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Vamos Conhecer a Bíblia |FEVEREIRO


1 Carta de Pedro (4)

Destinatários

Os destinatários da carta eram em boa parte cristãos convertidos do paganismo (1,14.18; 4,3) esparsos pela Ásia Menor: “do Ponto, da Galácia, da Capadócia da Ásia e da Bitínia” (1,1)

Essas regiões tinham sido evangelizadas por Paulo acompanhado por Silvano.

Não tinha por finalidade lançar os fundamentos da fé, que já lhes tinham sido ensinados (1,12). Tratava-se, bem pelo contrário, diante das crescentes dificuldades experimentadas pelas comunidades cristãs, de exortá-los a fortalecer a fé com uma mensagem de conforto, de esperança e de encorajamento para perseverar em razão mesmo da esperança que lhes fora pregada.

Para tal fim, o apóstolo orienta as atenções de seus leitores em direção a Cristo, a fim de que eles tomem (ou retomem) consciência do poder da vida nova que nele esta (1,3;2,2): ademais, insiste sobre a natureza vitoriosa da esperança recebida, fonte de uma atividade perseverante e radiosa na vida de cada dia.

É provável que o chefe dos Apóstolos tenha sido levado a escrever pela sua consciência de pastor universal.

Conteúdo
Cap. 1,1-12 Prólogo, saudação
Cap. 1,13 - 2,10 Exortação à santidade
Cap. 2,11-3,12 Diversas obrigações dos cristãos na sociedade
Cap. 3,13-4,19 A atitude que deve tomar o cristão perante as perseguições e contrariedades.
Cap. 5,1-11 Exortações aos presbíteros e a todos os fiéis.
Cap. 5,12-14 Saudação final. Bênçãos.

Aspectos Doutrinais

As circunstâncias concretas que motivaram esta carta possivelmente foram as perseguições anteriormente aludidas.
Eram provações de todo o tipo (1,6-7), calúnias (2,12-15) injúrias (3,9-17), insultos (4,4), etc; até ao ponto de Pedro chegar a afirmar que se encontram como num incêndio de sofrimento (4,12-16) que os pode fazer vacilar. Não é provável que se refira a perseguições oficiais. Deve referir-se a vexações provenientes do ambiente social pagão, ao qual enfadava a conduta dos recém convertidos (4,4) daí as incompreensões e descriminações que sofriam.

A carta tem claros acentos de consolação e de exortação. As contrariedades que suportam não são inúteis: hão de servir-lhes para se purificarem, sabendo que é Deus quem julga, não os homens (4,19). Sobretudo, hão de saber que à imitação de Jesus Cristo atrairão muitos bens inclusive a fé, para os seus próprios perseguidores (2,12). O autor sagrado não se limita a dar conselhos esporádicos de humildade (5,5-7), mas em coerência com a doutrina do Senhor - (Mt 5,10-12) chama-lhes bem-aventurados e anima-os a suportar com alegria os sofrimentos (4,13). Desenvolve uma idéia profunda e consoladora: o cristão está incorporado em Cristo e participa do Seu mistério pascal; tal como Jesus Cristo, para redimir os homens, sofreu a Paixão e Morte e depois ressuscitou para uma vida imperecedoura, também os cristãos alcançarão a própria salvação e a de outros muitos através das contradições. Jesus é o modelo, e é também o que dá plenitude de sentido às perseguições que sofre o cristão.

Ainda que explicitamente só mencione o Batismo numa ocasião (3,21), Pedro alude em repetidas ocasiões a este sacramento, pelo qual se realiza a incorporação em Jesus Cristo e o começo de uma vida nova: Deus “segundo a Sua grande misericórdia, gerou-nos de novo (...) para uma esperança viva” (1,3). Através dessas alusões é possível descobrir elementos da liturgia batismal e da catequese que se dava àqueles que se aproximavam do Batismo. Três aspectos podem destacar-se nos ensinamentos do Apóstolo: o Batismo leva consigo um novo nascimento; efetua a libertação do pecado prefigurada na libertação dos israelitas no Egito-; a salvação de Noé é tipo da que realiza este sacramento.

No N T é freqüente a consideração do Batismo como um novo nascimento ( Jo3,3ss; Tt3,5; 1 Jo 2,29). Neste sentido, Pedro considera os cristãos como “gerados de novo” de um germe incorruptível (1,23; 1,3); e anima-os, “como crianças recém- nascidas” (2,2), a viver com bondade e simplicidade, ansiando pelo alimento espiritual que lhes chega através da Palavra de Deus e dos sacramentos.

O Batismo é ao mesmo tempo a libertação da escravidão do pecado. Os cristãos romperam com o pecado (4,1-6) e passaram da escravidão para a liberdade dos filhos de Deus, porque foram resgatados “com o sangue precioso de Cristo, como cordeiro sem defeito nem mancha” (1,19).

Continua no próximo número.

Jane do Tércio

 
 
 

VEJA NO MÊS DE FEVEREIRO/2009:


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