que vos tenho dito são espírito e vida" (Jo 6, 63). O Espírito nos foi dado como agente de regeneração, sem o qual o sacrifício de Cristo de nenhum proveito teria sido. O poder do mal se fortalecia pelos séculos, e alarmante era a submissão dos homens a esse cativeiro satânico. Ao pecado só se poderia resistir e vencer por meio da poderosa operação da terceira pessoa da Trindade, a qual viria na plenitude do divino poder. É o Espírito que torna eficaz o que foi realizado pelo Redentor do mundo. É por meio do Espírito que o coração é purificado. Por Ele torna-se o cristão participante da natureza divina. Cristo deu Seu Espírito como um poder divino para vencer toda tendência hereditária e cultivada para o mal, e gravar Seu próprio caráter em sua Igreja. É evidente que o único modo de Cristo viver nos homens e mulheres é por intermédio do seu Espírito. Jesus permeia nossa mente e o nosso coração pelo Espírito Santo. As operações de Deus na humanidade e em seu favor ocorrem por seu Espírito.

Sem Ele, poderíamos conhecer intelectualmente sobre a vida e morte de Jesus, mas isso nunca nos salvaria, pois nunca se tornaria a força transformadora de vidas que deve ser para todos os cristãos. Sem dúvida, o Espírito Santo nos guiará à verdade sobre Jesus, mas Sua obra por nós não pára aí; pelo contrário, é aí que começa. Guiando-nos a Jesus, apontando-nos o caminho da salvação, este é só o primeiro estágio na obra do Espírito.
Pois o Espírito Santo não só trabalha por nós, mas também trabalha em nós, transformando-nos, tomando a salvação que temos em Jesus uma manifestação em nossa vida. O Cristo que morreu por nós é também o Cristo que vive em nós.

Irmãos, notemos a importância que Paulo atribuía à obra do Espírito Santo em nós. Embora tenha sido o grande pregador da salvação unicamente pela fé, Paulo igualmente enfatizava a importância do viver santo e da obediência. Não existe ambivalência aqui: se vivermos segundo a carne, morreremos; se não tivermos o Espírito operando em nós, não seremos de Cristo.
É difícil imaginar como ele poderia ter sido mais claro. De acordo com Paulo, devemos estar mortos para a carne; em outras palavras, nossos desejos carnais, embora existam não nos devem dominar. O mesmo poderoso Espírito que ergueu Jesus da morte está trabalhando agora em nós, fazendo-nos morrer para o pecado e viver para a justiça. Aqui, Paulo não está falando só em teoria: Esta é a realidade da salvação na vida do cristão.
Também é interessante como ele contrasta as obras da carne com o fruto do Espírito. Talvez Paulo estivesse fazendo um contraste entre o que colhemos da carne e o que semeamos na carne. Em outras palavras, pecado é aquilo com que trabalhamos, sofremos e, finalmente, de onde colhemos os resultados. Em contraste, o fruto do Espírito é algo que acontece naturalmente em uma pessoa que está sob o controle do Espírito. Podemos perceber bem a clareza do apóstolo para a nossa compreensão: o Espírito traz vida, a carne traz morte.

Por natureza, todos nascemos da carne, a menos que "nasçamos de novo" (que, no grego, significa realmente "nascer de cima" por intermédio do Espírito Santo), permaneceremos na carne e, evidentemente, morreremos na carne. Graças a Deus, muito de nós já experimentamos a vida nova, esse renascimento fantástico, o novo nascimento, a regeneração e a participação na natureza divina. A natureza divina é dada ou mediada pelo Espírito por meio da Palavra. Portanto, regeneração não é a vida natural educada ao nível mais alto de realização, mas a vida divina que é concedida aos que estavam mortos em suas transgressões e pecados. (Efe 2,1). Isto se torna verdade pelo poder do Espírito Santo que trabalha em nós (Tit 3, 5). A vida de uma pessoa nascida de cima inclui negação própria (Luc 9, 23), sacrifício próprio (Rom 12, 1), e rendição dos desejos pecaminosos (Rom 6, 19). Embora por nós mesmos não sejamos capazes de fazer essas coisas, o Espírito Santo que opera em nós nos conduzirá ao ponto em que teremos que tomar a decisão de nos render a Ele, e não à carne. Uma vez tomada essa decisão, Ele nos dará poder para resistir e obedecer. No fim, tudo depende da ação correta da vontade. Temos que fazer as escolhas, portanto tomemos nossa decisão diária de cooperarmos com a obra do Senhor, com o projeto de Deus na nossa vida e não nos deixemos mais levar pelas paixões mundanas e transitórias, em especial pelas tentações da grande festa da carne que se aproxima, o carnaval do erotismo, da sedução, das bebedeiras, das orgias, das confusões, onde muitos que se dizem filhos da luz são tragados pelos atrativos de Satanás. Na próxima vez que enfrentarmos a tentação, pensemos na nossa liberdade de escolha. Percebamos que a decisão de obedecer a Deus ou ao pecado é nossa. Será que vamos nos submeter ao Espírito Santo ou ao pecado? Clamaremos pelo Seu poder para conseguirmos a vitória ou cairemos em tentação e depois pediremos perdão em confissão?

Queridos, Jesus não está mais aqui em carne, mas está aqui no Espírito, que agora é Seu representante na Terra. Pela intimidade com o Espírito, temos intimidade com Cristo. O Espírito Santo mantém viva para nós a presença de Cristo. Pelo Espírito, podemos ter uma caminhada íntima com Ele, e essa caminhada é a questão fundamental da vida regida pelo Espírito Santo.
Precisamos seguir e servir a Deus porque O amamos; desejamos ser limpos do pecado porque reconhecemos o mal que trouxe e trás à criação de Deus, mas precisamos entender que a vida pelo Espírito requer submissão, sacrifício e morte para o eu; mas se o Espírito habitar em nós manterá diante de nós o maravilhoso sacrifício de Jesus em nosso favor. Se, dia após dia, sob a unção do Espírito Santo, permanecer em Cristo e no Seu amor maravilhoso manifesto para conosco por Sua morte na cruz, seremos capacitados do Alto para vivermos como Deus pede que vivamos. E não esqueçamos: Ser santificado não é só deixar de fazer coisas más; é ser "separado" para Deus, viver para Ele em fé, arrependimento e submissão. Isso só pode acontecer por uma conexão viva com Ele, através do Espírito Santo.

Meu abraço carinhoso e fraterno.

Ricardo da Liturgia das 10h
ricardomoyses@globo.com

 
 
 

VEJA NO MÊS DE FEVEREIRO/2010:


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