Meus amados irmãos, (ãs) eis nos aqui mais uma vez com nossas notícias paroquiais. Este mês é pleno de acontecimentos extraordinários para nós católicos, pois iniciaremos daqui a poucos dias a Quaresma, que é tempo litúrgico de conversão, tempo da verdade e da graça.
A Quaresma começa na Quarta-Feira de Cinzas e termina na quarta-feira da Semana Santa. Este período é reservado à reflexão e conversão espiritual; ou seja, o católico deve se aproximar de Deus, visando seu crescimento espiritual. Nós fiéis somos convidados a fazer uma comparação entre nossas vidas e a mensagem cristã expressa nos Evangelhos, a crescer humanamente e espiritualmente, intensificando a prática dos princípios essenciais de sua fé com o objetivo de ser uma pessoa melhor e proporcionar o bem para o próximo. Podemos dizer que este período é um retiro espiritual voltado à reflexão, onde os cristãos se recolhem em oração e penitência preparando o espírito para a acolhida do Cristo Vivo, Ressuscitado no Domingo de Páscoa.
Antes da Quaresma temos o Carnaval, festa que se oriunda a partir do Século XI pela implantação da Semana Santa pela Igreja Católica, antecedida por quarenta dias de jejum. Este longo período de privação acabaria por incentivar a revisão de diversas festividades nos dias que antecediam a Quarta-Feira de Cinzas, o primeiro dia da quaresma. A palavra carnaval, desse modo, relacionada com a idéia de afastamento dos prazeres da carne marcada pela expressão “carne vale”, que acabou por formar a palavra carnaval. Durante o período do carnaval havia grande concentração de festejos populares, cada cidade brincava a seu modo, de acordo com os seus costumes.
Hoje, infelizmente carnaval deixou de ser sinal vivo de alegria e passou a ser sinal mesmo de orgias, bebedeiras, drogas, violência. Que pena que aquilo que era folclórico virou símbolo de nudismo e insensatez, enfim, no carnaval moderno de hoje, nada existe de belo, de simplicidade e descontração das famílias. Para muitos, carnaval significa preocupação e medo. Por isto meus amados, não esqueçamos que mesmo no carnaval, somos cristãos e, portanto, façamos jus àquilo que de fato somos: Filhos de Deus, não deixemos que as coisas do mundo ofusquem a luz que existe dentro de nós.
Na Quarta-Feira de Cinzas, com a imposição das cinzas se inicia uma estação espiritual particularmente relevante para todos cristãos que querem se preparar dignamente para viver o Mistério pascal, quer dizer, a paixão, Morte e ressurreição do Senhor Jesus. Neste dia somos exortados a viver as palavras do Profeta Joel 2,13: “Convertei-vos a Mim de todo coração, com jejuns, lágrimas e lamentações. Rasgai o vosso coração, mas não os vossos vestidos. Convertei-vos ao Senhor vosso Deus.” É com estas palavras que a liturgia da Quaresma, inicia a conversão do coração, dimensão fundamental do singular tempo da graça, que nos preparamos para viver. A exortação “ Voltar para Javé, vosso Deus” implica o desapego daquele que nos mantém distantes Dele. Este desapego constitui o ponto de partida necessário para estabelecer com Deus a aliança que foi interrompida por causa do pecado. A primeira interpelação da Quaresma é a de tomarmos Deus mais a sério. É o grito em tom dramático do Profeta Joel em 2,12-13. E São Paulo em tom igualmente sério, escreve aos coríntios: “ Nós vos pedimos, em nome de Cristo, reconcilia-vos com Deus” 2Cor 5,20. Se nós, os cristãos, não acolhemos estes apelos, quem os há de ouvir. A caminhada da Quaresma não pode ser só individual. Os caminhos da conversão devem ser percorridos em Igreja, pela Igreja. A conversão do seu povo é o grande desejo de Deus, pois só isso não tornará inútil a morte de Jesus Cristo. A expressão comunitária tem de envolver e fortalecer a caminhada individual de cada membro da Igreja, Corpo de Deus.
Temos ainda a Campanha da Fraternidade que tem como tema : Fraternidade e Segurança Pública e o lema : “ A Paz é fruto da Justiça”. Is 32-17
O objetivo principal da Campanha da Fraternidade é desenvolver nas pessoas a capacidade de reconhecer a violência na sua realidade pessoal e social, a fim de que possam se sensibilizar e se mobilizar assumindo sua responsabilidade pessoal no que diz respeito ao problema da violência e a promoção da cultura da paz. Denunciar a gravidade dos crimes contra a ética, a economia e as gestões públicas; fortalecer de forma educativa e evangelizadora, denunciar a predominância do modelo primitivo presente no sistema penal brasileiro, etc. Enfim, neste período temos uma fonte viva de espiritualidade, portanto, nos empenhemos para vivenciar a Quaresma, e a Campanha da Fraternidade para que nos preparemos bem para a Páscoa do Senhor.
Meu abraço e a minha bênção sacerdotal.
Pe. Francisco de Assis Maria Leite - CRSP
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